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Trabalho

Publicada em 25/03/2013

Unica destaca importância da mulher para a indústria da cana

Mulheres ocupam 9% das vagas da área agrícola e 11% na industrial e administrativa das usinas.

Unica

Já se foi o tempo em que as mulheres eram vistas simplesmente como administradoras do orçamento familiar. Hoje, a presença delas é crescente nas mais variadas funções e setores. Na indústria da cana não é diferente, seja na prática diária no canavial, em máquinas agrícolas ou em reuniões de negócios: elas estão sempre presentes.

Uma demonstração de que elas seguem conquistando espaço é vista nos organogramas das empresas do setor sucroenergético, onde as mulheres respondem por aproximadamente 9% das vagas da área agrícola e 11% quando somadas as áreas industriais e administrativas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), por exemplo, é presidida pela economista Elizabeth Farina desde novembro de 2012, a primeira mulher a liderar a entidade.

“O rótulo do sexo frágil não existe mais. As mulheres mostram todos os dias que são capazes de gerenciar a casa, cuidar do marido e dos filhos e, ainda assim, trilhar novos rumos e trabalhar em qualquer área. A minha vida não é diferente, assumir a presidência da Unica foi um desafio que assumi com muito entusiasmo, determinação e energia,” explica Farina.

Ex-professora titular do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Farina foi chefe do Departamento de Economia da USP e presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), ligado ao Ministério da Justiça. A executiva veio somar seu talento ao de outras 23 mulheres que, junto a 19 homens, compõem a Unica, principal organização representativa do setor sucroenergético nacional.

A liderança feminina também está presente nas empresas associadas à entidade. Nelas, há muitas mulheres em cargos importantes. Um exemplo é Guiomar Della Togna Nardini, que após o falecimento em 2003 de seu esposo, Aurélio Nardini, assumiu com presteza o Grupo Aurélio Nardini.

“Fui bem recebida pelo setor. A indústria da cana, assim como os demais segmentos da economia brasileira, já percebeu que o importante não é se o profissional é homem ou mulher e sim se ele ou ela está apto ou apta para desenvolver determinadas atividades,” explica a executiva da Nardini.

No Grupo Virgulino de Oliveira, cooperado da Copersucar, Carmen Ruete de Oliveira foi uma das pioneiras a presidir uma empresa sucroenergética. Atualmente, ainda presente na diretoria, Carmen repassou o bastão da chefia aos filhos Hermelindo Ruete de Oliveira e Carmen Aparecida Ruete de Oliveira, conhecida como Carminha, a primeira mulher a compor o Conselho Deliberativo da Unica.

“Apesar da predominância masculina no conselho da Unica, nunca senti diferença por ser mulher, ao contrário, todos sempre me receberam muito bem. Acredito que a sociedade como um todo não classifica mais as pessoas por gênero, e sim por sua competência,” completa Carminha.

As instalações da Usina São Luiz, outra cooperada da Copersucar, já serviu como espaço para as brincadeiras infantis de Adriana Maria Quagliato Vessoni e de seus irmãos. Hoje, a executiva de Ourinhos (SP) é responsável pelo departamento financeiro da empresa, influenciando diretamente no dia-a-dia do complexo industrial construído pela família Quagliato.

“Não imagino a minha vida sem o trabalho diário na usina. Lá cresci, lá aprendi o quanto a cana é essencial para a economia e a sustentabilidade do País,” enfatiza.

Mulheres no RenovAção

O trabalho diário no setor também faz parte da vida de Patrícia Terezinha do Prado, funcionária da Usina Santo Antonio do Grupo Balbo. Aos 40 anos e sem muita instrução, os rumos profissionais da ex-cortadora de cana mudaram graças ao Projeto RenovAção. A iniciativa lançada pela Unica em 2009 promove a requalificação de trabalhadores rurais do setor sucroenergético, especialmente os que atuam no corte manual da cana-de-açúcar. Hoje, com uma nova perspectiva quanto ao futuro, Patrícia exerce a função de soldadora.

A história de Patrícia é apenas uma entre tantas outras de superação à ameaça do desemprego com o fim do uso do fogo e a substituição da colheita manual pela mecanizada. O número de mulheres formadas pelo RenovAção aumentou de 2% no primeiro ano, em 2009, para 12% na safra 2011/2012. E a tendência é que este número seja ainda maior para a atual safra, 2012/2013.

Para a gerente de Responsabilidade Social Corporativa da Unica, Maria Luiza Barbosa, o setor, que por muito tempo foi ocupado predominantemente pelos homens, cada vez mais abre espaço às habilidades femininas. “Quando comecei a trabalhar na entidade, poucas eram as mulheres atuantes no setor. Hoje, o que vejo nas usinas muito me alegra. Cada vez mais estamos mostrando nossas qualidades profissionais, sem deixar de lado o trato com a família e com a sociedade,” destaca.