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Trabalho

Publicada em 25/02/2013

Senar vai oferecer três cursos de beneficiamento de lã em MS

A capacitação das artesãs está sendo oferecida pela instrutora do Senar/RS, Luciana Viana, no Sistema Famasul, em Campo Grande.

O mercado da carne ovina em Mato Grosso do Sul passará a dividir o cenário do setor com a comercialização da lã do mamífero. Pelo menos essa é a expectativa das três artesãs que aprendem novas técnicas de confecção em lã de ovino no Estado. As três profissionais terão a responsabilidade de repassar as técnicas em três novos curso de beneficiamento de lã que serão oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS (Senar/MS) ainda este ano.

A capacitação das artesãs está sendo oferecida pela instrutora do Senar/RS, Luciana Viana, no Sistema Famasul, em Campo Grande, com previsão de encerramento para o próximo sábado (23).

Luciana conceitua a lã como uma opção de rentabilidade que pode ser mais explorada no Estado. “O trabalho é prazeroso e o resultado pode ser utilizado tanto para consumo próprio, quanto comércio. Para uma peça com dois metros de extensão, são utilizados dois quilos de lã ao custo de R$ 1,50 cada. Dependendo da qualidade, poderá ser comercializada por R$ 500”, exemplifica Luciana Viana.

O cronograma da capacitação inclui todas as fases da confecção de uma peça de vestuário ou decorativa, desde a classificação das partes consideradas nobres no ovino, que geram lãs mais valorizadas, até a lavagem, limpeza manual, cardagem, fiação (transformação da lã em fios, sob auxílio de máquinas), tingimento e a formação das peças com a utilização do tear. A formação também inclui uma nova técnica conhecida no Rio Grande do Sul como feltragem, que consiste na confecção do feltro usado como tecido para vestuário ou decoração.

Segundo a coordenadora da unidade educacional do Senar/MS, Maria do Rosário Almeida, ainda este ano as três instrutoras viajarão o Estado disseminando gratuitamente informações e técnicas do artesanato em lã ovina, com o objetivo de tornar a prática uma opção de renda, com produtos de alta qualidade. “Em breve apresentaremos novas alternativas de profissionalização para valorizar a produção artesanal da lã e incentivar a continuidade desse trabalho, que já existe na área rural do Estado”, afirma, referindo-se aos novos cursos a serem lançados em abril.

Para a artesã Bárbara Gomes, o trabalho com lã se sobressai aos aspectos econômicos e culturais. “Fui bancária e entrei em uma rotina pessoal complicada. Foi necessária uma terapia ocupacional. Hoje o artesanato é minha profissão e não troco por nada”.

O último levantamento agropecuário realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o número de propriedades que se dedicam a produção de ovinos e caprinos em MS se aproxima de 8,7 mil. O Estado tem hoje em torno de 404 mil cabeças. As informações do profissional em tosquia de carneiro no Estado, Claudinei Leite Carvalho, são de que cada animal produz em torno de dois quilos de lã por ano e o valor da matéria prima varia entre R$ 1,50 e R$ 2,00 em Mato Grosso do Sul.