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Trabalho

Publicada em 08/09/2014

Cursos do Senar/MS estimulam indígenas ao empreendedorismo

Indígenas de Antonio João receberam certificados de cursos na semana passada.

Do Senar/MS

Produção Artesanal de Alimentos Saudáveis e Beneficiamento Caseiro da Mandioca foram alguns dos cursos oferecidos pelo Senar/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul aos trabalhadores rurais e indígenas de Antônio João, que agora almejam a comercialização do que é produzido com orientações técnicas nas aldeias. A demanda pelas capacitações partiu do Sindicato Rural do município, junto com a Cooperativa Raiz da Roça, que estimulam a diversificação da fonte de renda na região Sul do Estado. Entre guaranis-kaiowás e profissionais do campo, 130 receberam certificados do Senar, nesta quinta-feira (4), durante a abertura da 18ª Feira Agroindustrial de Antônio João.

De acordo com o cacique da aldeia Campestre e estudante de matemática na UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Joel Aquino, a perspectiva é de que até 2015 os indígenas iniciem a comercialização dos produtos desenvolvidos nas capacitações. “Que essa parceria com Sindicato Rural sirva de exemplo para outros municípios”, destacou o cacique. “A mídia coloca no jornal um cenário de conflito com os produtores rurais, sem apontar o real culpado. O que o índio precisa é de coisas para trabalhar e trabalhamos porque sabemos que o mesmo direito de vocês é nosso também. Agradecemos os cursos do Senar”.

Durante a certificação de indígenas e trabalhadores rurais, a presidente do Sindicato Rural de Antonio João, Roseli Ruiz, tratou da relevância do trabalho dos indígenas e dos problemas gerados pela omissão do Governo Federal nas questões fundiárias. “Os cursos contribuem para uma renda extra familiar, já temos contatos direto com lojas dos aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro que se interessam na comercialização do que é produzido aqui. Há respeito entre produtores e indígenas, mas vivemos em um País com irresponsabilidade estatal imensa”, afirmou Roseli. “Não se trata de problema étnico, mas de política internacional que de olhos nas nossas riquezas usam os indígenas para acirrar um embate”, ressaltou.

Para o diretor secretário do Sistema Famasul – Federação da Agricultura e Pecuária de MS, Ruy Fachini, a região de fronteira do Estado é privilegiada por ter mulheres na liderança dos sindicatos rurais que incentivam o convívio social e estimulam o profissionalismo indígena. “Maria Neide Casagrande, na presidência do sindicato de Tacuru, e Roseli Ruiz, no comando de Antônio João, movimentam esta região e fazem a diferença estimulando a união e o empreendedorismo. Produtores e indígenas são reféns de um embate e por questões ideológicas pagam o preço”, enfatizou Fachini.

A certificação do Senar/MS aconteceu durante a abertura da Feira Agroindustrial do município que se estende até o dia 7 de setembro. Simultaneamente acontece a 12° Festa do Tomate, com o objetivo de valorizar a produção local. Durante a programação, a população de Antonio João e região poderá participar de leilões, bailes, shows, teatro infantil, apresentações de grupos de dança e desfiles.