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Trabalho

Publicada em 26/05/2014

Equipe do Senai de MS já qualificou 530 trabalhadores em Angola

A capacitação de 770 trabalhadores angolanos é o complemento de uma parceria iniciada em 2010.

Fiems

Como parte do projeto inédito de qualificação profissional desenvolvido pelo Senai de Mato Grosso do Sul em Angola para atender a demanda de uma indústria sucroenergética do Grupo Odebrecht na África, a equipe da FatecSenai Dourados já capacitou 530 trabalhadores de janeiro a maio deste ano e, até setembro, serão formados mais 240 angolanos, totalizando 770 colaboradores da cidade de Cacuso. A capacitação de 770 trabalhadores angolanos é o complemento de uma parceria iniciada em 2010 no Estado, quando o Senai qualificou 60 angolanos para atuar na usina que o grupo está construindo na África.

Segundo o diretor-regional do Senai, Jesner Escandolhero, os profissionais sul-mato-grossenses estão reproduzindo em Angola a experiência bem sucedida já obtida na realização de cursos em 2010 para atender a indústria sucroenergética do mesmo grupo. "O trabalho reforça a parceria do Senai e a Odebrecht por meio da experiência que se desenvolveu no atendimento à empresa desde que se instalou no Estado", reforçou, completando que a expertise do Senai de Mato Grosso do Sul na qualificação profissional para a indústria sucroenergética é reconhecida nacionalmente pelas empresas do segmento.

Dos 530 trabalhadores qualificados, 30 são analistas de laboratório, 30 são mecânicos industriais, 30 são eletricistas industriais, 15 são instrumentistas industriais, 15 são caldeireiros, 15 são soldadores, 15 são torneiros mecânicos, enquanto outros 380 trabalhadores se qualificaram para atuar segundo as NRs (Normas Regulamentadoras) 10, 11, 12, 13, 20, 23, 31 e 35.

De acordo com o gerente de educação do Senai de Mato Grosso do Sul, Marcos Costa, a formação profissional na cidade angolana contribui para a sustentabilidade e a formação de mão de obra qualificada na região. "Essas atividades irão se reverter na otimização das operações da empresa do Grupo Odebrecht, que terá a primeira usina de açúcar e álcool de Angola, além de melhorar o nível de vida de parte da população de Cacuso", considerou.

O instrutor do curso de soldador e torneiro mecânico do Senai, Aparecido Ferreira da Silva, falou da oportunidade de compartilhar o mesmo conhecimento oferecido pela entidade em Dourados (MS). "Trabalho no Senai de Dourados há 28 anos e nunca imaginei que um dia pudesse dar aulas em outro país. Quando me fizeram o convite para ir para Angola, não pensei duas vezes e já me sinto privilegiado em repartir o aprendizado com nossos irmãos angolanos", disse.

Ex-presidente

No início de maio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o centro de formação do Senai de Mato Grosso do Sul na cidade de Cacuso, bem como a usina Biocom de produção de açúcar, etanol e energia de biomassa, que está em processo de implantação pelo Grupo Odebrecht no município africano. Ele fez questão de conversar com os instrutores e professores do Senai que estão capacitando os trabalhadores angolanos para atuar na Biocom, de capital brasileiro e angolano.

A empresa de plantação e processamento de cana-de-açúcar, hoje já planta 6 mil hectares de e irá produzir em 2018, quando concluir sua primeira fase de implantação, 180 mil toneladas de açúcar, para substituir as importações que Angola faz hoje do produto, além de etanol e biomassa. A colheita é completamente mecanizada, com 95% dos equipamentos utilizados na usina comprados do Brasil e o projeto conta com 2.400 funcionários, mais de 90% deles angolanos.

O professor Aparecido Ferreira da Silva explicou ao ex-presidente Lula como é feita a transferência de tecnologia e conhecimento do Senai de Mato Grosso do Sul, além da formação da mão-de-obra local. O ex-presidente incentivou os estudantes angolanos a se qualificarem, lembrando o quanto o curso de torneiro mecânico mudou a sua vida. "Quem estuda no Senai pode até virar presidente da República", ressaltou.