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Logística

Publicada em 29/03/2013

Transporte ferroviário de cargas cresce somente 2,8% em 2012

Levantamento feito pela CNT aponta a movimentação de cargas, os investimentos realizados e os principais problemas do setor.

Agência CNT

Minério de ferro, soja e milho são os principais produtos transportados pelas ferrovias no país. Eles corresponderam a 73,9%, 5,18% e 3,79%, respectivamente, das cargas transportadas pelo modal, que totalizaram 301,4 bilhões de TKU (tonelada por quilômetro útil) em 2012. O aumento é de 2,8% em comparação com o ano anterior. Esses e diversos outros dados relativos ao setor compõem um estudo publicado nesta terça-feira (26) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

O levantamento “Transporte e Economia – o Sistema Ferroviário Brasileiro” traz uma análise completa do setor ferroviário, apresentando estatísticas sobre a movimentação de carga, investimentos públicos e privados e os principais entraves relacionados ao desenvolvimento do modal.

De acordo com o presidente da CNT, senador Clésio Andrade, o transporte ferroviário nacional vem ganhando destaque como um mecanismo indutor de crescimento e desenvolvimento econômico. “Os investimentos anunciados no final do ano passado pelo governo federal são um avanço para o setor. Contudo, intervenções importantes para o desenvolvimento do país, como a construção de contornos ferroviários e recuperação de ferrovias, não foram contempladas”, destaca.

Esse é justamente um dos pontos abordados pelo relatório: a necessidade de ampliação dos recursos disponibilizados pelo governo. A CNT avalia que as obras previstas para a melhoria da malha são medidas corretivas, insuficientes para a adequação da matriz de transporte brasileira e para o incentivo à produção nacional.

O Programa de Investimento em Logística (PIL) prevê intervenções em 10 mil quilômetros de ferrovias com investimento estimado em R$ 91 bilhões, dos quais R$ 56 bilhões devem ser aplicados nos primeiros cinco anos de contrato.

O trabalho ainda avalia o novo modelo de concessão proposto dentro do PIL. De acordo com o levantamento, a maior complexidade do modelo e a maior regulamentação podem dificultar o funcionamento do sistema e do mercado de transporte ferroviário de cargas.

Entraves

Nos últimos anos, o transporte ferroviário no Brasil registrou um significativo incremento. De 2006 a 2012, a produção teve alta de 26% (média de 4,4% ao ano). Em 2012, foram movimentados 459 milhões de toneladas úteis.

Porém, mesmo diante de resultados positivos, o desempenho e a eficiência das ferrovias nacionais são afetados por diversos fatores. As invasões das faixas de domínio reduzem a velocidade comercial de 40 km/h para até 5 km/h. Outro entrave se refere aos 12.289 cruzamentos rodoferroviários. Desses, 2.569 são considerados críticos e 276 prioritários.

O documento da CNT traz também uma análise comparativa do custo do transporte da soja produzida no Mato Grosso até alguns portos brasileiros. O objetivo é ressaltar a importância do modal ferroviário para o desenvolvimento da economia nacional.

Assim, foram simuladas quatro rotas possíveis, tendo Lucas do Rio Verde, centro distribuidor do grão, no Mato Grosso, como a origem dos fluxos.

Pelo levantamento, o custo por tonelada de soja transportada entre o Mato Grosso e o Porto de Itaqui, no Maranhão, utilizando apenas o modal ferroviário, é de R$ 148,58. Enquanto isso, a utilização do sistema rodoviário, até o Porto de Paranaguá, tem custo de R$ 232,74.

“O Brasil precisa de rotas alternativas para o escoamento da safra agrícola destinada à exportação. As ferrovias são eficientes porque movimentam grandes tonelagens por longas distâncias a um custo menor”, explica o presidente da CNT. Esse ganho de eficiência depende necessariamente de investimentos em infraestrutura de transporte e da construção de novos trechos, como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), a Ferrovia Norte-Sul (FNS), a Transnordestina, entre outras.