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Logística

Publicada em 27/11/2013

Mato Grosso do Sul está atrasado na logística, afirma Famasul

Nesta segunda-feira foi apresentado estudo sobre a demanda de infraestrutura do Estado.

Famasul

Mato Grosso do Sul e o Brasil estão atrasados no desenvolvimento logístico. Atualmente temos capacidade de armazenar apenas metade da produção agrícola do Estado e com isso os caminhões acabam servindo como silos nas filas dos portos. O pronunciamento é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), Eduardo Riedel, durante a apresentação do Centro Oeste Competitivo, projeto de reconstrução da infraestrutura rodoviária, hidroviária e aérea, com a participação da iniciativa privada. A apresentação das ações que impactam Mato Grosso do Sul ocorreu nesta segunda-feira (25), no auditório da Federação das Indústrias de MS (Fiems).

Para a realização dos estudos que beneficiam a logística de Mato Grosso do Sul, a empresa Macrologística Consultores desenvolveu 150 entrevistas pessoais, identificando as prioridades entre as associações produtivas, empresas e autarquias. Com uma projeção para 2020, os estudos priorizaram 10 eixos de integração logística da Região e preveem potencial de movimentação econômica anual de R$ 7,2 bilhões entre os eixos, montante que representaria redução de 11,8% no custo logístico, utilizando-se os volumes previstos para os próximos sete anos.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS), Almir Dalpasquale, a necessidade do desenvolvimento do Centro Oeste é imediata. “O Estado não acompanha a evolução do campo e essa situação causa entraves logísticos. Pouco adianta contarmos com caminhões modernos e ágeis, com os portos em estado de calamidade. Se não remodelados urgentemente o sistema logístico de MS, futuramente os gargalos serão maiores e os prejuízos imensuráveis”, enfatiza Dalpasquale.

O projeto que foi encomendado pela Famasul e Fiems fez um diagnóstico da oferta da infraestrutura do Centro Oeste e da demanda gerada pelas cadeias produtivas, com mapeando de cerca de 60 produtos, incluindo a soja, milho, carne bovina, aves, açúcar, adubos e fertilizantes. Nos resultados, os três eixos que aparecem como principais gargalos envolvem a BR-163, entre Dourados e Mundo Novo, a malha ferroviária que traça Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, incluindo a Malha Oeste entre Corumbá e o porto de Santos (SP), e a rodovia que liga Maracaju a Paranaguá (PR).

Em um demonstrativo de exportações de carne, o projeto mostra que atualmente, utilizando-se das atuais estruturas rodoviárias e portuárias, encaminhar uma tonelada de Mato Grosso do Sul até Shangai, via Santos, custa em média R$ 398. Com a concretização da ferrovia em MS os custos teriam queda de 11%, baixando para R$ 355.

Somando as necessidades de melhorias logísticas nas outras regiões brasileiras, o Centro Oeste Competitivo inclui 106 projetos, com a necessidade de R$ 36,4 bilhões de investimento, sendo a maior parte do valor destinado ao setor ferroviário e portuário. De acordo com a empresa responsável pelos estudos, com a economia potencial anual do custo logístico que os eixos podem proporcionar, este investimento pode ser pago em pouco mais de 5 anos.

Além do presidente do Sistema Famasul e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Eduardo Riedel, compuseram mesa na apresentação do Centro Oeste Competitivo os senadores, Delcídio do Amaral e Waldemir Moka; o governador de MS, André Puccinelli; o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal; o presidente da Fiems, Sérgio Longen; e o secretario municipal de Governo e Relações Institucionais, Pedro Chaves.