Canais de Notícia

Sustentabilidade

Publicada em 23/08/2013

Corumbá terá sábado dedicado a onça, o maior felino das Américas

Evento será realizado na Estação Natureza Pantanal, em Corumbá (MS), para mostrar a importância da espécie.

Da Redação*

Imponente, majestoso e feroz. Os índios o chamam de jaguar ou jaguaretê; mas ele é mais conhecido como onça-pintada (Panthera onca). Um dos mais importantes animais pantaneiros, a onça-pintada se tornou símbolo de ações de preservação da natureza e a conscientização ambiental é um desafio para retirá-la da lista das 627 espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Uma das ações que pode contribuir para essa conscientização é o ‘Sábado da Onça’, que irá discutir a importância da espécie para conservação da biodiversidade. O evento acontece no sábado (24), na Estação Natureza Pantanal, exposição interativa sobre a natureza pantaneira, mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza na cidade de Corumbá (MS).

Entre as atividades programadas está uma exposição com registros fotográficos da pesquisadora Grasiela Porfirio, feitos durante um projeto que estuda os felinos brasileiros, apoiado pelo Instituto Homem Pantaneiro e por duas instituições portuguesas: Universidade de Aveiro e Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal; ela também fará um bate-papo sobre a onça-pintada para os presentes. A programação inclui ainda sessões da peça de teatro de fantoches “Onde anda a onça?”, além de uma roda de montagem de ‘onças de papel’ - que poderão ser levadas como lembrança.

Além de mostrar que a onça está na lista de animais ameaçados de extinção, o objetivo do evento, conforme explica o administrador da Estação Natureza Pantanal, Gustavo Gaertner, é sensibilizar a população para a importância da espécie na manutenção da biodiversidade pantaneira. “Dessa forma, as pessoas poderão contribuir com ações de conservação”, explica Gustavo.

Embora o Brasil tenha regiões com ecossistemas bem conservados e população considerável de onça-pintada, como o Pantanal e a Amazônia, é necessário trabalhar com a comunidade a ameaça de extinção. “Esses dois biomas são áreas chaves para a conservação da espécie. O ‘Sábado da Onça’ é um encontro que irá levar conhecimento e informação, mudando a percepção e influenciando as atitudes das pessoas, desde as crianças até os adultos”, afirma Grasiela.

O “Sábado da Onça” será realizado no dia 24 de agosto, das 14h às 18h, na Estação Natureza Pantanal, localizado em Corumbá (MS), cidade que fica a 400 quilômetros da capital sul mato-grossense. O evento é gratuito e não há necessidade de inscrição prévia para participar.

Pequenas ações que geram grandes resultados

O Pantanal brasileiro é a maior área alagável do planeta, abrigando um conjunto significativo de comunidades vegetais e animais, muitos deles endêmicos desse bioma. Mesmo com a abundância da biodiversidade, ao longo do tempo, no entanto, o homem vem acelerando a taxas de extinção e de espécies ameaçadas, tornando-se o principal agente de um processo que leva à vulnerabilidade da fauna e da flora pantaneiras.

A intenção do encontro é também levar conhecimento para a população, tanto a respeito dessa realidade, quanto sobre a importância do bioma. “Conhecendo um pouco mais da espécie [onça-pintada] e descobrindo sua importância para o Pantanal, há possibilidades de que as pessoas contribuam para a mitigação de problemas crônicos do bioma, como a diminuição da caça predatória, a redução do desmatamento e a menor frequência de focos de queimada; problemas que levam diversos animais a fugirem de seus habitats”, comenta Gustavo. “A sensibilização contribuirá para que as pessoas colaborem de modo mais efetivo com a conservação da natureza”, completa Gustavo.

Caminhos para o estreitamento homem-natureza

Outras ameaças às espécies são a degradação e a diminuição dos ambientes naturais, também causadas especialmente por ações humanas. A redução da biodiversidade é resultado da abertura de grandes áreas para pastagens ou agricultura, crescimento dos centros urbanos, ampliação da malha viária, poluição e incêndios em florestas.

Esses atos reduzem de maneira considerável as áreas naturais dos biomas brasileiros, a exemplo do que acontece no Pantanal, aumentando o grau de isolamento das espécies. “A consequência disso é a redução do fluxo gênico entre os animais, o que acarreta em perda genética – fator que contribui de forma significativa para a extinção de espécies”, afirma Grasiela.

Iniciativas como o “Sábado da Onça”, que acontece pela primeira vez na Estação Natureza Pantanal, fortalecem as atitudes positivas dos cidadãos, as quais podem se tornar iniciativas de conservação. “Cabe às organizações ambientalistas, como a Fundação Grupo Boticário, apoiar e promover ações como essa, reforçando a ação do poder público. Agir nesse sentido é fundamental para mostrar como e o que fazer parar tentar reverter a situação de risco que o Pantanal enfrenta”, explica a pesquisadora. “Muitos moradores do Pantanal não conhecem o bioma. O evento é um caminho para aproximar ainda mais o homem da natureza, proporcionando, para crianças e adultos, o conhecimento sobre a importância da conservação do meio ambiente”, acrescenta.

A majestosa das Américas

A onça-pintada (Panthera onca) é a maior espécie de felino das Américas e a terceira maior do mundo, menor apenas que o tigre e o leão. Ela é considerada um animal símbolo para a conservação, especialmente por ser predador topo de cadeia alimentar, que desempenha um papel ecológico fundamental. A presença da espécie representa a estabilização do ecossistema. “Por ser um animal topo de cadeia, sua presença indica que há um habitat de qualidade e que as presas naturais estão ali. As onças atuam na regulação da população de outras espécies”, explica Grasiela.

Atualmente, as onças-pintadas são encontradas somente em regiões de florestas do México, América Central e América do Sul, principalmente no Brasil. Historicamente, a espécie ocupava áreas desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. No entanto, com o desmatamento, entre outros fatores, o felino desapareceu de muitas regiões, como é caso dos Estados Unidos, onde a espécie está extinta.

No Brasil, encontra-se o maior número de populações desse felino, sendo que o Pantanal mantém uma das maiores populações contínuas de onça-pintada fora da Amazônia. As pintadas pantaneiras são as maiores onças já encontradas nas Américas. Um macho adulto pode medir até três metros de comprimento e pesar 150 quilos. O comprimento, da ponta do focinho, até a ponta da cauda, varia de 1,2 a 1,95 metros. Entre os grandes felinos, a cauda da onça-pintada é a menor, medindo entre 45 e 75 centímetros de comprimento. Se comparada a um tigre ou leão, com a mesma massa corporal, por exemplo, suas pernas são consideravelmente mais curtas, porém mais grossas, dando mais agilidade para a caça. A onça-pintada tem entre 63 e 75 centímetros de altura – medida até a linha dos ombros.

Um das características de destaque do animal está em sua mordida. Entre os felinos, a força da onça-pintada é a maior, podendo arrastar um touro de até 350 quilos, por até oito metros, além de quebrar ossos com as mandíbulas.

O animal é reconhecido principalmente por sua pelagem. A cor de fundo dos pelos é amarelo acastanhado, mas pode chegar ao avermelhado, ao marrom e ao preto, para todo o corpo. A pelagem é coberta por rosetas – pintas como se fossem folhas secas ao chão – que servem como camuflagem, no ambiente entre luz e sombra das florestas.

(*Com informações das Fundação Grupo Boticário)