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Publicada em 16/10/2012

Herbário da Embrapa Pantanal conta com espécies raras catalogadas

O herbário é uma das coleções mais representativas da flora do Pantanal e foi fundado em 1984 pelos pesquisadores Arnildo e Vali Pott.

Embrapa

Duas espécies raras foram descobertas na coleção de plantas do Herbário da Embrapa Pantanal. Uma delas trata-se da Pterandra hatschbachii W.R. Anderson. É uma planta endêmica do Brasil, um arbusto pequeno da família da acerola, com flores rosadas. Ela foi coletada em 1995, em Guiratinga, Mato Grosso, pelo pesquisador Arnildo Pott e equipe da Embrapa Pantanal, composta pelas pesquisadoras Vali Pott e Suzana Salis, e os assistentes de pesquisa Antonio Arantes e Oslain Branco, por ocasião do levantamento florístico para o Plano de Conservação da Bacia do Alto do Paraguai.

Havia apenas quatro exemplares conhecidos até então, quase todos coletados na década de 70 pelo seu descobridor, Gerdt Hatschbach. A espécie foi encontrada pela primeira vez por Hatschbach no município Alto do Araguaia, Mato Grosso, em área de campo rochoso. O botânico William Russell Anderson, da Universidade de Michingan, fez a descrição e homenageou o seu descobridor com o nome da espécie. A espécie foi coletada novamente somente em 2000, no município de Minaçu, Goiás.

A outra descoberta importante é uma planta coletada no Pantanal do Nabileque, a espécie Tetrapterys hassleriana Nied. Até o momento, havia apenas 4 registros online nos herbários do mundo para a planta. Ela é um arbusto trepador, com flores amarelas, coletada por Arnildo Pott, em 1987. A espécie foi encontrada pela primeira vez em 1901, no Paraguai, pelo médico e naturalista suíço Émile Hassler (1864-1937). Por isso o nome da espécie é “hassleriana”. Este botânico realizou grandes viagens de coletas botânicas e sua coleção serve hoje como base para estudos da flora do Paraguai.

Pela raridade dessas espécies, não há nomes populares ou usos conhecidos para essas plantas. Os exemplares das duas espécies estavam no Herbário da Embrapa Pantanal sem a identificação até julho de 2012 e foram identificadas por Augusto Gonzaga, doutorando do Instituto Botânico de São Paulo. Segundo Augusto, o nome científico da planta invasora de pastagens muito conhecida no Pantanal como canjiqueira mudou para Byrsonima cydoniifolia A.Juss. Suas descobertas evidenciam ainda mais a importância da existência e da preservação da coleção botânica da Embrapa Pantanal, como forma de documentar a diversidade da flora pantaneira.

Augusto também identificou uma nova ocorrência para o estado do Mato Grosso do Sul, presente em nossa coleção, a da espécie Stigmaphyllon macedoanum C.E. Anderson

Identificação de Plantas

Ao contrário do que se acredita, identificar uma espécie vegetal de maneira precisa não é um processo simples na maioria das vezes. Segundo a pesquisadora responsável pelo Herbário, Catia Urbanetz, tal procedimento requer um conhecimento aprofundado do grupo de plantas a ser analisado: "O limite de onde termina uma espécie e onde começa outra quase sempre é muito difícil de determinar. O número de espécies de plantas existentes é muito grande. Somente no Pantanal, existem cerca de 2.000 espécies nativas. Além disso, existe uma variação das características de uma mesma planta de um lugar para outro, dependendo das diferentes condições do ambiente (solo, luminosidade etc.). Saber, dentre as espécies existentes, qual foi a coletada requer muito tempo. São necessárias análises em laboratório, comparações com o material de herbário e consulta à literatura especializada. Muitas vezes, somente um botânico especialista consegue identificar a espécie com precisão, devido aos anos de conhecimento acumulado", explica a pesquisadora.

O Herbário da Embrapa Pantanal

O Herbário da Unidade de Corumbá é uma das coleções mais representativas da flora do Pantanal e foi fundado em 1984 pelos pesquisadores Arnildo e Vali Pott. O herbário também recebe visitas de pesquisadores, estudantes e demais pessoas interessadas na análise e identificação de espécies de plantas da região. Ele integra as coleções biológicas do Programa BIOTA-MS, levantamento da biodiversidade do Mato Grosso do Sul. Em breve também fará parte da rede Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, que integra e disponibiliza livremente informações sobre as plantas das coleções de todo o Brasil.