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Sustentabilidade

Publicada em 16/10/2012

Técnicos escolhem propriedade do Pantanal que receberá o Projeto Biomas

Fazenda Ipanema, na região da Nhecolândia, receberá campo de pesquisa do projeto.

Da Redação*

Os pesquisadores do Projeto Biomas após analisarem o solo, a vegetação e a disponibilidade de água de algumas propriedades rurais do Pantanal em Mato Grosso do Sul, escolheram a área que receberá a iniciativa na região: a Fazenda Ipanema, região da Nhecolândia, cerca de 150 km do centro do município de Corumbá, no extremo Oeste do Mato Grosso do Sul.

O trabalho, inédito, é desenvolvido em parceria entre a Embrapa e a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), e busca alternativas para ampliar o uso das árvores nas propriedades rurais com o objetivo de diversificar os sistemas produtivos de modo sustentável.

A área foi escolhida por ter uma elevada relação entre a baia, região do terreno pantaneiro que concentra as lagoas, e a cordilheira, onde se localiza a vegetação do Cerrado ou Cerradão, caracterizada por árvores de grande porte e de pouco contato com a água.

"As raízes das árvores dessa região são rasas e superficiais. São espécies que não têm muito contato com a água costumeiramente", explica o doutor em Botânica e um dos coordenadores do Projeto Biomas, Alexandre Uhlmann.

O solo da área escolhida é característico da cordilheira do Pantanal, sendo arenoso e com pouca umidade. "Esse tipo de solo têm tons avermelhados em razão da alta permeabilidade e é nesses tipos de solos que poderemos trazer diversidade arbórea para os sistemas produtivos", conta o coordenador nacional do Projeto Biomas, Gustavo Curcio.

O próximo passo do Projeto Biomas no Pantanal será a formação de parcerias com técnicos de universidades, institutos de pesquisa e entidades ligadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento. Com uma equipe multidisciplinar, que atuará interligada, os pesquisadores vão introduzir árvores tanto no sistema de preservação como no de produção, ampliando as oportunidades do produtor rural.

Segundo o pesquisador da Embrapa Pantanal, Walfrido Moraes Tomas, que vai coordenar o projeto no Pantanal, o trabalho na região está começando simultaneamente as ações nos outros cinco biomas brasileiros: Mata Atlântica, Pampa, Amazônia, Caatinga e Cerrado.

Tomas comenta que nas áreas será feito o cultivo de várias espécies de árvores. Essa "vitrine tecnológica" apontará quais são as espécies de árvores mais adequadas para a região e que vão servir de base para a criação de novos modelos de produção sustentável no local, bem como para recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e recomposição de reservas legais. "Além dos estudos essas áreas vão servir de campo de demonstração para mostrarmos a outros pesquisadores e produtores o que estamos fazendo".

A pesquisa deve durar, conforme o coordenador, em torno de nove anos e a expectativa é que seus resultados possam ser aplicados em pelo menos 22 mil propriedades rurais do País em uma segunda etapa do trabalho. O bioma Pantanal, conforme ele, tem uma área de 140 mil quilômetros quadrados no Brasil, e tem cerca de 65% de sua área no País em Mato Grosso do Sul e 35% em Mato Grosso.