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Sustentabilidade

Publicada em 09/03/2015

Dia de Campo que discutiu ILPF reúne mais de 200 pessoas em Três Lagoas

Evento contou com a participação de técnicos, pesquisadores e produtores.

Da assessoria

O Sindicato Rural de Três Lagoas participou do 7º Dia de Campo, promovido pela Fazenda São Mateus. O evento, voltado para produtores, profissionais do setor rural, acadêmicos e interessados em geral, levou informações sobre gestão, aumento de produtividade e também apresentou o Sistema de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

O Sistema São Mateus, desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste e Embrapa Gado de Corte, em parceria com a fazenda São Mateus, busca por meio de pesquisas, os melhores resultados para essa integração.

Mateus Arantes, proprietário da fazenda, apoiador das pesquisas na área, diz que “ o Sindicato Rural sempre teve uma ótima participação e apoiou esse evento. Falávamos da necessidade de mudar as pastagens de Três Lagoas e também da região do Bolsão. Antes era apenas uma reunião de produtores. Isso está sendo possível, pois com a ajuda de parceiros, conseguimos mais força”, reforça.

O evento, que também contou com a participação da Embrapa Agropecuária Oeste, Embrapa Gado de Corte, Sindicato Rural de Três Lagoas e a fazenda São Mateus, teve o apoio de várias empresas que vieram expor seus produtos.

De acordo com Marco Garcia, “Esse Dia de Campo sinaliza a tecnologia para a nossa cidade. Mateus é uma pessoa que sempre acreditou que a nossa realidade poderia ser outra. Hoje, ele está mostrando para todos nós que isso é possível. Gestão da fazenda é fundamental”.

Discursos

Fernando Lamas, secretário de produção e agricultura familiar, também esteve presente. Em seu discurso, Lamas disse que essa integração contribui com os processos políticos. “Integração constituiu um dos eixos da política. Tenho certeza de que com um trabalho sólido, podemos mudar Mato Grosso do Sul. Nosso Estado já teve o maior rebanho bovino do país. Graças à capacidade inovadora, ainda somos líderes em produção de carne. Com a integração podemos melhorar ainda mais, pois o conhecimento é o insumo da maior relevância”, conclui.

Ademir Zimer, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, também contribuiu com o Dia de Campo. Para ele, “esse projeto desenvolvido na fazenda São Mateus, tem muita representação. Até 2035 pretendemos dobrar a produção de grãos e carnes no Brasil. Pensar em conjunto faz parte desse planejamento”.

O chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Asmus, abordou que a tecnologia é o sucesso do produtor. “Este trabalho sinaliza que a tecnologia quando aplicada corretamente, consegue ótimos resultados. A região Costa Leste tem que ter muito investimento, pois é promissora. Estamos pensando em trazer a Embrapa para cá, de forma experimental”.

Estações

Os participantes interagiram nas estações que foram feitas na fazenda, com o objetivo de explicar sobre o sistema. As dificuldades superadas na São Mateus e os resultados obtidos na colheita de lavoura de soja e a visita dirigida aos talhões com sistemas de produção, promovidos pelos pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste e da Embrapa Gado de Corte, também fizeram parte do Dia de Campo.

Mateus Arantes apresentou a fazenda em sua palestra, abordou as necessidades do milho, a gestão profissional e os investimentos e retorno. “Temos muito para fazer ainda, mas os resultados são positivos. Para o futuro, precisamos cuidar do solo, adaptar variedades e híbridos, pensar no melhoramento genético, pecuária base pasto e ter uma comercialização diferenciada. Para cada problema, existe uma solução”, conclui.

Na estação da Embrapa foi falado sobre a precipitação ou chuva. Na visão dos pesquisadores, Três Lagoas é parecida com Dourados, pois chove em média 1.435 milímetros por ano.

Algumas recomendações foram dadas sobre o plantio direto na palha, pois a mesma bloqueia a radiação solar e a água quase que não evapora e também sobre a irrigação como ponto estratégico para a região.

Palestra

Uma palestra sobre as perspectivas do sistema ILPF em Mato Grosso do Sul, ministrada por Luiz Alberto Moraes Novaes, mais conhecido como Mandi, foi realizada. Para Mandi, “mapeamos o uso de solo em Mato Grosso do Sul. Temos hoje 19 milhões de hectares de pastagens. Até os anos 70, trabalhávamos com a pecuária. Hoje, são outras culturas fazendo parte desse cenário”.

O sistema ILPF – Integração Lavoura, Pecuária e Floresta também foi explicado e a necessidade da integração. “Buscamos verticalizar e temos que repor os componentes do solo. Falamos de princípios agronômicos, reforma de pastagens e evolução dos sistemas. Vejo a pecuária como uma atividade segura. Temos que estruturar os sistemas para a diversificação. Precisamos reverter”, finaliza.

O evento contou com mais de 200 pessoas e atraiu pesquisadores, produtores, pecuaristas e também estudantes.