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Sustentabilidade

Publicada em 31/03/2014

Dia de campo mostra trabalho de pecuária natural no Pantanal

O evento acontece no dia 25 de abril, contará com apoio logístico da Acrissul .

Da assessoria

Para mostrar um trabalho de oito anos focado no conceito de “pecuária natural” e promovido pela Fazenda Baía Grande, a Expogrande deste ano incluiu na sua agenda um dia de campo na propriedade, localizada em Rio Verde, município ao Norte de Mato Grosso do Sul. O evento acontece no dia 25 de abril, contará com apoio logístico da Acrissul e começa às 8 horas na fazenda, que abre suas porteiras para mostrar uma pecuária totalmente integrada ao meio ambiente, desenvolvida de forma natural, desde a estação de monta aos aspectos nutricionais e sanitários.

Para o presidente da Acrissul, Francisco Maia, é preciso considerar que a pecuária de Mato Grosso do Sul vem ao longo da última década sendo pressionada por outras atividades (até mesmo mais rentáveis) como a silvicultura e a cultura da cana-de-açúcar, o que tem empurrado os criadores para o Pantanal, onde tem se desenvolvido umapecuária de alta performance, voltada para a produção de bezerros bem desmamados e prontos para seguir dali para diante diretamente para a engorda.

Segundo o proprietário da fazenda, Higino Hernandes, o trabalho desenvolvido por ele, visa antecipar o período de terminação de bezerros para 14 meses. O que chama atenção é que a prática é feita na região do Pantanal.

Higino é pecuarista desde 1996 e possui uma propriedade de 3,3 mil hectares, dos quais 2,6 mil são destinados ao sistema, aplicado em quase 3 mil animais do rebanho. “Analiso muito o mercado internacional, principalmente o americano. Uma produção assim representa a pecuária do futuro, tamanha a eficiência devido à terminação rápida”, explica ele.

Ainda de acordo com o pecuarista, o Brasil tem uma porcentagem de desfrute de bezerros de apenas 25% de todo o rebanho destinado para o abate, enquanto que nos Estados Unidos chega a quase 100%. “É preciso despertar essa mentalidade nos produtores para elevarmos esse índice”, aponta.

Em quase oito anos de aplicação dessa prática, o criador pode perceber um aumento de 30% na eficiência da propriedade e, consequentemente, do lucro. “A maior dificuldade que enfrentamos foi adequar as matrizes, selecionar os animais para o trabalho. Isso levou tempo, mas mesmo assim a duração da produção é fantástica, onde temos uma terminação de bezerros com 14 meses, precedida de uma desmama prolongada até os 10 meses, com animais pesando por volta de 300 kg”, enfatiza.

Para alcançar tais números o pecuarista complementa a dieta dos bezerros com material protéico elaborado por ele até a época de chegada das águas. A partir daí, a vacada e as novilhas comem apenas sal mineral e capim, inclusive as que estão gestantes. Os machos também seguem com essa dieta até chegarem a 430 Kg, quando voltam a receberem o complemento até a engorda. Segundo Higino, os animais consomem em média de 120 a 150 gramas por dia.

“Todas as crias são feitas 100% com monta natural, sem a utilização de IATF”, conta o produtor, que ainda afirma com orgulho o índice de prenhez da propriedade de 93%.

Para Chico Maia, através do dia de campo será possível conhecer o quanto se pode evoluir, fazendo muito com poucas ferramentas, como a informação, conhecimento, técnicas corretas de manejo e nutrição. “Gostaria que todo pecuarista pudesse passar um dia nessa propriedade para ter confiança na pecuária sul-mato-grossense, por isso estamos programando este dia de campo”, argumenta ele.