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Sustentabilidade

Publicada em 26/02/2014

Indústria de carros elétricos engatinha no Brasil

Série da Agência CNT está destacando o assunto.

Agência CNT

Hoje, a frota de veículos elétricos (VEs) no Brasil corresponde a apenas 0,002% do total, apesar dos benefícios ambientais e econômicos. E este segmento da indústria automobilística anda a passos lentos por aqui: enquanto países na Ásia, Europa e América do Norte trabalham com metas de investimento e substituição da frota de carros movidos a combustão por elétricos, no Brasil o tema ainda não merece muita atenção.

Elevada carga tributária, atraso no desenvolvimento da cadeia de produção, dificuldades estruturais, interesses políticos e econômicos estão entre os fatores que impedem que esses carros cheguem à maioria dos consumidores brasileiros.

Nesse contexto, as dúvidas são várias. Ainda não é possível afirmar se pagaremos ou qual será o preço com o qual teremos que arcar em razão deste atraso. Mas fato é que, para especialistas, o movimento é irreversível e o Brasil deve seguir este caminho.

Os arquitetos Carlos Leite e Juliana di Cesare Marques Awad, autores do livro Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes (Editora Bookman), citam os carros elétricos como uma das soluções inteligentes para os problemas de mobilidade nas grandes cidades do século 21. E vão ainda mais longe: eles serão uma alternativa ainda melhor de locomoção se o uso for compartilhado, sob demanda. Isso porque, conforme os autores, nas cidades, a maioria das viagens é realizada com apenas uma ou duas pessoas e a velocidade média é de menos de 20 km/h. Além disso, segundo eles, os carros passam 75% do tempo parados, estacionados.

Na obra, os autores destacam que “veículos elétricos inteligentes podem ser vistos simplesmente como atraentes produtos de consumo. Mas eles também podem ser combinados com soluções inteligentes de gerenciamento de frota – a precificação dinâmica [preços variáveis] – para lançar novos tipos de serviços de mobilidade - no sistema sob demanda - que permitem viagens ponto a ponto convenientes dentro das áreas urbanas, taxas de utilização muito mais elevadas dos veículos e que estendem a disponibilidade para aqueles que não podem ou não querem ter seus próprios veículos. (...) Certamente teremos carros não mais como bens de consumo, mas como serviço avançado na sociedade urbana” (p.170).

Estudo da Universidade de Berkeley, na Califórnia, com dados de 2012, aponta que o modelo de uso compartilhado e sob demanda de veículos, chamado carsharing, estava em operação em 27 países em cinco continentes. A estimativa, na ocasião, era que 43,5 mil veículos (híbridos, elétricos e a combustão) estavam em uso neste sistema, por 1,7 milhão de pessoas. Entre as cidades que oferecem carros elétricos por este serviço está Toronto, no Canadá. Por lá, o cliente pode fazer a reserva até pelo smartphone a qualquer hora, escolher em que ponto da cidade quer pegar o carro e acessar o veículo com um cartão, sem necessidade das chaves .

A boa notícia para o Brasil é que, apesar do baixo incentivo, há projetos em desenvolvimento e alguns investimentos em pesquisa que prometem resultar em bons frutos. Os estudos acontecem em universidades, startups (empresas em fase de desenvolvimento) e grandes companhias.

A série de reportagens busca apresentar um retrato deste cenário: a situação do Brasil, as vantagens e desvantagens dos carros elétricos fabricados atualmente, os desafios a serem superados, os novos modelos de negócios e as iniciativas que dão otimismo para o desenvolvimento desta indústria no país.