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Sustentabilidade

Publicada em 31/10/2012

Geotecnologias ajudam no desenvolvimento sustentável do Pantanal

4º GeoPantanal, promovido em Bonito, discutiu o assunto entre os dias 20 e 24 de outubro.

Da redação

Projetos implantados em países da América Latina com foco nas geotecnologias e no desenvolvimento sustentável do bioma pantaneiro foram temas de palestras do 4° Simpósio de Geotecnologias no Pantanal - 4º GeoPantanal. O evento realizado em Bonito (MS), de 20 a 24 de outubro, contou com 200 participantes do Brasil e exterior.

A importância do Pantanal boliviano foi o destaque na apresentação do pesquisador Rodolfo Ayala Sanchez, da Universidad Mayor de San Andrés, na Bolívia. Ele ressaltou que o bioma tem interesse tanto local quanto mundial, por isso, é preciso integrar as várias iniciativas dos estudiosos brasileiros, paraguaios e bolivianos a respeito da vulnerabilidade ambiental na região.

Técnicas com geofísica aplicada como georadar e tomografias geoelétricas permitem análises tridimensionais que contribuem para melhor avaliação dos riscos presentes. Entre eles estão ameaças naturais, socionaturais e as antrópicas, que se relacionam principalmente ao modelo de desenvolvimento adotado, como hidrovias, rodovias e atividades de mineração.

O mapeamento dos biomas brasileiros com uso de imagens de satélite de alta resolução é uma das estratégias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) Edson Sano, que está atuando no Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, falou sobre as novas tecnologias geoespaciais que estão sendo avaliadas pelo órgão para melhorar o monitoramento.

O planejamento e a gestão ambiental territorial visando à sustentabilidade fazem parte da política do zoneamento ecológico-econômico, que busca preservar a biodiversidade brasileira. Para Felipe Lima Ramos Barbosa, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), além de contribuir para organizar a estrutura de informações do ministério, as ferramentas de geotecnologias permitem a geração de produtos e a disseminação do conhecimento.

A construção de satélites para coleta e distribuição de dados foi tema de exposição da pesquisadora Sandra Torrusio, da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Conae), da Argentina. A palestrante demonstrou o projeto SAC-D/Aquarius que compõe o Plano Espacial Nacional da Argentina, desenvolvido pela Conae.

As aplicações abrangem o monitoramento de áreas úmidas, inundações, qualidade da água e pragas agrícolas. O Plano também possui um programa educativo chamado 2 Mp (Programa “2 Millones de Pibes”), que visa disseminar o uso de imagens de satélites na escolas para auxiliar o processo de aprendizado em variadas disciplinas.

A criação do Centro Geoespacial para a Biodiversidade da Bolívia foi abordada pelo professor Humberto L. Perotto-Baldivieso, da Universidade Cranfield (Reino Unido). Ele falou sobre a necessidade de organizar informações geoespaciais sobre a biodiversidade boliviana para desenvolver programas de conservação mais eficazes.

“Em 2003, não havia nenhuma publicação na internet sobre dados geoespaciais do país. Hoje, são mais de 67 bases de dados; nosso site recebe mais de 3 mil visitas por mês e, o mais importante, é gratuito”, afirmou Perotto-Baldivieso. O objetivo do centro é disponibilizar aos tomadores de decisões, pesquisadores e público em geral ferramentas que apoiem a preservação ambiental.

O superintendente de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, Felipe Augusto Dias, apresentou o programa Biota-MS e as metas de desenvolvimento territorial do Estado. Dentre as prioridades, o projeto Bioeconomia, caracterizado como um novo paradigma de desenvolvimento para o Mato Grosso do Sul. “Entendemos que o programa vai aumentar a capacitação de recursos para um desenvolvimento aliado com medidas empreendedoras e sociais”, destacou Dias.

O 4º GeoPantanal foi organizado pela Embrapa Informática Agropecuária, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

(*Com informações da Embrapa Informática Agropecuária)