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Sustentabilidade

Publicada em 31/10/2012

Aparelho combate plantas daninhas nas lavouras com eletricidade

Aparelho emite descargas elétricas e pode substituir o uso de agrotóxicos.

Equipe Mídia Ciência/Fundect

No momento em que tanto se fala em sustentabilidade, um projeto de pesquisa financiado pela Fundect tem se destacado por sua proposta eficiente e ecologicamente correta no combate às plantas daninhas que invadem as lavouras: o Eletroherb.

Trata-se de um equipamento acoplado ao trator que eletrocuta as plantas invasoras por meio de descargas elétricas de alta tensão - entre 5.000 e 15.000 volts - podendo substituir completamente o uso de agrotóxicos e químicos nocivos ao meio ambiente e à saúde do homem. O gerador de energia elétrica do aparelho é impulsionado pela força do próprio trator.

"Nosso principal objetivo é oferecer ao mercado uma alternativa que evite a contaminação por herbicidas, num sentido bem amplo, que vai desde o manejo do trabalhador rural, ao solo, rios, e ao alimento que chega até a casa do consumidor", argumenta o coordenador do projeto, Sergio de Andrade Coutinho Filho.

O Eletroherb

De acordo com o pesquisador, tudo começou na Eco 92, no Rio de Janeiro, onde foram discutidos meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção do meio ambiente. Nessa época, estudiosos na área afirmavam que seria possível evitar o uso de herbicidas nas lavouras e hoje isso já acontece, graças ao Eletroherb.

O Eletroherb pode ser utilizado em qualquer tipo de cultura agrícola, mas é mais comum naquelas com alto valor agregado, como é o caso da fruticultura, em plantações de alimentos orgânicos e de madeiras nobres, devido, principalmente à consciência ambiental de seus produtores.

Sergio explica, também, que é preciso um espaço significativo entre as linhas de plantio para que o trator possa de locomover, o que não acontece, por exemplo, no cultivo da soja, muito comum em Mato Grosso do Sul.

Para a aplicação do Eletroherb, o tamanho ideal das plantas daninhas deve estar entre 20 e 40 centímetros de altura. Os choques de alta voltagem que atingem a planta alteram sua estrutura de forma irreversível, fazendo com que ela perca a capacidade de absorção de água, oxigênio e nutrientes.

A planta morre já na primeira aplicação, mas dentro 60 dias, mais ou menos, novas plantas voltarão a nascer no mesmo lugar e então deve-se aguardar o crescimento das mesmas até a altura certa para reaplicar o Eletroherb.

A aplicação do aparelho se faz necessária de duas a três vezes ao ano, apresentando, assim, a mesma freqüência de aplicação do herbicida, porém, sem as consequências negativas à natureza.

Atualmente, o herbicida mais vendido no Brasil e no mundo é Glifosato, já que é muito mais barato e menos agressivo, dentre os demais. Mesmo assim, há indícios de que ele cause danos à saúde humana.

Para Sergio, a grande vantagem do equipamento sobre as formas convencionais de controle plantas daninhas é a preservação integral do meio ambiente: o método por eletrocussão do Eletroherb é uma solução ecologicamente correta na medida em que elimina o uso de produtos químicos, não deixa resíduo algum no solo, não polui os mananciais de água, não traz riscos de contaminação aos seres humanos ou aos animais, não gera problema de deriva e ainda mantém a cobertura orgânica sobre o solo.

Produção

A produção do Eletroherb é realizada pela equipe da empresa Sayyou. "Aqui, cada um ajuda um pouco. Cada aparelho é produzido após encomenda, não fabricamos em larga escala, pois ainda somos uma empresa muito pequena; nem investimos um centavo sequer em marketing, já que os próprios produtores rurais fazem essa propaganda, boca a boca, após perceberem a eficiência do aparelho", afirma o pesquisador.

Cada Eletroherb é vendido atualmente por 140 mil reais. Só este ano foram vendidos quatro aparelhos e até meados de 2014 há uma previsão de mais 30 vendas.

Apoio financeiro

Para Sergio, o apoio da Fundect e do Sebrae, por meio do Edital PAPPE, foi fundamental para o desenvolvimento de melhorias no aparelho, como por exemplo o mecanismo de contato com as plantas, que hoje está bem mais forte e resistente que o anterior.

Outra melhoria se deu com o controle remoto hoje bem mais compacto, sem fio e com sensor de presença o que facilita o uso do trabalhador rural e barateia o custo.

"Estamos muito entusiasmados com os resultados que o Eletroherb tem alcançado nas lavouras do Brasil, assim como o consequente sucesso nas vendas. Essa tecnologia pode substituir oito bilhões de litros de herbicidas e venenos colocados no meio ambiente todos os anos", conclui o pesquisador.