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Sustentabilidade

Publicada em 24/09/2013

Árvore no lugar da cana é a opção viável e sustentável ao setor do NE

Projeto de substituição de canaviais por florestas ser apresentada pela Universidade Federal de Viçosa nesta terça na Norcana.

AFCP

Uma tecnologia inovadora e sustentável ecológico e economicamente, onde defende a substituição de parte da área plantada com cana por florestas de acácia, será apresentada pela Universidade Federal de Viçosa, na 2ª Feira dos Produtores Nordestinos de Cana (Norcana), nesta terça-feira (24), às 16h, na Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). O defensor do plantio de árvores nas áreas dos canaviais é o professor Flávio Pereira. O acadêmico defende a troca porque é uma atividade produtiva que permite reduzir o custo de produção, garante maior rentabilidade por hectare cultivada, reduz a mão de obra e minimiza a erosão dos solos e os impactos ambientais.

“O manejo sustentável da árvore da Acácia Mangium é mais sustentável e lucrativo”, diz o professor Pereira. Ela é de alta capacidade de crescimento e produz madeira de grande valor comercial. Ela cresce 6,2 metros por ano. O metro cúbico serrado chega a 1.1 mil euros na Europa. A rentabilidade por hectare gira em torno de R$ 196 mil. “Cada ciclo de produção dura 10 anos, tempo menor que o manejo de Eucalipto para o mesmo fim, que demora mais tempo e tem valor menor, com 14 anos e R$ 120 mil respectivamente”, informa o pesquisador.

Um hectare de floresta desta espécie tem dado significativo retorno por conta de seu perfil multiuso e multiprodutos. Os produtos comerciáveis dela são o tanino extraído da casca, mel das folhas e flores, própolis, cera, geleia real, e ainda a forragem animal das folhas, que contém 41% de proteína, além da matéria prima principal que é a madeira. A indústria de base ambiental usa sua madeira para biomassa para energia, móveis, tábuas, moirões, portas, caixotarias, carvão e MDF. É usada como madeira-cimento, aglomerados, laminados, adornos, lenha, tábua de fibra de madeira e cimento (WWCB), OSB, celulose e papel, construção de casas e confecção de substrato para produção de mudas e para o cultivo de cogumelos comestíveis.

“As características e usos e seu retorno financeiro são impressionantes”, diz Alexandre Andrade Lima, presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana. Ele também é o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, e foi o responsável por convidar o professor Flávio Pereira para fazer a palestra na Norcana. Lima explica que o motivo do convite ocorreu porque o segmento precisa começar a estudar alternativas de se manter na atividade produtiva, adaptando-se a realidade adversa do clima e da topografia. Atualmente, o plantador nordestino de cana convive com um alto custo da produção e baixa rentabilidade se comparada com a região Centro-Sul, 60% menor.

“O professor é uma dos principais pesquisadores dessa técnica de plantio de acácia em forma de condomínio florestal, o que pode ser viável para a nossa realidade”, fala o dirigente. Pereira conta que o plantio de Acácia no sistema silvipastoril ou agrossilvipastoril representa uma opção à sustentabilidade financeira e ambiental do setor no NE. O pesquisador lembra que a árvore é uma espécie adaptada às diferentes condições ecológicas, fácil cultivo, produzirem madeiras de excelente qualidade para móveis, ter bom preço, alta demanda nos mercados nacional e internacional, fácil colocação no mercado e elevado valor comercial, antecipando receitas, melhorando o fluxo de caixa e diversificando as atividades da propriedade rural.

O sistema silvipastoril ou agrossilvipastoril compatibilizar a produção florestal com culturas agrícolas anuais e a pecuária numa mesma área e ao mesmo tempo tem despertado o interesse de muitos empresários do nordeste. Este sistema permite a produção harmoniosa de florestas, consorciada com culturas agrícolas, pastagem e a criação de bovinos e caprinos de corte ou leite, otimizando o uso da terra e aumentando a rentabilidade econômica dos investimentos. “O sistema resultará em benefícios diretos e indiretos para o produtor rural, por permitir a utilização de áreas marginalizadas, protegerem as nascentes, recuperar e proteger os solos, produzir madeira e postos de trabalho”, finaliza Pereira.