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Agrícola & Iindustrial

Publicada em 20/08/2013

Geadas já causaram prejuízo de R$ 600 mi a setor sucroenergético de MS

Somente em quantidade, as perdas são estimadas em 4 milhões de toneladas.

Anderson Viegas

As geadas que atingiram Mato Grosso do Sul entre os dias 23 e 24 de maio causaram um prejuízo de aproximadamente R$ 600 milhões ao setor sucroenergético do Estado, em razão das perdas na quantidade de cana que não processada pelas usinas e da queda na qualidade da matéria-prima que ficou nos canaviais.

A estimativa foi apresentada nesta segunda-feira (19), pela Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado (Biosul). Segundo o presidente da entidade, Roberto Hollanda, somente em quantidade, as perdas são estimadas em 4 milhões de toneladas, o que fez com que a projeção inicial de moagem no ciclo 2013/2014 de 44 milhões de toneladas fosse revista para baixo do patamar de 40 milhões de toneladas.

Além do volume, outra perda significativa será na qualidade da matéria-prima que está sendo colhida pelas usinas. O Índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), que na safra passada foi de 136,8 toneladas por hectare deve despencar para 127 toneladas por hectare, o que vai resultar em um prejuízo equivalente para as empresas do setor a 3,5 milhões de toneladas de cana.

Hollanda, diz que somando o prejuízo do volume ao da qualidade, se chega a estimativa de prejuízo de R$ 600 milhões pelas empresas do setor. No entanto, ele lembra, que esses dados ainda não contabilizam os das geadas que atingiram os canaviais das regiões Central e Sul do Estado em 15 de agosto. Nestas regiões estão concentradas cerca de 82,3% da produção sul-mato-grossense.

Conforme o presidente da Biosul, dos 738 mil hectares cultivados com cana em Mato Grosso do Sul, cerca de 106 mil hectares foram afetados pelas geadas de junho. Ele aponta que o setor torce agora para que não chova nas regiões atingidas pelo fenômeno, porque a chuva acelera o processo de deterioração da cana atingida pelas geadas.

Hollanda comenta que além de contabilizar as perdas na safra atual, o setor também se preocupa com os impactos que as geadas devem causar no próximo ciclo (2014/2015), já que foram perdidas toda a brotação e a massa verde desenvolvidas.