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Agrícola & Iindustrial

Publicada em 29/05/2013

Moagem alcança 39,85 milhões de toneladas no Centro-Sul

Maior proporção de cana está sendo destinada à produção de etanol.

Unica

O volume de cana-de-açúcar processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil totalizou 39,85 milhões de toneladas na primeira quinzena de maio, ante 20,88 milhões de toneladas verificadas em igual período da safra 2012/2013.

No acumulado desde o início da atual safra até 15 de maio, a moagem alcançou 81,11 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Esse volume é 131,64% superior aquele verificado em 2012 (35,01 milhões de toneladas), mas 13,41% inferior ao observado em igual período da safra 2010/2011 (93,67 milhões de toneladas), quando as unidades localizadas no Centro-Sul processaram 556,95 milhões de toneladas ao final do período de moagem.

Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, “não faz sentido compararmos a moagem deste ano com os números de 2012, pois a oferta de matéria-prima no ano passado era significativamente inferior ao volume esperado para esta safra e, por isso, a maior parte das unidades produtoras começou a safra mais tarde”. Na verdade, ainda estamos atrasados quando comparamos o volume moído esse ano com aquele verificado em 2010, quando o setor processou uma quantidade de cana muito inferior aos 589,60 milhões de toneladas previstas para a safra 2013/2014, acrescentou o executivo.

Na primeira quinzena de maio, 32 unidades produtoras iniciaram a safra, totalizando ao final da quinzena 261 unidades industriais operando no Centro-Sul do País. Portanto, até o dia 15 de maio, 38 usinas ainda não haviam iniciado a moagem na safra 2013/2014.

Produção de açúcar e de etanol

Na primeira quinzena de maio, a maior parte da cana processada, 56,47%, destinou-se à produção de etanol, percentual superior aos 54,89% observados na mesma data da safra 2012/2013. Esse crescimento no mix de produção para etanol também é verificado nos dados acumulados. Desde o início da atual safra até 15 de maio, 58,31% da cana foi direcionada para a produção do biocombustível, contra 57,42% verificados no último ano.

Segundo o diretor da UNICA, “nesse início de safra a participação das unidades produtoras que só fazem etanol na moagem total se reduziu para menos de 14% e isso fez com que o mix final não ficasse mais alcooleiro”. “Quando restringimos a análise às unidades que tem capacidade de produzir etanol e açúcar, fica evidente o maior esforço para a produção de etanol, pois, até o momento, essas empresas reduziram a proporção de cana direcionada para açúcar em 2,5 pontos percentuais,” explicou Rodrigues.

O executivo da UNICA ainda esclarece que a maior proporção de cana direcionada para a produção de etanol foi limitada porque várias empresas tiveram que atender compromissos de entrega de açúcar firmados no passado, restringindo uma eventual alteração no mix de produção.

Com isso, o volume produzido de etanol alcançou 1,64 bilhão de litros na primeira quinzena de maio deste ano, sendo 974,95 milhões de litros de etanol hidratado e 666,91 milhões de litros de etanol anidro. No acumulado até 15 de maio, a produção de etanol atingiu 3,25 bilhões de litros, com 2,19 bilhões de etanol hidratado e 1,06 bilhão de litros de etanol anidro.

A fabricação de açúcar, por sua vez, somou 2,06 milhões de toneladas nos primeiros 15 dias de maio e 3,76 milhões de toneladas no acumulado desde o início da safra 2013/2014.

Qualidade da matéria-prima

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 124,47 kg por tonelada nos primeiros 15 dias de maio, valor 9,08% superior aos 114,11 kg verificados em 2012. No acumulado desde o início da safra 2013/2014 até 15 de maio, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima alcançou 116,76 kg por tonelada, 5,70% acima dos 110,46 kg verificados em igual período do ano anterior.

Essa tendência de maior concentração de açúcares na matéria-prima deve ser interrompida nas próximas semanas se as previsões climáticas, que apontam para a ocorrência de chuva em praticamente todas as regiões produtoras, se confirmarem.

Vendas de etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somaram 920,90 milhões de litros na primeira metade de maio, alta de 23,91% relativamente à mesma quinzena de 2012. Deste total, 73,98 milhões de litros destinaram-se às exportações e 846,92 milhões de litros ao mercado doméstico.

No mercado doméstico, o volume comercializado de etanol anidro alcançou 343,67 milhões de litros, considerável alta de 41,15% em relação ao valor observado no mesmo período do ano anterior. Esse crescimento já era previsto devido ao aumento, de 20 para 25%, no nível de mistura de etanol anidro na gasolina a partir de maio deste ano.

O volume de etanol hidratado vendido no mercado interno, por sua vez, alcançou 503,26 milhões de litros nos primeiros 15 dias de maio, contra apenas 448,53 milhões de litros observados na mesma data de 2012 (aumento de 12,20%).

Para o diretor da UNICA, “o consumo de etanol hidratado deve continuar crescendo nas próximas quinzenas, pois o bicombustível já é economicamente viável em relação à gasolina em boa parte do mercado consumidor”.

De fato, o levantamento conduzido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP na última semana aponta que no município de São Paulo, maior mercado nacional, mais de 70% dos postos pesquisados já estavam comercializando etanol a preços vantajosos ao consumidor.