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Agrícola & Iindustrial

Publicada em 19/02/2013

Integração de tecnologias reduz riscos de perda com estiagem

É importante que o produtor observe o período de zoneamento agrícola de riscos climáticos para sua região, antes de fazer o plantio.

Embrapa Agropecuária Oeste

Antecipar a semeadura da soja e, consequentemente, a do milho safrinha. Esse é o objetivo de muitos produtores rurais em Mato Grosso do Sul, na busca de boa produção nas duas culturas. Mas a instabilidade climática da região, especialmente no aspecto relacionado à ocorrência de chuvas, é um dos aspectos que deve ser levado em conta pelos agricultores, principalmente na região Centro Sul do Estado.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Danilton Flumignan, a causa da instabilidade climática da região é o clima de transição – entre o clima temperado e o clima da região de Cerrado –, chamado de clima tropical monçônico (Am), típico da região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul.

Por isso é importante que o produtor observe o período de zoneamento agrícola de riscos climáticos para sua região, que considera o histórico de dados climáticos da região, as características da cultivar e o tipo de solo das regiões, aspectos que dão maior segurança para a lavoura. Na maior parte de Mato Grosso do Sul, o melhor período para a semeadura, de acordo com o zoneamento, é a partir de 1º de outubro.

Como, em 2012, a legislação estadual alterou o período do vazio sanitário da soja, que agora é de 15 de junho a 15 de setembro, o agricultor pode realizar a semeadura da soja a partir de 16 de setembro. Mas semear antes de 1º de outubro tem algumas consequências.

Entre elas, a menor probabilidade de obtenção de altas produtividades da soja, devido à irregularidade na distribuição de chuvas no início da primavera, o que dificulta o estabelecimento da cultura; e o não acesso a algumas políticas agrícolas, como o seguro da lavoura e o Programa Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC).

"Para as cultivares de soja mais precoces, os prováveis veranicos afetarão a fase mais sensível da lavoura (formação e enchimento de vagens) e a colheita coincidirá com períodos chuvosos", alerta o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Rodrigo Arroyo Garcia.

Uma das alternativas que pode minimizar os impactos causados pela estiagem nas lavouras é a irrigação. Isso possibilita um aumento no potencial produtivo e viabiliza novas oportunidades aos produtores, como uma terceira safra para plantas com ciclos curtos. A água facilita a movimentação e a absorção dos nutrientes do solo em direção as raízes das plantas, fazendo com que os fertilizantes aplicados na lavoura sejam melhor aproveitados.

Dentre as diversas estratégias de irrigação, ele destaca a utilização da irrigação por pivô central, que é um sistema projetado para operar com torre central fixa, tem custo aproximado de R$ 5 mil por hectare. "Esse sistema de irrigação apresenta muitas vantagens, pois é de fácil operação, dispõe de inúmeras empresas capacitadas para sua instalação e manutenção, requer pouca mão-de-obra, pode ser implantado em pequenas e grandes áreas”, destaca Danilton.

Antecipação

Se o produtor decidir semear a soja no início de outubro, o ideal é adotar um material com tipo de crescimento indeterminado e com ciclo semi-precoce, já que esse é um mês um pouco instável na distribuição de chuvas, principalmente na região sul de Mato Grosso do Sul.

Conforme avança o mês, a partir de 15 de outubro, é possível pensar em uma cultivar precoce, porque a condição climática será mais favorável para esse tipo de material. "O ideal é começar a semeadura com materiais semi-precoces, que também serão colhidos antecipadamente, além de apresentarem maior potencial produtivo e estabilidade em caso de escassez de água. Começar a abrir área com cultivar de soja super precoce é muito perigoso", alerta Arroyo.

Entre as vantagens da antecipação da semeadura da soja, levando em consideração o zoneamento agrícola, é que o cultivo do milho safrinha poderá ser adiantado. Dessa forma, as condições climáticas são mais favoráveis para esse grão, já que haverá maior intensidade luminosa, maior oferta de chuva e possível ocorrência de geadas em fases menos suscetíveis do milho.

Mas é preciso ter cautela em relação à antecipação e considerar a época mais adequada de acordo com a disponibilidade hídrica no solo, no momento da semeadura; as cultivares mais adequadas; o zoneamento agrícola; e as estratégias de manejo de sistemas integrados, que mais se adaptam à realidade do produtor e trazem maior estabilidade em anos com condições climáticas adversas, como consórcio milho-braquiária e integração lavoura-pecuária. “É importante pensar no conjunto: ter uma ótima safra de soja e uma ótima safra de milho”, reforça Arroyo.

Showtec 2013

Esses assuntos foram ministrados pelos dois pesquisadores durante Giros tecnológicos no 17º Showtec, em Maracaju, MS, no segundo dia do evento, em 24 de janeiro. No estande da Embrapa, Arroyo Garcia falou sobre “Limitações climáticas na sucessão soja-milho safrinha” e Flumignan abordou o tema “Viabilidade do uso da irrigação em sistemas de produção de grãos soja-milho”. Fazem parte do Estande da Embrapa, neste ano, a Embrapa Agropecuária Oeste, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Produtos e Mercado - Escritório de Dourados, Embrapa Soja e Fundação Meridional.