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Publicada em 02/09/2014

Fatores climáticos reduzem em 1 mi de t projeção de safra de cana em MS

Estado deve processar neste ciclo 43,3 milhões de toneladas de cana.

Lilianthea Lopes Oliveira Viegas

Fatores climáticos, como as geadas que atingiram os canaviais na safra passada e o excesso em alguns momentos e escassez de chuva em outros, provocaram uma redução de 1 milhão de toneladas na estimativa de produção de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul em relação ao início do período de moagem do ciclo 2014/2015.

Segundo revisão de safra apresentada nesta segunda-feira (1º), pelo presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda, em abril, no início da moagem, a expectativa era de que as usinas do Estado moessem 44,3 milhões de toneladas de cana, enquanto que com os reflexos dos problemas climáticos nos canaviais, essa projeção foi revista para 43,3 milhões de toneladas no fim de agosto.

Com esse revisão no levantamento, a entidade projeta um incremento de 6,76% no volume processado em relação as 41,4 milhões de toneladas moídas na safra anterior (2013/2014).

Hollanda explicou que as geadas que atingiram os canaviais da região da grande Dourados, onde se concentra o maior número de usinas do Estado, afetaram a cana que já estava pronta para ser colhida e também as plantas que estavam rebrotando para serem colhidas nesta safra. Além disso, a escassez de chuva no fim do ano passado, período em que a cana registra seu maior crescimento, também impactou a cultura.

Além de reduzir o volume, os fatores climáticos também afetaram a qualidade da cana, medida pelo índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR). Com matéria-prima de menor qualidade, com menor teor de sacarose, o mix de produção da safra, que tradicionalmente no Estado é mais voltado para a fabricação do combustível ficou ainda mais alcooleiro, chegando a 77% contra 72% da temporada passada.

Dessa maneira, a produção de etanol deve crescer nesta safra 12,08% em relação a anterior, passando de 2,231 bilhões de litros para 2,500 bilhões de litros. Já a de açúcar deve sofrer uma retração de 11,60%, caindo de 1,369 milhão de toneladas para 1,210 milhão de toneladas.

Um produto que vem ganhando cada vez mais importância dentro do setor e que deve registrar um salto de produção nesta safra no Estado, conforme a Biosul, é a bioeletricide. Na safra passada, as usinas sul-mato-grossenses exportaram para o Sistema Interligado Nacional (SIN), 1.517 GWh e a previsão para este ciclo é de um incremento de 43,68%, chegando a 2.180 Gwh. A quantidade é suficiente para atender todo o consumo residencial do Estado.