Canais de Notícia

Agrícola & Iindustrial

Publicada em 27/08/2014

Com quebra de safra, previsão de moagem de cana recua para 546 mi de t

Dados da revisão de safra foram apresentados nesta terça-feira pela Unica.

Da Unica

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), em conjunto com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), demais sindicatos e associações do setor sucroenergético, revisou a estimativa de moagem de cana-de-açúcar para a safra 2014/2015 na região Centro-Sul do País. A nova projeção indica uma moagem de 545,89 milhões de toneladas, queda de 5,88% em relação à estimativa inicial (580,00 milhões de toneladas) e redução de 8,57% sobre o valor final da safra 2013/2014 (597,06 milhões de toneladas).

Em São Paulo, Estado que respondeu por mais de 61% da oferta de cana-de-açúcar na safra passada, este declínio esperado para a moagem é ainda maior, atingindo 11,71%: 367,45 milhões de toneladas processadas na safra 2013/2014, ante 324,43 milhões de toneladas previstas para a atual safra - quantidade que também é inferior àquela registrada na safra 2012/2013 (329,92 milhões de toneladas).

O diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, explica que as condições climáticas observadas desde o início da atual safra foram piores do que aquelas utilizadas na elaboração da primeira estimativa divulgada em 23 de abril.

De fato, dados apurados pelo CTC junto às unidades produtoras mostram que importantes áreas canavieiras, como aquelas localizadas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, apresentaram chuvas muito abaixo da média histórica. Na região de Piracicaba, por exemplo, o índice de precipitação pluviométrico verificado entre abril e julho ficou 68,4% aquém do valor histórico, com prejuízo significativo para a oferta de matéria-prima.

“A situação no Centro-Sul é bastante heterogênea. Em alguns Estados a safra está atrasada devido ao excesso de chuvas, com possibilidade das usinas não conseguirem colher toda a cana disponível. Por outro lado, regiões canavieiras tradicionais têm sido severamente impactadas pela seca, o que deve levar a uma antecipação no término da safra e impedir a realização da colheita em áreas onde a planta não se desenvolveu o suficiente para o corte”, explicou Rodrigues.

Em relação à produtividade agrícola, segundo informações levantadas pelo CTC, a quebra acumulada desde o início da atual safra até o final de julho alcançou 6,42%, com 78,7 toneladas de cana-de-açúcar por hectare colhido, frente a 84,1 toneladas por hectare verificadas até esta mesma data de 2013.

No Estado de São Paulo, esta retração na produtividade agrícola deve ser ainda mais intensa. O valor acumulado desde o início da safra 2014/2015 até julho atingiu 79,2 toneladas por hectare, redução de 9,69% quando comparada às 87,7 toneladas por hectare registradas em igual período do ano anterior.

Para a primeira quinzena de agosto, dados preliminares apurados pelo CTC remetem a uma queda no rendimento agrícola da lavoura colhida no Centro-Sul de aproximadamente 13%, chegando a atingir 16% em São Paulo.

Para Rodrigues, “a quebra agrícola se acentuará nos próximos meses na medida em que as unidades começarem a colher cana com menos de 12 meses”. No Estado de São Paulo, estamos trabalhando com uma retração de produtividade em torno de 20% entre agosto e novembro, com áreas chegando a superar 30% nas últimas semanas de safra, concluiu.

A expectativa é de que a produtividade final do Estado para a safra 2014/2015 totalize 71,4 toneladas por hectare, queda próxima de 15% em relação às 83,3 toneladas por hectare registradas na safra 2013/2014.

Moagem registrada até 16 de agosto

Na primeira quinzena de agosto, o volume processado de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras da região Centro-Sul alcançou 44,90 milhões de toneladas, contra 36,00 milhões de toneladas registradas na última metade de julho de 2014 e 46,47 milhões de toneladas verificadas na primeira metade de agosto de 2013.

Com isso, a moagem acumulada desde o início da safra 2014/2015 até 16 de agosto atingiu 325,34 milhões de toneladas, aumento de 2,75% comparativamente às 316,64 milhões de toneladas computadas até mesma data da safra 2013/2014.

Este incremento na moagem, aliado à redução significativa da produtividade agrícola, promoveu um crescimento de aproximadamente 15% na área colhida de cana-de-açúcar no Centro-Sul, chegando a atingir mais de 30% em algumas regiões. Como consequência desse avanço, duas unidades produtoras já deverão encerrar a safra 2014/2015 até o final de agosto.

“Ao longo dos próximos meses deve-se observar o encerramento antecipado da moagem por várias unidades produtoras na região Centro-Sul. Em São Paulo, por exemplo, a antecipação média do término de safra comparativamente ao ano anterior será da ordem de 30 dias”, acrescentou o executivo.

Qualidade da matéria-prima

A nova estimativa para a safra 2014/2015 prevê uma concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) de 135,50 kg por tonelada de cana-de-açúcar, leve crescimento de 1,63% relativamente ao valor final registrado na safra 2013/2014 (133,32 kg de ATR por tonelada).

No acumulado desde o início da atual safra até 16 de agosto, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima processada totalizou 130,68 kg, alta de 2,47% em relação ao índice observado no mesmo período de 2013 (127,53 kg de ATR por tonelada).

Especificamente nos primeiros 15 dias de agosto, a quantidade de ATR por tonelada de cana-de-açúcar atingiu 142,96 kg.

Produção de açúcar e de etanol

A nova estimativa aponta para uma produção de açúcar de 31,35 milhões de toneladas, queda de 3,52% comparativamente à primeira previsão divulgada em abril (32,50 milhões de toneladas) e recuo de 8,57% em relação às 34,29 milhões de toneladas produzidas na safra 2013/2014. A produção de etanol, por sua vez, deverá atingir 24,00 bilhões de litros, redução de 7,23% relativamente à projeção inicial e de 6,14% sobre os 25,58 bilhões de litros fabricados na safra passada.

Como resultado, a nova estimativa indica que 44,49% da cana-de-açúcar projetada para a safra 2014/2015 terão como destino a produção de açúcar. Esse percentual é inferior aquele observado na safra 2013/2014, quando 45,22% da matéria-prima processada destinou-se à fabricação do alimento.

Essa tendência de um mix mais alcooleiro esperada para o final da atual safra já começa a ser observada na primeira quinzena de agosto, onde a proporção de cana direcionada à produção de açúcar atingiu 45,73%, contra 47,89% verificados em igual período de 2013 e 46,20% registrados na última metade de julho de 2014.

O diretor da UNICA salienta que “o movimento observado nas últimas quinzenas, quando houve uma maior proporção de cana destinada ao açúcar comparativamente a 2013, foi invertido no início de agosto”. A queda nas cotações do açúcar e a melhor remuneração proporcionada pela comercialização do etanol têm incentivado essa reversão, acrescentou Rodrigues.

De fato, enquanto a fabricação de açúcar nos primeiros 15 dias de agosto diminuiu 4,33% no comparativo com idêntica quinzena de 2013, atingindo 2,80 milhões de toneladas, o volume produzido de etanol cresceu 4,44%, totalizando 2,04 bilhões de litros. Deste montante, 905,80 milhões de litros referem-se ao etanol anidro e 1,14 bilhão de litros ao etanol hidratado.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 16 de agosto, a quantidade produzida de açúcar somou 17,91 milhões de toneladas. Neste mesmo período, a fabricação de etanol atingiu 13,91 bilhões de litros, sendo 6,02 bilhões de litros de etanol anidro e 7,89 bilhões de litros de etanol hidratado.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul entre abril e 16 de agosto alcançaram 8,96 bilhões de litros, sendo 8,39 bilhões de litros direcionados ao mercado doméstico e 572,85 milhões de litros à exportação (queda de 57,72% no comparativo com o mesmo período de 2013).

O executivo da UNICA explica que “a nova estimativa indica que as exportações de etanol continuarão aquém dos volumes verificados nos anos anteriores e deverão alcançar apenas 1,20 bilhão de litros na safra 2014/2015, contra 2,57 bilhões de litros contabilizados na safra 2013/2014”.

Esse declínio das exportações e a menor produção de açúcar compensarão quase integralmente o recuo da produção de etanol combustível, dando total segurança para o abastecimento doméstico, concluiu Rodrigues.

No mercado interno, as vendas acumuladas de etanol hidratado até 16 de agosto totalizaram 4,76 bilhões de litros. O volume comercializado de etanol anidro, por sua vez, atingiu 3,63 bilhões de litros, crescimento de 8,18% sobre o mesmo período de 2013.

Na primeira quinzena de agosto, as vendas domésticas de etanol hidratado somaram 585,47 milhões de litros, incremento de 3,82% comparativamente ao valor registrado na última metade de julho. Tomando-se as vendas diárias do produto, na medida em que esta segunda quinzena de julho apresentou um dia a mais disponível para a comercialização, o incremento do volume vendido na primeira metade de agosto chega a 10,74%.

No caso do etanol anidro, o volume destinado ao mercado doméstico atingiu 415,59 milhões de litros nos primeiros 15 dias de agosto.

“A nossa expectativa é de que as vendas de etanol hidratado cresçam nas próximas quinzenas, pois seu preço nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo permanece em patamar bastante inferior ao valor cobrado pela gasolina, constituindo forte incentivo econômico ao consumidor”, esclareceu Antonio de Padua Rodrigues.