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Agrícola & Iindustrial

Publicada em 07/11/2012

Agroenergia ganha importância no Rio Grande do Sul

Embrapa Agroenergia apresenta os trabalhos com produção de cana-de-açúar transgênica.

Da Redação*

Etanol celulósico e uso da biotecnologia para mitigação de estresses abióticos são os temas que pesquisadores da Embrapa Agroenergia apresentam no Simpósio Estadual de Agroenergia e a 4ª Reunião Técnica de Agroenergia, que começou nesta terça-feira (6) e vai até quinta-feira (8), em Porto Alegre/RS.

Nesta quarta-feira (07/11), Hugo Molinari, ministra a palestra, “Uso da biotecnologia para estresses abióticos”. Na apresentação, o pesquisador citará alguns exemplos de plantas transgênicas que vem desenvolvendo. Os trabalhos começaram em 2003, no Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) e contam com a parceria da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (RIDESA).

Atualmente, a Embrapa Agroenergia trabalha com a transgenia da cana-de-açúcar, utilizando o gene DREB 2A para tolerância à seca, em uma parceria com a JIRCA do Japão. De acordo com Molinari, os melhores resultados foram obtidos com as plantas que estão em casa de vegetação na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e que toleraram 12 dias de déficit hídrico. “O que observamos nessas plantas é que elas apresentam melhor desempenho em condições de déficit hídrico do que as não-transgênicas”, informou o pesquisador.

O gene DREB já foi testado em diversas culturas de importância econômica para o Brasil, como o arroz, amendoim e a soja. Os resultados comprovaram a eficácia deste gene para conferir tolerância à seca, salientou Molinari. Em sua palestra, o pesquisador mostrará mais detalhes sobre as pesquisas coordenadas por ele.

No último dia do evento (08/11) Cristina Machado, também pesquisadora da Embrapa Agroenergia vai ministrar a palestra “Rotas tecnológicas para a produção sustentável de etanol de celulose”. A pesquisadora explica que nessa apresentação serão mostrados os principais desafios no uso da biomassa para fermentação alcoólica, quais as soluções que tem sido propostas e como a Embrapa tem atuado nesse tema.

Cristina Machado destaca que o processo de produção de etanol celulósico passa por diversas etapas. Além disso, necessita de distintos insumos e para que este seja viabilizado, diferentes áreas interdependentes e multidisciplinares deverão atuar em conjunto.

A Agroenergia no Rio Grande do Sul

“O Rio Grande do Sul é um dos estados brasileiros em que a agroenergia está sendo mais pesquisada” destaca José Manuel Cabral, Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia. O Estado é um dos líderes da produção de biodiesel no país, utilizando, para tanto o óleo de soja e o sebo bovino. Outras culturas estão sendo estudadas, como o caso da canola, para a qual a Embrapa Trigo (Passo Fundo/RS) está coordenado extensa rede de pesquisa no Rio Grande do Sul e em outros Estados.

A Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS) realiza pesquisas com matérias-primas e sistemas de produção de culturas oleaginosas para produção de biodiesel (soja, pinhão-manso, mamona, tungue, crambe) e sacarinas (cana-de-açúcar, sorgo) e amiláceas (batata-doce, mandioca, arroz) para a produção de etanol. Além disso, nessa mesma Unidade são realizadas pesquisas para utilização de espécies florestais e resíduos celulósicos para produção de bio-char (para uso como fertilizante) e bio-óleo (para uso energético e como fonte de matérias-primas). Além disso, destaca Cabral “no Rio Grande do Sul está em andamento um projeto para instalação de biorrefinarias que irão produzir etanol, rações animais e diversos produtos para indústria química”.

Quando estiverem em funcionamento essas biorrefinarias irão diminuir o deficit de etanol no Estado, que precisará importar menor quantidade dos estados vizinhos, quer para uso como combustível, quer para uso na indústria química. “Deve-se lembrar de que está situada em Triunfo/RS a fábrica da Braskem produtora o “polietileno verde” a partir de etanol, que, por enquanto é importado de São Paulo”, acrescenta Cabral

Exposição

A Embrapa Agroenergia também está participando do Simpósio com a exposição da tecnologia de briquetes a partir de resíduos agícolas e florestais, em parceria com as empresas Biomax e BRHBioenergia. No Rio Grande do Sul, empresários já estão de olho neste novo nicho de mercado que também beneficia os municípios e o Estado.

O Rio Grande do Sul tem quatro empresas produzindo briquetes utilizando casca de arroz e serragem de pinho e eucalipto. Os briquetes são considerados uma espécie de “lenha ecológica” e, no Estado, já são vendidos em supermercados e lojas agropecuárias para uso doméstico em lareiras e churrasqueiras, ou para uso comercial em padarias e pizzarias. Os briquetes são mais higiênicos, mais fáceis de transportar, armazenar e manusear do que a lenha. “Nas grandes cidades devido à dificuldade de entrar caminhões, não é muito fácil encontrar lenha para comprar“, salientou Milton Gonçalves, proprietário da Empresa BRH Bioenergia. Além disso, o uso dessa “lenha ecológica” evita o corte de árvores com a finalidade exclusiva de geração de calor.

O Simpósio

No Simpósio serão debatidos os estudos estratégicos, visando analisar as principais questões que afetam a competitividade das cadeias produtivas do biodiesel, do biogás e do etanol no Rio Grande do Sul. Tal esforço tem por finalidade inserir o Estado no cenário brasileiro da produção de biocombustíveis, com foco no suprimento da demanda local, regional e internacional.

Um destaque para o evento é a indicação para o estado do Rio Grande do Sul de variedade de cana-de-açúcar. O anuncio será durante a abertura do Simpósio, que acontece às 18h, desta terça-feira. “Os materiais tem alto desempenho agronômico e qualidade industrial”, ressalta Sérgio Delmar dos Anjos, pesquisador da Embrapa Clima Temperado. Também será assinado convênio entre a Universidade Federal do Paraná e a Embrapa Clima Temperado.

Os eventos contam com apoio da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e promoção do Investimento, da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Estado do Rio Grande do Sul, da Embrapa Agroenergia, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e das Universidades Federal do Paraná e de Santa Maria.

(*Com informações da Embrapa Agroenergia)