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Agrícola & Iindustrial

Publicada em 02/10/2013

Centro-Sul deve processar 0,44% a menos de cana que o previsto

Reavaliação da safra 2013/2014 foi feita na manhã desta terça-feira (1º) pela Unica.

Da Redação

As usinas sucroenergéticas do Centro-Sul do País devem processar no ciclo 2013/2014 , 587 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o volume é 0,44% menor do que previsto no início da safra, quando a estimativa era de uma moagem de 589,6 milhões de toneladas, e 10,18% superior frente a anterior (2012/2013), quando atingiu os 532,7 milhões de toneladas.

Os dados desta revisão de safra foram divulgados na manhã desta terça-feira (1º), pela União da Industria de Cana-de-Açúcar (única) em conjunto com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), os sindicatos e associações do setor sucroenergético.

Assim como a expectativa de moagem, o volume total de produtos estimado para a safra 2013/2014 também deverá sofrer retração comparativamente à projeção inicial, devido à queda prevista no teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana.

A nova estimativa indica uma qualidade de matéria-prima de 134,00 kg de ATR por tonelada de cana, valor 1,98% inferior ao projetado anteriormente de 136,70 kg de ATR por tonelada e recuo de 1,16% no comparativo com o índice registrado na safra 2012/2013 (135,57 kg de ATR/t de cana).

Essa redução no teor de açúcares se deve ao efeito da geada não prevista na primeira estimativa, ao avanço da colheita mecanizada e ao clima mais chuvoso em maio e junho deste ano. Além disso, variáveis de menor expressão como a infestação de pragas (broca e cigarrinha, principalmente) e o prejuízo causado por doenças como a ferrugem alaranjada contribuíram, ainda que de forma pontual e com menor peso, para a retração na qualidade da matéria-prima em algumas áreas.

Em relação ao efeito do clima, os dados apurados pelo CTC comprovam que o índice de precipitação pluviométrica para a região produtora de cana registrou valor significativamente elevado em maio e junho: atingiu 106,70 milímetros em maio e 102,60 milímetros em junho desse ano, volumes superiores a média histórica em 64,15% e 150,24%, respectivamente. Essa condição alterou a evolução natural de maturação de algumas variedades, que voltaram a vegetar em um período do ano normalmente seco, e provocou um atraso significativo no ritmo de moagem nesse período.

No caso da geada, observou-se um estímulo à concentração de açúcares na planta nas poucas regiões em que a severidade do fenômeno foi baixa. Entretanto, a maior parte dos canaviais acometidos pela intempérie climática exigiu das unidades produtoras o corte imediato destas áreas impactadas, comprometendo o cronograma de colheita e, consequentemente, o teor de açúcares na planta.

O diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, explica que “quando os efeitos da geada causam queima de tecidos e morte de meristema, as usinas são obrigadas a colher rapidamente as áreas impactadas, tendo, por exemplo, que cortar áreas com variedades tardias mais cedo, quando a planta não apresenta concentração ótima de ATR”.

Produção de açúcar e etanol

A nova projeção indica uma produção de 34,20 milhões de toneladas de açúcar, 3,66% abaixo do estimado no início da safra e apenas 0,30% superior ao valor registrado na safra 2012/2013 (34,10 milhões de toneladas).

Já a projeção revisada para a produção de etanol soma 25,04 bilhões de litros, volume próximo daquele estimado inicialmente (25,37 bilhões de litros), mas 17,21% superior ao verificado na safra anterior (21,36 bilhões de litros).

Do volume total esperado para a atual safra, 10,90 bilhões de litros referem-se ao etanol anidro (anteriormente projetado em 11,20 bilhões de litros) e 14,14 bilhões de litros ao etanol hidratado, contra 14,17 bilhões estimados em abril.