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Economia

Publicada em 18/12/2014

Ceia de Natal fica 10,58% mais cara em Campo Grande

Causa é o aumento dos preços dos produtos da cesta natalina.

Da Anhanguera/Uniderp

O campo-grandense vai gastar mais para montar a ceia de natal em 2014, aponta pesquisa do Núcleo de Pesquisas Econômicas (Nepes) da Universidade Anhanguera-Uniderp, realizada durante a primeira quinzena de dezembro nos principais supermercados de Campo Grande. O levantamento revelou que os produtos tradicionalmente consumidos nas festividades de final de ano tiveram elevação de 10,58%, em relação a 2013. No comparativo com o mesmo estudo do ano passado, quando o período registrou 6% em relação a 2012, o índice está 4,58% maior.

O coordenador do Nepes, professor Celso Correia faz outro comparativo. “Este valor é 4,10% maior que a inflação acumulada nos últimos 12 meses em 2014, de 6,48%”, analisa.

Na avaliação por segmento, as variações dos produtos hortifrutícolas são as que mais assustam durante o Natal. A alta foi em média 25,72%, destacando os acréscimos de 60,84% para cebola, 49,63% para pêssegos, 47,09% para as ameixas, 41,32% para a cenoura, entre outros. “Informações do setor produtivo de frutas indicam que a subida de preços foi ocasionada pelo aumento da chuva e pela baixa produção e elevação do dólar. O salto dos preços das frutas é generalizado, inclusive as regionais, como laranja (29,01%), abacaxi (20,31%), uva (13,92%), entre outras”, avalia o professor.

Outros produtos que tiveram aumentos expressivos correspondem aos do grupo de bebidas alcoólicas, que registrou crescimento de 14,46%. Há champagne com alta de até 46,41%, o vinho com 31,20% e o whisky 17,87%. Até a cerveja chegou a ter 8,90% de reajuste em relação a 2013. No segmento de não alcoólicas, os refrigerantes registraram 5,75% de acréscimo de um ano para o outro.

Um dos alimentos mais tradicionais da ceia, o panetone também subiu, em média, 2,30%. O índice foi menor que em 2013, quando chegou a 4,51%.“O que tem influenciado esse menor aumento no valor dos panetones é o preço do trigo, que apesar de uma pequena alta nos últimosdias, tem sido absorvida pelo mercado, não chegando ao consumidor. Apesar da safra brasileira de trigo ter tido uma quebra de 15%, a Argentina e a Russia estão com superproduções do cereal, e podem atender muito bem a demanda brasileira de trigo”, explica Correia.

As carnes mais utilizadas nas ceias, ou mesmo no almoço de Natal, tiveram um aumento médio 16,13%. O alcatra está 26,03% mais cara, a capa de contra filé teve elevação de 18,93%, a picanha de 16,45% e o contra-filé 3,10%.A leitoa superou os cortes bovinos e chegou a 20,27% de majoração no valor da gôndola.

Os preços dos principais peixes consumidos nesta ocasião também foram analisados pelo Nepes da Anhanguera-Uniderp. O filé de merluza aumentou 12,87%, o bacalhau do porto teve crescimento de 9,62% e o bacalhau ling registrou alta de 2,44%.Desse modo, o bacalhau pode ser uma boa opção de ceia de Natal, visto que a majoração, em média, ficou muito próxima da inflação acumulada dos últimos 12 meses.

No quesito aves, apenas o peru Perdigão teve redução (-4,73%). O frango aumentou 15,66%, o chester 10,29% e o peru Sadia 8,52%. A média de inflação do grupo fechou em 7,44%.

A inflação dos itens de mercearia, importantes para no preparo da ceia, ficou em 3,58%. As maiores altas foram identificadas com os seguintes produtos: ameixa em lata (48,54%), arroz (11,59%), macarrão (8,13%), azeite (6,75%) e óleo de soja (5,68%). Também foram registradas quedas de valor com o feijão ( -20,48%), açúcar (-6,97%), biscoito champagne (-3,85%), azeitona (-3,62%) e atum (-1,77%)

Os frios e laticínios foram o único grupo com queda de preços, média de -2,95%, segundo o coordenador do Nepes, Celso Correia. O valor do queijo Santa Rosa fatiado caiu 8,62% e o leite São Gabriel reduziu 4,56%. “Essa baixa, principalmente em produtos derivados do leite, se deve à maior disponibilidade desse produto, com a safra, dificultando o aumento de preços dos lácteos por parte dos laticínios, que por sua vez tem pagado menos aos produtores nos últimos meses. Os preços do leite longa vida, dos queijos e outros produtos em queda diminuíram as margens da indústria. No mercado internacional, a pressão de baixa continua, com a safra na Oceania”, avalia o pesquisador.

Como sugestão para economizar na tradicional ceia de Natal para não sentir um grande impacto no bolso, o economista e professor da Anhanguera-UniderpJosé Francisco dos Reis Neto recomenda pesquisar. “Os reajustes variam conforme a marca e local de compra. Com a proximidade do Natal os supermercados realizam promoções para liquidar o estoque, é sempre bom ficar de olho nas vantagens”, finaliza.