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Economia

Publicada em 03/12/2014

Canavieiros do Nordeste querem análise de projetos por governadores

Ministro da Integração Nacional recebe dirigentes do setor nesta quinta.

Da Unida

A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) reivindicará que o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, encaminhe os projetos sobre a reestruturação do setor sucroenergético do Nordeste, elaborados no decorrer deste ano por representantes de ministérios e da respectiva cadeia agroindustrial, sob a coordenação da Sudene, para análise dos governadores da Região na próxima reunião do Conselho Deliberativo da Sudene (Condel) – estância de deliberação máxima do órgão, que reúne todos os governadores do NE e ministros de Estado. O pleito será feito direto ao ministro nesta quinta-feira (4), às 9h, em seu gabinete em Brasília, pelo presidente da Unida, Alexandre Andrade Lima, e o consultor especial da entidade, Gregório Maranhão.

“Frente a grave crise que afeta o setor canavieiro, mas, sobretudo, diante dos significativos efeitos da maior seca dos últimos 50 anos na região, a qual tende a se repetir em acordo às projeções meteorológicas decorrente das mudanças climáticas, trabalhamos na elaboração de projetos visando nos preparar para enfrenta as adversidades do clima”, diz Lima. Os projetos visam a manutenção da cultura da cana no Nordeste. Eles foram elaborados em conjunto pelos industriais do setor, fornecedores, trabalhadores e produtores de cana-de-açúcar, além de representantes de diversos ministérios e outros órgãos públicos.

As reivindicações do setor canavieiro foram formuladas com apoio técnico de Gregório Maranhão – profundo conhecedor do setor e mentor de um dos maiores projetos públicos de recuperação de canaviais em Pernambuco. Ele é criador de programas para soerguer o setor após secas profundas no Estado, a exemplo dos programas Prorrenor e depois o Prorresul, implantados no governo de Jarbas Vasconcelos.

Maranhão defende que seja dada condições estruturantes para o setor enfrentar a instabilidade climática, baseada numa distribuição geográfica dos fundos agrícolas do produtor, para atender também a Zona da Mata. “É preciso que seja alocado investimento por parte dos governos para construção de pequenas barragens e a aquisição de toda a estrutura de irrigação”, reivindica. Ele explica que a ação tem como objetivo manter os canaviais sem prejuízos em anos de seca, além de prover aumento na produção. O resultado da iniciativa garantirá melhor rentabilidade para o agricultor, com reflexos diretos para toda a economia regional.

A instalação de silos para armazenamento de volumoso proveniente da cana para alimentação do rebanho de animais das regiões do Agreste e do Sertão é outra medida listada. A medida visa evitar a elevada mortandade dos rebanhos, como ocorreu nesta última seca. “Assim, haverá menos problemas para os rebanhos nos tempos de estiagem, como ainda evitará gastos exorbitantes dos poderes públicos com ações emergências”, ressalta Lima.

Além disso, a colaboração dos governos estaduais é indispensável na manutenção da cultura canavieira. “Uma das medidas é a redução da alíquota do ICMS, incidente sobre o etanol hidratado”, defende Lima. A solicitação visa tornar o álcool combustível mais competitivo em relação à gasolina. O incentivo fiscal trará reflexo no mix das indústrias do setor sucroenergético, estimulando, uma produção alcooleira maior do que açucareira. Este novo cenário diminuirá a oferta de açúcar no mercado externo, gerando uma melhor remuneração da tonelada de cana, porque o valor do açúcar volta a se elevar. O açúcar é um item que integra a composição do preço da cana, pago pelos industriais aos fornecedores.