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Economia

Publicada em 28/10/2014

Estudo traça perfil de pecuaristas que utilizam proteção de preço

Empresa rural que faz o controle de custos também tende a utilizar mais o hedge.

Da Serasa Experian

Ao identificar os fatores que influenciam o uso de hedge dentre confinadores, pesquisa da USP pode ajudar na expansão da prática que ajuda a melhorar a renda do pecuarista e pode reduzir a migração de investimentos na pecuária

Uma dissertação desenvolvida dentro do Programa de Pós-Graduação em Administração de Organizações da FEA-RP/USP conseguiu identificar as características dos pecuaristas que praticam confinamento e que utilizam instrumentos de proteção de preço (hedge). O estudo observou que confinamentos de maior porte, com maior nível de escolaridade do gestor, controle de custos eficiente e experiência no uso de hedge são mais propensos a utilizar ferramentas de proteção de preço.

Na pecuária, a prática de estabelecer um preço futuro é feita por meio de contratos negociados em Bolsa (mercado de opções ou contratos futuros) ou através de contratos negociados diretamente com os frigoríficos (contratos a termo). Quando o gado entra em confinamento, etapa que dura em média 90 dias, o produtor já define uma data de venda do boi gordo e garante o valor de remuneração, é o chamado hedge.

“Conhecer melhor esse pecuarista pode ajudar o governo a criar políticas que incentivem o uso do hedge e também ajuda empresas a desenvolverem produtos e abordagens que possam aumentar sua taxa de uso”, afirma o autor da pesquisa, Hyberville D’Athayde Neto. O estudo relata, por exemplo, que em 2013 apenas 8% dos confinadores do estado de Mato Grosso utilizaram hedge na comercialização de sua produção.

Segundo o pesquisador, o hedge é uma forma de minimizar o risco do negócio, proporcionando renda ao pecuarista. “Resultados financeiros melhores ajudam reduzir a migração da pecuária para a agricultura. Hoje, a pecuária tem perdido área, seja pela migração do produtor para a agricultura, seja pela venda de áreas de pastagens”, explica.

De acordo com os resultados obtidos com a pesquisa “Fatores determinantes da utilização de ferramentas de gestão de risco de preços do boi gordo para confinadores”, orientada por Evandro Marcos Saidel Ribeiro, contar com um gestor pós-graduado é uma característica relacionada ao uso de proteção de preços. Da mesma forma, a empresa rural que realiza um bom controle de custos também tende a utilizar mais o hedge.

“A partir do momento que o pecuarista sabe exatamente qual o seu custo ele passa a utilizar o hedge justamente para cobrir este custo e adicionar a rentabilidade desejada”, explica Hyberville. A prática do confinamento exclusivo, no qual o pecuarista não possui o pasto e compra no mercado 100% do rebanho que irá confinar, também é uma característica comum em produtores que utilizam ferramentas de hedge.

Confinamentos com maior quantidade de cabeças de gado também tendem a utilizar mais a proteção de preço do que os produtores de menor porte. Da mesma forma, a experiência prévia com hedge, tanto no próprio mercado do boi gordo quanto no mercado de grãos, também é uma das características dos confinadores que protegem o preço de sua produção. Produtores que mantêm parcerias de fornecimento junto a frigoríficos também costumam utilizar mais o hedge do que aqueles que não possuem esse tipo de contratos de fornecimento.

Por outro lado, participação em entidades de classe como sindicatos e associações não foram relevantes para o uso do hedge, assim como a utilização de consultorias (técnica ou de marcado) ou mesmo a idade dos pecuaristas. “Na literatura atual encontramos artigos que afirmavam serem os jovens os mais propensos a utilizar o hedge. Porém, não comprovamos isso na pesquisa. Esta variável não teve relação com esta decisão”, finaliza o pesquisador.

Outros fatores que, segundo a pesquisa, não parecem influenciar na opção por ferramentas de proteção de preço são possuir renda em outras atividades e utilizar o confinamento de forma mais intensiva, por exemplo, produzindo mais de uma rodada de boiadas por ano.