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Economia

Publicada em 28/10/2014

Conferência Datagro discute soluções para crise do setor sucroenergético

Evento foi promovido em São Paulo e reuniu 650 participantes.

Da Datagro

O setor sucroenergético desempenha papel de extrema importância nos mercados de combustível, bioenergia e alimento, no Brasil e no mundo. Esta relevância levou a DATAGRO a realizar mais uma vez a Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, entre os dias 20 e 21 de outubro. Em sua 14ª edição, o evento superou todas as expectativas, e embora este ano não tenha ocorrido o Sugar Dinner em São Paulo, o comparecimento foi bastante elevado, com um perfil predominante de CEO’s e diretores. Ao todo, 650 participantes e 40 palestrantes de 32 países fizeram do encontro um momento excepcional para troca de informações, ideias, opiniões e soluções para o setor.

Com palestras e discussões de elevado nível técnico, a Conferência discutiu estimativas de safra, tendências de mercado no Brasil e no mundo, a importância do mercado de etanol hidratado, perspectivas de aumento da eficiência dos veículos flex usando etanol, como otimizar o custo do ATR contido na cana, e muitos outros temas de grande importância para o setor.

Um dos destaques ficou para as estimativas da safra 2015/16 anunciadas por Plinio Nastari, presidente da DATGRO e curador do evento. O presidente apontou para uma menor oferta de cana em resposta novamente à falta de chuvas, enquanto baixos investimentos em renovação impactarão negativamente os canaviais na próxima safra.

Sobre a importância do mercado de etanol hidratado, houve um painel de debates com a participação dos CEOs dos principais grupos sucroenergeticos no Brasil: Biosev, Copersucar, Raízen, São Martinho e Tereos, sob a coordenação de Elizabeth Farina, presidente da UNICA. “Dessa forma, discutir etanol hidratado é uma questão estratégica”, disse Farina, que completa: através dele, o Brasil pode recuperar sua relevância no mercado.

Foi discutido também o fim das cotas de produção da União Europeia e os estoques internacionais de açúcar puderam situar o que esperar do mercado nos próximos anos. Segundo José Orive, Diretor Executivo da ISO, após 2017 a Europa poderá produzir uma média de 19 milhões de toneladas de açúcar, voltando a ter condições de atender a demanda interna e exportar 2,5 milhões de toneladas no médio prazo.

Enquanto isso não acontece, atualmente, o elevado estoque mundial de açúcar tem afetado a capacidade de reação dos preços. Dessa forma, para Ivan Melo, diretor Comercial da Raízen, o mercado precisa corrigir os preços para escoar o açúcar em estoque.

Passando de mercado para sociedade, os jornalistas Heródoto Barbeiro, Mariana Godoy, o diretor do Núcleo de Estudos do Agronegócio, da ESPM São Paulo, José Luiz Tejon, e o editor-chefe da revista IstoÉ, Luiz Fernando de Sá, foram quase unanimes quanto a importância da mudança da consciência da população em relação ao etanol e ao açúcar.

Segundo eles, o setor precisa trabalhar mais ativamente os canais de comunicação, não apenas para estimular o consumo de etanol e também de açúcar, como também desmitificar o setor que tem contribuído muito para o meio ambiente, para o desenvolvimento das pequenas cidades e para a economia do Brasil.

Ainda dentro deste contexto, para a secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaski, o país precisa de políticas públicas para alavancar o setor com menos impostos e mais investimentos em pesquisas e produção de cana-de-açúcar. A secretária enfatizou que: “os debates realizados durante a 14ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol demonstram que ainda temos esperança”, diz. E, nos bastidores do evento, diversos líderes e empresários do setor também se referiram à importância dos debates neste momento crucial, para planejar um futuro mais promissor.