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Economia

Publicada em 17/10/2014

Setor sucroenergético sofre com intervenções, diz consultoria

As usinas amargam uma dívida de mais de R$ 65 bilhões.

Da Archer Consulting

De acordo com estudos da Archer Consulting - empresa de assessoria em mercados de futuros, opções, derivativos e planejamento estratégico para commodities agrícolas -, nos últimos anos, o crescimento na exportação de açúcar sustentou-se acima dos 5% ao ano, chegando a arrecadar, em 2010, mais de 15 bilhões de dólares e contribuindo sobremaneira ao superávit nas exportações brasileiras.

Além disso, há o mercado de consumo de combustível com enorme potencial sustentável. Em passado recente, 55% do combustível usado nos veículos leves foi o etanol - um mercado consumidor pujante que cresceu a taxas de 7,3% ao ano, no último decênio.

"Lamentavelmente, essa expansão vigorosa foi interrompida pelo governo federal em seu constante vício de cumprimentar com o chapéu alheio, congelando o preço da gasolina para controlar a inflação e sufocando o setor. As usinas amargam uma dívida de mais de R$ 65 bilhões, dos quais uma grande parcela é devida à expansão industrial incentivada pelo ex-presidente Lula. O preço justo da gasolina hoje deveria estar em R$ 3,126 o litro, ou seja, pelo menos 11% acima do valor atual, apenas para se alinhar aos preços internacionais", avalia Arnaldo Corrêa, gestor de riscos em commodities agrícolas e diretor da Archer.

Enquanto isso, o setor passa por uma de suas mais rigorosas crises. O preço do açúcar no mercado internacional equivalente em reais por tonelada chegou ao ponto mais baixo dos últimos dois ou três anos. "Se quiséssemos manter apenas o que temos hoje, ou seja, suprir o mercado internacional de açúcar sem ganhos percentuais de fatia de mercado, manter o mesmo percentual de aproximadamente 35% de utilização de etanol na frota de automóveis e veículos leves, igualmente sem ganho de mercado, o Brasil precisaria crescer nos próximos cinco a seis anos, pelo menos 180 milhões de toneladas de cana. Uma expansão que implicaria necessariamente em investimentos na ordem de US$ 30 bilhões", completa Arnaldo.

Para o gestor de riscos, se não tivermos um governo comprometido, menos intervencionista, mais preocupado com o mercado livre, corremos o sério risco de começar a ver a desconstrução de um setor vital para o País.