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Economia

Publicada em 15/05/2014

CNA defende fortalecimento da classe média rural

Senadora Kátia Abreu defendeu ampliação da classe C, hoje composta por 800 mil produtores.

Da assessoria

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, defendeu o fortalecimento das ações de empreendedorismo para garantir mais renda aos produtores rurais e ampliar o número de propriedades que comercializam sua produção. Ela participou, nesta quarta-feira (14/5), do primeiro dia da reunião dos Conselheiros do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que acontece até amanhã (15/5), em Brasília.

O objetivo da medida, justificou, é ampliar e fortalecer a classe média rural brasileira. Dos cinco milhões de produtores rurais do país, apenas 800 mil são da classe C, enquanto as classes A e B somam 300 mil produtores. Estas duas camadas da população do campo são responsáveis por produzir e comercializar quase toda a produção de alimentos no Brasil, explicou a senadora. Por outro lado, há 3,7 milhões de pessoas com renda mais baixa no meio rural, que mal conseguem produzir para o próprio sustento.

“Temos uma das maiores e melhores agriculturas do mundo, com um milhão de pessoas que produzem apenas em 27% do território nacional. Imagina o quanto podemos aumentar nossa produção com esses 3,7 milhões, que produzem muito pouco ou nada, sem precisar desmatar”, observou a presidente da CNA, destacando a participação do Sebrae neste processo, além das ações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), além do meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec).

“Precisamos dar uma injeção de ânimo neste setor. A classe média urbana cresceu, mas na classe média rural está acontecendo o oposto. E o trabalho em parceria com o Sebrae é justamente para aumentar a classe média no campo e torná-la eficiente como as classes A e B. Não queremos uma ilha, mas um continente de prosperidade”, destacou a senadora.

O presidente do Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae e vice-presidente da CNA, Roberto Simões, reforçou a necessidade de “robustecer” a parceria entre as duas instituições para fomentar a formação de empreendedores rurais “qualificados e com atividades viáveis”. Defendeu, também, o envolvimento de todos os elos da cadeia produtiva nos arranjos produtivos locais e na formação de clusters (conjunto de empresas do mesmo segmento). A ideia de envolver micro e pequenas empresas visa a fortalecer os pequenos empreendedores, aliando tecnologia, produtividade, inovação e sustentabilidade.

Já o diretor presidente do Sebrae, Luiz Barretto, destacou os ganhos obtidos com o regime de Substituição Tributária (ST), que beneficiou mais de 8,5 milhões de micro e pequenas empresas, com menos incidência de tributos e reduzindo a burocracia. “Queríamos que 100% ficassem de fora, mas isso vai beneficiar de 70% a 80% das empresas”, afirmou.

Por sua vez, o ministro da Secretaria Especial das Micro e Pequenas Empresas, Guilherme Afif Domingos, falou sobre a universalização do Simples, que beneficiou diversos segmentos da economia, incluindo “setores antes marginalizados, que antes não eram considerados atividades empresariais”. Entretanto, ressaltou que os principais desafios são é trazer cada vez mais micro e pequenos empresários para a formalidade e desburocratizar o processo de abertura destas empresas.