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Ciência & Tecnologia

Publicada em 14/05/2013

Com etanol celulósico, produtividade de canaviais em litros por hectare pode crescer 35%

Projeção foi feita pelo consultor para Tecnologia e Emissões da Unica, Alfred Szwarc.

Anderson Viegas*

O aproveitamento do bagaço e da palha de cana para produção do etanol celulósico, o 2G, somada a produção do etanol convencional nas usinas sucroenergéticas pode aumentar a produtividade dos canaviais em termos de litros por hectare do biocombustível em aproximadamente 35%, passando de 7 mil litros por hectare para 9,5 mil litros por hectare.

A avaliação foi feita pelo consultor para Tecnologia e Emissões da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred Szwarc, durante o Agroenergia em Curso, do Projeto Agora, realizado em Dourados (MS), recentemente. Segundo ele, esse aumento pode ocorrer em curto prazo, já que tecnologia do etanol 2 G está em processo acelerado de desenvolvimento, bem próxima de uso comercial.

Szwarc, diz que no Brasil e no exterior, várias empresas e instituições de pesquisa estão desenvolvendo projetos para a produção do etanol 2G. Ele lembrou que em Petrobras, por exemplo, realiza estudos com o combustível desde 2004 e que no ano passado junto com a KL Energy e a Blue Sugars Co. produziu 80 mil litros em uma planta de demonstração.

Esse combustível foi utilizado em veículos que realizaram o transporte de visitantes durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), realizada no Rio de Janeiro. O consultor diz que a empresa planeja colocar o seu etanol celulósico no mercado brasileiro entre 2015 e 2016.

Já no próximo ano, Szwarc comenta que deve iniciar a produção em escala industrial a planta que a GranBio está implantando em São Miguel dos Campos, em Alagoas. A unidade vai converter bagaço e palha da cana em biocombustíveis e produtos químicos. A capacidade é de produção de 82 milhões de litros por ano. São parceiros na iniciativa a Mossi&Ghisolfi, Novozymes, DSM, Unicamp, Ridesa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que fez um aporte de R$ 600 milhões para o empreendimento.

Outra iniciativa, conforme o consultor, é da Raízen. A empresa trabalha com a expectativa de operar sua primeira unidade de etanol celulósico em uma planta piloto em Piracicaba (SP), em 2015. A capacidade da unidade será de 40 milhões de litros por ano.

Szwarc diz que outra gigante do setor sucroenergético, a Odebrecht Agroindustrial, também vem investindo muito no 2G. Segundo ele, a empresa fez uma parceria com a Inbicon, companhia do Grupo DONG Energy da Dinamarca, para trazer o etanol de segunda geração aliando a experiência industrial e comercial da brasileira com a tecnologia e expertise da parceira.

O objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias para produção de etanol e outros produtos a partir de matérias-primas lignocelulósicas, como o bagaço da cana, e oferecer uma solução integrada e competitiva para outros produtores de bioenergia do País. A projeção, conforme ele, é de que a primeira unidade de produção do etanol celulósico da Odebrecht Agroindustrial esteja em operação também em 2015.

Em médio e longo prazo, o consultor da Unica, diz que tecnologia de produção do etanol celulósico pode dobrar a produtividade atual dos canaviais, o que pode ajudar a atender a crescente demanda pelos biocombustíveis no mercado brasileiro e no internacional.

Szwarc recorda que um estudo do grupo de análises Pike Research aponta que o mercado de biocombustíveis vai crescer 145% nos próximos 10 anos, passando de uma demanda de 110 bilhões de litros em 2012 para 270 bilhões de litros em 2021. Outro dado citado por ele que reforça essa informação é que mais de 30 países criaram ou estão em fase de criação de programas para uso de energia renovável no transporte.

(*Com informações da Unica)