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Publicada em 21/03/2013

Coordenador de açúcar e etanol do MAPA defende ZAE-Cana

Segundo ele, Zoneamento Agroecológico da Cana é ferramenta para preservação ambiental.

Embrapa Agroenergia

O Brasil tem criado instrumentos para reduzir cada vez mais o impacto ambiental da produção agropecuária, particularmente da que tem como destino o mercado de biocombustíveis. Um exemplo é o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar (ZAE Cana), publicado pelo Governo Federal em setembro de 2009 (http://www.cnps.embrapa.br/zoneamento_cana_de_acucar/) .

A iniciativa de realizar o estudo técnico surgiu no auge do debate mundial a respeito do uso da terra para produzir alimentos ou biocombustíveis, informou Luís Carlos Job, coordenador-geral de açúcar e álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em apresentação na Semana de Bioenergia. O evento começou na segunda-feira (18) e segue até sábado (23), no auditório da Embrapa Estudos e Capacitação, em Brasília/DF.

Luís Job considera o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar um trabalho pioneiro no País. Já haviam sido realizados estudos para outras culturas focados apenas na questão climática, econômica ou ambiental. O da cana foi o primeiro que integrou várias áreas no mesmo documento técnico, que visa a garantir um crescimento equilibrado de um setor estratégico para o País.

Financiamentos de bancos públicos à expansão da cultura apenas são concedidos a plantios localizados nas áreas consideradas aptas ao cultivo pelo ZaeCana. Na prática, nem com recursos próprios dos investidores tem sido possível o avanço da cana sobre outras localidades, já que as secretarias estaduais de meio ambiente não têm concedido autorizações para isso.

O zoneamento estabelece que em 92,5% do território nacional a cana-de-açúcar não deve ser cultivada. Ainda assim, há terras suficientes para multiplicar por sete a área com plantio dessa gramínea no Brasil. Ao público composto majoritariamente por estrangeiros presentes no evento, Job ressaltou a importância de ouvir o setor produtivo para desenvolver trabalhos semelhantes. A equipe do estudo brasileiro fez mais de 30 viagens para ouvir representantes de agricultores, agroindústrias, órgãos estaduais e outros.

Ainda na produção de cana-de-açúcar, outra medida que vem sendo adotada para minimizar impactos ambientais é a mecanização da colheita para evitar as queimadas. De acordo com dados apresentados na Semana de Bioenergia pelo gerente de desenvolvimento sustentável da empresa Raizen, Davi de Araújo, na safra 2006/2007, 65,8% da área cultivada com cana-de-açúcar no estado de São Paulo foi colhida manualmente e 34,2%, mecanicamente. No período 2011/2012, esses números se inverteram. A diminuição das queimadas evitou a emissão de 2,7 milhões de toneladas de CO2 e 16,7 milhões de toneladas de outros poluentes, também segundo os números apresentados por Araújo.

Embora o País ainda tenha áreas disponíveis para expandir a fronteira agrícola, o crescimento da produção agropecuária brasileira nos últimos trinta anos tem se dado principalmente em função de ganhos de produtividade. “A agricultura e a pecuária vivem um momento de transição para uma economia baseada no conhecimento, que ocorre também em outros setores”, afirmou o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto. Na opinião dele, a expansão da bioenergia sustentável vai se basear na inovação tecnológica, no uso eficiente da terra e dos recursos naturais, bem como na agregação de valor aos produtos e resíduos.

Na parte da tarde de terça-feira (19), os participantes do evento participaram de um dia- de-campo (na foto em destaque) na Embrapa Cerrados (Brasília/DF), onde puderam ver de perto as pesquisas realizadas com cana-de-açúcar, dendê, macaúba e pinhão-manso, matérias-primas já utilizadas ou com potencial para produção de biocombustíveis.

A Semana de Bioenergia tem como objetivo a capacitação de técnicos de mais de 30 países, especialmente da África, Ásia e América Latina que participam do evento. É uma iniciativa da Global Energy Partnership (GBEP), do Ministério das Relações Exteriores, do MAPA e da Embrapa Agroenergia. Conta ainda com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Departamento de Estado dos EUA e da empresa Raizen. As apresentações (pdf) realizadas no evento encontram-se disponíveis no endereço http://www.cnpae.embrapa.br/eventos/semana-de-bioenergia-1/.

O GBEP é um fórum mundial que se propõe a estabelecer consenso nas áreas do desenvolvimento sustentável da bioenergia e contribuir para mitigação das mudanças climáticas. Em 2011, definiu 24 indicadores de sustentabilidade da bioenergia que pretendem guiar as análises e dar subsídios para tomada de decisão na área.