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Publicada em 20/03/2013

Evento reúne no DF especialistas mundiais em bioenergia

Semana de Bioenergia começou nesta segunda e vai até sábado (23).

Embrapa Agroenergia

Começa nesta segunda-feira (18), em Brasília (DF), um evento internacional na área de bioenergia promovido pelo Brasil. Com alcance global, a Semana de Bioenergia reunirá, até sábado (23), no auditório da Embrapa Estudos e Capacitação, mais de 70 representantes de países dos cinco continentes. É promovida pela Global Energy Partnership (GBEP), o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Embrapa Agroenergia, com o apoio da OEA, do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da empresa Raizen.

O evento visa a discutir a sustentabilidade da bioenergia em âmbito multilateral, agregando diferentes perspectivas sobre o assunto, diz a coordenadora do evento, embaixadora Mariangela Rebuá, que é co-presidente da GBEP. Esta é um fórum mundial que se propõe a estabelecer consenso nas áreas do desenvolvimento sustentável da bioenergia e contribuir para mitigação das mudanças climáticas. Em 2011, a GBEP definiu 24 indicadores de sustentabilidade da bioenergia que pretendem guiar as análises e dar subsídios para tomada de decisão na área.

A programação da Semana está estruturada em torno dos três pilares em que estão organizados esses indicadores – ambiental, econômico e social. Entre os temas em debate estão: requalificação de trabalhadores, diversificação das fontes de energia, posse da terra, segurança alimentar, geração de emprego e renda, emissões de gases de efeito estufa, mudança no uso da terra e impacto sobre água e solos.

Experiência brasileira

A experiência do Brasil na produção e uso de biocombustíveis será bastante explorada durante o evento. O País é o segundo maior produtor mundial de etanol (atrás dos Estados Unidos) e um dos maiores de biodiesel. Estima-se que, entre 1975 e 2011, o consumo de etanol tenha substituído aproximadamente 330 bilhões de litros de gasolina. O uso do etanol também evitou a emissão de mais de 550 milhões de toneladas de CO2 no mesmo período. Atualmente, a participação de combustíveis renováveis na matriz de transportes brasileira é de aproximadamente 22%.

“O entendimento do Brasil é de que a produção e uso sustentável da bioenergia podem proporcionar grandes oportunidades para melhoria de aspectos econômicos e sociais de países em desenvolvimento – e, consequentemente, para a redução das assimetrias ao longo da cadeia produtiva dos alimentos”, afirma a embaixadora.

O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Júnior, ressalta que a produção de matérias-primas para biocombustíveis gera empregos nas áreas rurais, desconcentrando e distribuindo a renda. “Em muitos países, especialmente nos não produtores de petróleo, os biocombustíveis contribuem para diminuir a dependência energética externa, e a produção deles pode se dar em paralelo à de alimentos, em sistemas conhecidos internacionalmente como IFES (Integrated Food Energy Systems)”, explica.

Cooperação internacional

O Brasil tem buscado apoiar a produção de bioenergia em países em desenvolvimento, principalmente os da faixa tropical. “Isso tem sido feito por meio de iniciativas de cooperação e capacitação, especialmente com estudos de viabilidade para a produção sustentável de bioenergia e apoio na definição de marcos regulatórios para o setor”, conta Mariangela.

Para a embaixadora, o acesso à energia e a transição de formas tradicionais de obtenção de energia a partir da biomassa para uma produção sustentável e moderna. Além disso, os países buscam promover o crescimento econômico com baixo consumo de carbono. “O desenvolvimento da bioenergia tem requerido não apenas a adoção de políticas de incentivo à produção de fontes alternativas de energia, mas também um esforço permanente de demonstração de que existem condições para a produção sustentável, principalmente nos países em desenvolvimento”, destaca.

Além de palestras de representantes do governo brasileiro, empresas e instituições de pesquisa, os participantes da Semana de Bioenergia terão a oportunidade de conhecer a usina de biodiesel Granol (Anápolis/GO) e os campos experimentais do Núcleo de Apoio a Culturas Energética da Embrapa Agroenergia e Embrapa Cerrados (Planaltina/DF). Nestes, conhecerão culturas agrícolas que têm sido alvo de estudos da Embrapa para a cadeia de bioenergia, tais como o pinhão-manso, o dendê e a macaúba. “A pesquisa teve e continua tendo papel fundamental para o sucesso da produção de bioenergia no Brasil”, afirma o chefe-geral da Embrapa Agroenergia. “Nós temos buscado, cada vez mais, ampliar e fortalecer as parcerias no Brasil e no exterior para, com o intercâmbio de conhecimento, aumentar a eficiência na obtenção das respostas de que precisamos para o avanço do uso de biocombustíveis”, acrescenta.

As experiências brasileiras não serão as únicas a serem apresentadas no evento. Logo na segunda-feira, serão expostos panoramas regionais da bioenergia, com representantes da Ásia, Europa e Estados Unidos. O “Memorando de Entendimento Brasil – Estados Unidos para Avançar a Cooperação em Biocombustíveis” também será apresentado no painel, por Emerson Kloss, do MRE, e Natasha Vidangos, do Departamento de Estado americano. Ao longo da semana, africanos, latino-americanos e asiáticos também mostrarão seus trabalhos em áreas como produção de matérias-primas, geração de empregos e renda e criação de cadeias de valor.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial vão apresentar, no evento, programas de apoio a iniciativas na área de bioenergia. Também haverá palestras de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU). “O enfoque da programação na capacitação de países em desenvolvimento e as visitas a campo programadas são uma oportunidade ímpar de compartilhar conhecimentos, habilidades e tecnologias”, conclui Mariangela.