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Publicada em 29/01/2013

Pesquisador quer lei específica para uso da vinhaça na fertirrigação em MS

Professor Laércio Alves de Carvalho, do Geca, propôs a criação de um programa estadual para monitorar o uso do produto.

Anderson Viegas

De Maracaju - O engenheiro agronônomo, pesquisador da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e coordenador do Grupo de Estudos em Cana-de-Açúcar (Geca) da instituição, Laércio Alves de Carvalho (foto em destaque), apresentou durante palestra no Showtec, em Maracaju (MS), a proposta da criação de um programa estadual de monitoramento da vinhaça no Estado, chamado de Promavi-MS.

A vinhaça, conforme o pesquisador, é um dos produtos que sobra do processamento da cana-de-açúcar. Em razão de sua alta concentração de potássio e nitrogênio possui grande valor fertilizante, sendo utilizada para fertirrigar os canaviais das usinas. O ganho de produtividade, detalha ele, nas lavouras onde é aplicado chega até a 50% (na primeira soca) em relação as áreas que não recebem o produto.

“O uso da vinhaça além de aumentar a produtividade do canavial também reduz o custo das usinas com adubos e ainda dá uma destinação sustentável a um produto que antes chegou a ser visto como um resíduo pelas usinas”, comenta.

Segundo Carvalho, como o estado não possui uma lei específica sobre o assunto, o programa geraria subsídios comprovadamente científicos para amparar uma proposta de legislação estadual sobre armazenamento, distribuição e aplicação da vinhaça em Mato Grosso do Sul. Ele explica que por meio da iniciativa poderia se definir, por exemplo, a dosagem máxima do produto para cada classe de solo e ainda desenvolver estudos para determinar as necessidades nutricionais da cultura em diferentes regiões do Estado.

Como é hoje

No Estado, de acordo com o pesquisador, as empresas fazem a fertirrigação mediante aprovação pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e da análise de risco das usinas.

Carvalho relata que outra norma que influência a utilização da vinhaça nos canaviais é a resolução 36/2012 do Conselho Estadual de Controle Ambiental (CECA-MS), que trata da classificação dos corpos de água superficiais e também estabelece as diretrizes e padrões para o lançamento de efluentes no estado.

Sem uma legislação específica no Estado, o coordenador do Geca explica que as usinas instaladas em Mato Grosso do Sul utilizam também como referência no procedimento a norma técnica P4.231/2006, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), que é a mais moderna do País.

A resolução da Cetesb estabelece, por exemplo, que a vinhaça não pode ser aplicada em áreas de proteção permanente (APPs), de preservação ambiental (APAs) e de proteção de poços e que a fertirrigação somente pode ser feita a uma distância mínima do perímetro urbano, entre outras determinações.

“Não se pode de maneira alguma dizer que a aplicação da vinhaça ocorre de qualquer forma no Estado. Existe uma legislação e um parâmetro, e que são respeitados pelas usinas. O que queremos ao propor o programa é ter uma legislação específica, do estado, para tratar deste assunto”, concluiu.

Confira abaixo as fotos da abertura, do evento e dos giros tecnológicos:

Showtec 2013 – abertura

Showtec 2013 - evento

Showtec 2013 – giros