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Publicada em 08/01/2013

Por biodiesel, Embrapa prorroga estudos sobre pinhão-manso

Pesquisas foram iniciadas em 2010 e foram prorrogadas por mais dois anos.

Embrapa Agroenergia

Três áreas foram definidas pela equipe do projeto “Pesquisa, desenvolvimento e inovação em inovação em pinhão-manso para produção de biodiesel” (BRJatropha) como foco das atividades nos próximos dois anos: o desenvolvimento de cultivares com alta produtividade de grãos, a destoxificação da torta e o estabelecimento de sistemas de produção com baixo custo, especialmente no que diz respeito à colheita e ao controle de pragas e doenças.

Iniciado em 2010, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep, o BRJatropha é liderado pela Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) e reúne mais 21 instituições de pesquisa que trabalham com o pinhão-manso nas cinco regiões do Brasil. Inicialmente aprovado para 36 meses, o projeto foi prorrogado. “Teremos mais dois anos para avançar com as pesquisas”, diz o líder da iniciativa, Bruno Galveas Laviola, que é pesquisador da Embrapa Agroenergia.

Laviola ressalta que a rede de pesquisa já obteve resultados importantes na primeira etapa do projeto, a começar pela constituição de um banco ativo de germoplasma, nos campos experimentais da Embrapa Cerrados (Planaltina/DF), com mais de 220 acessos de várias regiões do País e do exterior. Estudando esse e outros campos experimentais mantidos por parceiros, também foi possível avançar no conhecimento sobre espaçamento de plantas, sistema de poda, produção de sementes, consórcio com outras culturas e fabricação de biodiesel a partir do óleo.

As pesquisas também conseguiram identificar as principais pragas e doenças que acometem o pinhão-manso: ácaro branco, percevejo, oídio, podridão do colo e bacteriose. “Como a base genética de pinhão-manso no Brasil é estreita, a maior parte dos materiais é suscetível a elas”, afirma o pesquisador da Embrapa Agroenergia. Como estratégia para reduzir o custo de produção associado ao controle dessas pragas e doenças, têm sido introduzidos nos estudos genótipos de outros países. Além disso, produtos fitossanitários estão sendo avaliados.

Colheita

Outro ponto em que os pesquisadores estão trabalhando para reduzir o custo de produção é a colheita, que atualmente é manual. “O uso de equipamentos para mecanizá-la ou semimecanizá-la é essencial para tornar a produção mais barata”, enfatiza Laviola. Testes com colheitadeiras utilizadas em outras culturas perenes, como a do café, estão sendo realizados pelo projeto BRJatropha. Um fator positivo é que plantas adultas (a partir dos três ou quatro anos) têm apresentado maturação mais uniforme de frutos, em relação à que vem sendo observada nas mais jovens. “A concentração da colheita em um período mais curto facilita a colheita e reduz os custos”, acrescenta o pesquisador.

Avanços significativos também já foram obtidos nos processos de destoxificação da torta do pinhão-manso. Os processos desenvolvidos pela Embrapa Agroenergia e parceiros já conseguiram eliminar até 90% da toxidez, mas isso não foi suficiente para permitir o uso do material como ração para animais – uma das alternativas com maior potencial de agregar valor à cultura. Por isso, as pesquisas continuam buscando processos para obtenção de tortas que possam ser utilizadas em misturas com outros farelos e tortas para alimentação de bovinos, caprinos, peixes, etc. Por outro lado, t experimentos de alimentação de ovinos com a torta de variedades atóxicas de pinhão-manso adicionada ao farelo de soja em concentrações de 20% a 60% comprovaram que, do ponto de vista nutricional, o produto é adequado.

As variedades atóxicas, no entanto, apresentam menor produtividade e são ainda mais suscetíveis a doença. Cruzá-las com variedades mais produtivas a fim de obter cultivares livres de ésteres de forbol que gerem grandes colheitas tem sido um dos objetivos dos programas de melhoramento. A fim de ampliar a base genética disponível para esse trabalho, têm sido estabelecidas parcerias com instituições públicas e privadas, especialmente do México e da América Central.

Congresso

Brasília será palco do III Congresso Brasileiro de Pesquisa em Pinhão-manso, que acontece de 19 a 20 de novembro de 2013. A organização é da Embrapa Agroenergia e da Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão-manso. O pesquisador Bruno Laviola acredita que o evento será importante para reunir trabalhos científicos gerados a partir de experimentos com plantas adultas. “A maior parte dos resultados até agora apresentados eram baseados apenas em plantas jovens”, explica.

A programação e outras informações sobre o III Congresso Brasileiro de Pesquisa em Pinhão-manso estarão disponíveis em breve no site da Embrapa Agroenergia (www.embrapa.br/cnpae).