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Publicada em 25/06/2015

Propriedade adapta granja de suínos para terminação de bovinos a pasto

Os resultados serão apresentados dia 4 de julho, durante Dia de Campo.

Da assessoria

Os altos custos e a redução de mão de obra especializada para atuar em diferentes atividades no campo, vem levando o setor à automação do sistema produtivo. Em moldes similares ao de uma granja de suínos, uma propriedade rural de Mato Grosso do Sul inova e associa a alternativa a nutrição de precisão com a proposta de terminar os bovinos em confinamento a pasto. Os resultados serão apresentados dia 4 de julho, durante Dia de Campo na Fazenda São João, em Dourados/MS.

Segundo o proprietário, Rogério Goulart, a essência do negócio vem do trabalho da suinocultura – baseado na eficiência alimentar e automação do sistema. O processo foi adaptado à pecuária de corte, sistema que ele conheceu durante visita a uma propriedade no Mato Grosso.

“É uma modalidade onde os animais são adaptados no pasto por um período de três a quatro semanas com acesso natural ao cocho e, posteriormente, permanecem confinados com uma dieta sem alimentos volumosos. Porém, ao contrário do confinamento tradicional, é o boi que define quando e a quantidade que vai comer”, explica Goulart.

O módulo inicial tem capacidade para 80 animais (machos inteiros) e conta com apenas um colaborador. Segundo o proprietário da São João, com as novas instalações as demandas por mão de obra foram amplamente reduzidas, a exemplo da reposição de ração, que passou a ser feita uma vez a cada semana chegando até dez dias. Ele não antecipa os detalhes que os participantes vão conferir in loco durante o Dia de Campo, mas explica o desempenho e as adaptações feitas a partir da tecnologia da suinocultura.

“No projeto piloto, os animais entram com 400kg de peso vivo e saem com 560kg. O ganho médio de carcaça é de 7,5@ ao final de 115 dias – esta etapa abrange a fase de cocho. A conversão alimentar é de 140kg de ração por @ produzida a um custo médio de R$ 4,50/dia. O êxito está na autonomia do sistema. Imagine um muro de alvenaria de 5 metros de largura por 3 de altura, e que ao longo desta estrutura estejam embutidas de 8 a 10 colunas ocas (guias) para a condução da ração que fica armazenada sobre o muro, onde está instalado todo o sistema de distribuição, até a base onde fica o cocho para a alimentação dos animais”, detalha o pecuarista.

Parceiro de Goulart, o consultor Rogério Coan é o responsável pela nutrição adotada no projeto. A receita desenvolvida por ele implica no fornecimento de proteico energético durante todo o ano.

Os lotes são avaliados e o suplemento é ofertado diariamente. A cada três meses os lotes e a composição nutricional dos capins são avaliados, permitindo os ajustes necessários na nutrição conhecida como de precisão.

Coan ressalta que a ferramenta está associada ao ganho de peso e carcaça, onde o objetivo é produzir mais e com menor custo. “Essa tecnologia é realmente muito impactante do ponto de vista de ganho de carcaça e quanto aos resultados técnicos e econômicos. É o que tecnicamente chamamos de nutrição para melhor resposta bioeconômica. No entanto, a surpresa do Dia de Campo é mostrar os reais benefícios dessa modalidade. Quem participar vai conferir”, reforça ele que irá palestrar sobre o tema na programação.

O trabalho consultivo do Rogério Coan para a nutrição eficiente está aliado a indústria de nutrição animal, onde a Fazenda São João conta com o apoio da empresa Zoomix. “A eficiência da nossa gestão baseia-se num modelo de parceria”, garante Rogério Goulart.

O zootecnista Márcio Alves Roberto, diretor da Zoomix, explica que ao longo dos 20 anos da empresa a qualidade da produção foi chancelada por certificação ao mesmo tempo em que a equipe adquiriu um amplo conhecimento realizando um trabalho de extensão. “Estamos no campo acompanhando o dia-a-dia da pecuária nacional e mundial. O setor mudou muito, e por isso é fundamental darmos este atendimento mais individualizado, fornecendo tecnologias nutricionais conforme demandas especificas de cada produtor. Temos muitos parceiros e casos de sucesso, a exemplo da São João”, aponta o empresário e pecuarista que irá falar sobre a parceria na abertura no evento.

Rogério Goulart também vai palestrar sobre a gestão do seu negócio e os riscos, mas já garante que a ampliação está programada. “O próximo passo é ampliar o projeto piloto para um novo módulo onde a lotação será 5 vezes maior. A previsão é de chegarmos a 8 módulos com capacidade para 400 animais cada. E toda essa estrutura será mantida por apenas um colaborador. Ouso dizer que a longo prazo vamos chegar ao sistema autônomo”, explica ele que planeja a mecanização total da propriedade.