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Publicada em 13/05/2015

Uso de variedades resistentes é o melhor método para controle da ferrugem

Novas variedades da Ridesa que serão liberadas em 2015 apresentam resistência.

Da Ridesa

A ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar é uma doença recente nos canaviais brasileiros, mas já é vista com grande preocupação pelo produtor, uma vez que pode derrubar o índice de produtividade. Por isso, é preciso agir rápido.

A melhor maneira de controlar a incidência desta doença é por meio do plantio de variedades resistentes. “Este é considerado o método ideal para controlar a ferrugem alaranjada, por ser aplicável em áreas extensas e por não causar impactos ambientais significativos”, relata Roberto Chapola, pesquisador do Programa de Melhoramento Genético de Cana-de-açúcar (PMGCA) da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), o qual compõe a RIDESA (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético).

“Assim como ocorreu para a ferrugem marrom, detectada no país em 1986 e de ocorrência limitada atualmente, as variedades resistentes também serão o principal meio para controlar a ferrugem alaranjada no Brasil”, sublinha Chapola.

O controle da ferrugem alaranjada com variedades resistentes é aplicável em áreas extensas. Além disso, aderir a estes materiais não gera custos adicionais ao produtor, pois a resistência é uma característica genética, que está incorporada à variedade. “Por isso, basta ao produtor optar por materiais varietais que agreguem boas características agronômicas e resistência à ferrugem alaranjada, além de outras doenças importantes.”

Segundo ele, muitos produtores já têm o conhecimento de que as doenças em cana-de-açúcar são controladas, principalmente, por meio de variedades resistentes. “O mais importante é que o produtor visualize que pode controlar a ferrugem alaranjada sem aumentar seus custos de produção e sem causar impactos significativos ao ambiente, simplesmente optando pelo plantio de uma variedade resistente.”

Resistentes e produtivas

O plantio de variedades resistentes à ferrugem alaranjada é sempre recomendado, pois a doença já se encontra disseminada em praticamente todas as regiões produtoras de cana-de-açúcar do país.

Em algumas áreas, onde o clima não favorece a sua ocorrência, pode-se optar pelo plantio de variedades com reação intermediária. Entretanto, mesmo nessas regiões, podem ocorrer anos favoráveis à ferrugem alaranjada e, nesses casos, as variedades intermediárias poderão apresentar maiores níveis da doença. “Portanto, para maior segurança, os produtores devem sempre priorizar o plantio de variedades resistentes”, afirma Chapola.

Para ele, é inevitável que cada vez mais o produtor opte por deixar de cultivar variedades suscetíveis à ferrugem alaranjada devido às reduções de produtividade causadas pelo problema. “Estudos realizados em outros países mostram que esta doença pode provocar, em variedades suscetíveis, quedas de mais de 50% na produtividade.”

E não há nenhum impedimento para a adesão do produtor a materiais varietais resistentes a doenças, inclusive do ponto de vista de riqueza e produtividade. “É que uma variedade resistente tem potencial de produtividade superior à suscetível, pois o patógeno não consegue causar infecção na variedade resistente e, dessa forma, não há doença e suas consequentes quedas de produtividade.”

O PMGCA/UFSCar/RIDESA tem obtido, com sucesso, novos materiais que aliam alta produtividade com resistência à ferrugem alaranjada e outras doenças importantes. As quatro futuras liberações do PMGCA/UFSCar, a RB975952, a RB985476, a RB975201 e a RB975242, são exemplos disso.

Ridesa se antecipou à ferrugem

A ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar é uma doença causada pelo fungo Puccinia kuehnii, responsável por causar lesões que diminuem a área verde das folhas e, consequentemente, reduzem a taxa fotossintética das plantas. A doença prejudica o desenvolvimento das plantas e a concentração de açúcar nos colmos. Em variedades de cana-de-açúcar suscetíveis, as quedas de produtividade podem ser muito significativas.

O PMGCA da UFSCar começou a se preocupar com a ferrugem alaranjada antes mesmo de sua detecção no Brasil. Diante da disseminação da doença em outros países, a Rede enviou suas principais variedades comerciais e clones promissores para serem avaliados na Costa Rica, onde a doença já estava presente. Chapola conta que, por lá, foi possível observar que a maioria das variedades cultivadas no Brasil possui resistência à ferrugem alaranjada.

A partir de 2009, após o primeiro relato da ferrugem alaranjada em território brasileiro, o PMGCA/UFSCar/RIDESA planejou e instalou diversos ensaios com o objetivo de confirmar a reação à doença das principais variedades cultivadas no país. Estes ensaios foram conduzidos em condições favoráveis para a ocorrência da ferrugem alaranjada e as avaliações foram realizadas a cada 15 dias, durante todo o ciclo da cultura. “Ao final das avaliações, foi possível determinar, com muita segurança, a resposta das variedades mais importantes para o setor sucroenergético frente à ferrugem alaranjada.”

As avaliações realizadas na Costa Rica e nos ensaios do PMGCA/UFSCar mostraram que a resistência à ferrugem alaranjada é predominante dentre as variedades mais cultivadas no Brasil. Materiais importantes para o setor, como RB867515, RB966928, RB855453, RB855536, RB835054, RB965902, RB935744, RB965917, RB928064, SP80-3280, SP80-1842, entre outros, possuem alta resistência à doença.

De acordo com o pesquisador, devido ao grande potencial de danos que a ferrugem alaranjada pode causar à cultura, o PMGCA/UFSCar incorporou ao fluxograma de seleção do seu programa de melhoramento mais uma etapa, que consiste em um experimento para determinar a resposta dos clones promissores à ferrugem alaranjada. “Clones suscetíveis são descartados, priorizando-se, com isso, a liberação de variedades resistentes. Neste contexto, as variedades que serão liberadas pela instituição em 2015 (RB975952, RB985476, RB975201 e RB975242) passaram por este experimento e todas apresentaram resistência à ferrugem alaranjada.”