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Publicada em 19/12/2012

Embrapa orienta sobre controle biológico da broca da cana-de-açúcar

A broca, conforme os pesquisadores é uma das principais pragas que atacam a cultura.

Anderson Viegas

A Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, divulgou um comunicado técnico voltado para produtores e usinas sucroenergéticas com uma série de recomendações para fazer o controle biológico eficaz da Diatraea saccharalis, popularmente conhecida como a broca da cana-de-açúcar.

O trabalho técnico é assinado por três pesquisadores da entidade, o engenheiro agrônomo, Harley Nonato de Oliveira e as biólogas Daniela Fabiana Glaeser e Patricia Paula Bellon. A nota ressalta que existem duas maneiras de fazer o controle da broca, um químico, com o uso de inseticidas e outro biológico, com a utilização de parasitoides, como a Cotesia flavipes.

A broca, conforme os pesquisadores é uma das principais pragas que atacam a cultura. Eles explica que durante a fase de lagarta, a Diatraea saccharalis abre galerias no interior do colmo da planta, o que resulta em danos diretos, como a morte da gema apical e o enraizamento aéreo e indiretos, como a podridão vermelha que é resultante da ação de microrganismos oportunistas que penetram no colmo por meio do buraco aberto pela lagarta, o que prejudica a produção de etanol e açúcar.

O controle biológico, apontam o engenheiro agrônomo e as biólogas, apresenta inúmeras vantagens em relação ao controle químico. Entre elas estão: especificidade em relação às espécies-alvo de insetos e menor risco de impacto ambiental, já que não contamina o solo, as águas superficiais e subterrâneas, além de não oferecer risco a saúde humana.

Os pesquisadores citam dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) que apontam que com o uso da Cotesia flavipes se deixou de utilizar 951 mil litros de inseticida. Outro ponto favorável, conforme eles, é que existem várias biofábricas produzindo inimigos naturais da broca, o que facilita a doação dessa tática de controle.

Na nota a equipe técnica da Embrapa Agropecuária Oeste ressalta que embora o controle biológica apresente inúmeros benefícios, quando não são utilizadas práticas de manejo integrado de pragas (MIP), ele pode se tornar ineficiente. Eles fizeram um levantamento em 15 usinas de Mato Grosso do Sul e descobriram que somente 40% utilizam esse sistema e acreditam que essa porcentagem seja resultado de reduções na eficiência do controle biológico.

Para que o sistema seja eficiente, os pesquisadores apontam que tem de ser tomados uma série de cuidados. O primeiro é com a liberação dos parasitoides na idade certa nos canaviais (24 horas de idade), fazer o transporte e a distribuição no campo de maneira adequada, fazer a liberação da maneira mais rápida possível sempre no início da manhã ou ao entardecer e fazer um estudo da seletividade dos produtos fitossanitários que serão aplicados no campo, porque eles podem prejudicar a eficiência dos inimigos naturais da broca.

Os pesquisadores recomendam ainda uma atenção especial a qualidade dos parasitoides. Conforme eles, critérios como razão sexual (número de machos e fêmeas), taxa de emergência dos adultos, habilidade de voo e capacidade de dispersão, entre outros, devem ser sempre verificados pelas usinas e produtores.

Conforme eles, ao se observar esses “preceitos”, os resultados práticos do controle biológico da broca da cana podem se tornar ainda mais efetivos.

Serviço:

Para conferir a íntegra do comunicado técnico da Embrapa Agropecuária Oeste Clique aqui.