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Publicada em 09/12/2014

Cientistas discutem uso do pinhão-manso para produção de biodiesel

Pesquisadores debateram da domesticação até o uso do óleo e da torta.

Da Embrapa Agroenergia

Da domesticação até o uso do óleo e da torta. As pesquisas que seguem essas linhas de atuação foram colocadas em debate entre o grupo de cientistas da Embrapa que desenvolvem trabalhos com pinhão-manso há cinco anos. Durante dois dias, foram apresentados os resultados alcançados ao longo desses anos de pesquisa com a cultura, dentro do projeto "Pesquisa, desenvolvimento e inovação em inovação em pinhão-manso para produção de biodiesel" (BRJATROPHA), liderado pela Embrapa Agroenergia, com recursos da Agência Brasileira de Inovação (Finep/MCTI).

Os resultados apresentados foram muito satisfatórios, principalmente quanto ao grande volume de informações que foram obtidos sobre o pinhão-manso nos últimos anos. “Há sete anos, não sabíamos praticamente nada sobre o pinhão-manso e, hoje, graças ao trabalho da rede de pesquisa do projeto BRJATROPHA temos toda uma base de conhecimento desenvolvida”, comentou o coordenador do projeto, Bruno Laviola.

A seleção de genótipos promissores no banco de germoplasma pode ser considerado um dos principais avanços do projeto. No quinto ano de avaliação, a média registrada de todas as plantas foi de 1.700 kg/ha de grãos, porém, selecionados os melhores materiais genéticos, pode-se produzir entre 3.500 e 4.200 kg/ha de grãos. A expectativa é que, em uma próxima fase, produtividades acima das verificadas poderão ser obtida com o cruzamento dos melhores genótipos.

Outros resultados que chamaram a atenção, salientou Laviola, foram os obtidos para a prática de manejo na produção de pinhão-manso, como o sistema de produção de mudas, os espaçamentos, os consórcios, as podas, a aplicação de fertilizantes e o uso de reguladores de crescimento. No aspecto fitossanitário, muitos dos problemas já foram resolvidos, com a identificação das principais pragas e os métodos de controle. No âmbito da colheita de frutos, resultados de pesquisa utilizando a semimecanização mostraram que os custos podem ser reduzidos em até 30 %, o que contribui de forma importante para equalizar os custos de produção.

No que se refere ao aproveitamento de coprodutos e resíduos da cultura, foram apresentados resultados da destoxificação da torta de pinhão-manso por processos físico-químicos e biológicos e por meio da exploração da variabilidade genética para ausência de toxidez (genótipos de origem mexicana que indígenas usam na alimentação). Bruno Laviola salienta que a torta do genótipo atóxico foi testada em substituição do farelo de soja para carneiros e os resultados foram bastante positivos no que se refere a saúde e ganho de peso dos animais. Como fertilizante, caracterizações químicas têm mostrado que a torta se apresenta como um excelente adubo orgânico. Estudos iniciais têm revelado que os ésteres de forbol são degradados entre 15 a 25 dias nos solos. Resultados interessantes também foram obtidos quanto ao uso da casca do fruto na produção de briquetes, cujo aproveitamento poderá agregar valor à matéria-prima, além de permitir produção de energia. Essas e outras pesquisas com destoxificação da torta de pinhão-manso podem ser conhecidas na 6ª edição da Agroenergia em Revista com este tema http://issuu.com/embrapa/docs/revista_6/6

Os desafios futuros

Apesar dos grandes avanços neste primeiro ciclo de pesquisa, Laviola salienta que as análises de custo de produção indicam que ainda existem desafios para viabilizar o pinhão-manso. A busca por estratégias de maior valorização dos produtos e coprodutos da cadeia torna-se importante para garantir um maior preço pago ao produtor. Neste sentido, intercalar outras culturas no primeiro ano ajudam a diminuir o custo de implantação e valorizar a rentabilidade da produção na fase jovem das plantas.

“A produtividade é outra questão importante”, destaca Laviola. Apesar de terem sido encontrados genótipos com produção superior a 4.000 kg/ha de grãos, acredita-se que seja importante obter por meio do melhoramento variedades que possam produzir entre 5.000 a 7.000 kg/ha de grãos para garantir remuneração aos produtores. De acordo com ele, outro ponto apresentado na reunião foi a importância do aumento da eficiência no uso da mão de obra com olhar para o sistema de produção, principalmente no que se refere à colheita de frutos. Neste caso, reforça Laviola, para diminuir o custo de produção, deve-se buscar mecanizar ou semimecanizar a maior parte dos tratos culturais do pinhão-manso. No início, abrimos as ações de pesquisa para obter o máximo de informações possível e, agora, precisamos focar em pontos chaves para resolver os problemas que restam para viabilizar o pinhão-manso”, completou Laviola.

Os resultados e ações futuras foram apresentados , nos dias 19 e 20 de novembro, por pesquisadores de unidades Embrapa (Embrapa Agroenergia, Agropecuária Oeste, Cerrados, Clima Temperado, Meio Norte, Rondônia, Semiárido, Solos e Agroindústria de Alimentos). Também fazem parte do BRJATROPHA cientistas da Universidade Federal do Paraná - UFPR, Universidade Federal do Tocantins - UFT, Universidade de Brasília - UnB, Universidade de São Paulo - USP, Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF.S