Canais de Notícia

Ciência & Tecnologia

Publicada em 03/12/2014

Especialistas discutem aplicação das geotecnologias ao Pantanal

Assunto foi debatido em simpósio em Campo Grande.

Da Embrapa Informática Agropecuária

Ferramentas essenciais para estudos e trabalhos de monitoramento e planejamento ambiental, as geotecnologias aplicadas ao bioma Pantanal foram tema do 5º Simpósio de Geotecnologias do Pantanal. O simpósio, ocorrido em Campo Grande (MS), de 22 a 26 de novembro, reuniu cerca de 200 especialistas do País e do exterior, entre profissionais, gestores, estudantes, professores e pesquisadores, que apresentaram as mais recentes pesquisas e iniciativas voltadas a entender o bioma e propor alternativas para a sua sustentabilidade.

Os veículos aéreos não tripulados (vants), também conhecidos como drones, foram destaque de uma mesa-redonda realizada em 25 de novembro, que mostrou as várias vantagens que a tecnologia oferece para o setor agrícola, embora ainda seja necessário regulamentar o uso. Pesquisas para monitoramento de áreas degradadas, estimativas de produção, identificação de falhas no plantio e detecção de pragas e doenças são alguns exemplos de atividades que já vêm sendo realizadas com o uso dos vants. Os equipamentos oferecem uma série de possibilidades para o trabalho no campo.

“É preciso dar ao agricultor meios e tecnologias para que ele possa extrair o melhor da agricultura”, disse a pesquisadora Kalinka Castelo Branco, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP). Embora o uso ainda não esteja regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os pesquisadores acreditam que é importante discutir o tema, aperfeiçoar os estudos, desenvolver metodologias e apresentar as melhores soluções tecnológicas e aplicações.

Para o professor Normandes Matos da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), há uma grande perspectiva de que os vants possam abrir caminhos para análises e estudos relacionados à regularização ambiental. “É uma tecnologia fantástica, que vem para complementar as outras”, avalia o professor. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) está desenvolvendo um vant, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), para fiscalização de áreas de mineração. Cristina Prando Bicho, do DNPM, abordou uma série de desafios para o uso desses equipamentos, destacando a necessidade do desenvolvimento de mais pesquisas, realização de treinamentos e elaboração de um planejamento de voo.

Entretanto, as inovações devem ser utilizadas de forma consciente. Kalinka lembra que é preciso obter o Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave), emitido pela Anac e uma autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo chamada Notam – Notice to Airmen, que visa divulgar antecipadamente toda informação aeronáutica de interesse direto e imediato para a segurança. Além disso, é proibido o voo em áreas urbanas, devido ao risco de acidente. De qualquer forma, é importante que as pesquisas sejam realizadas em parceria. “Só a partir do momento em que tivermos várias pessoas de áreas distintas alinhadas, incluindo a indústria, é que vai funcionar”, acredita Kalinka. Presente ao evento, o diretor da startup Acrux Aerospace Technologies, Oswaldo Loureda, disse que “o interesse é justamente conhecer as tecnologias de ponta e, principalmente, as necessidades e os desafios dos pesquisadores e profissionais da área”.