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Publicada em 08/10/2014

Controle da mosca-dos-estábulos requer trabalho conjunto, diz pesquisador da Embrapa

Assunto foi discutido em reunião em Costa Rica, nesta terça-feira (7).

Anderson Viegas, de Costa Rica

O controle da mosca-dos-estábulos, inseto hematófago ( se alimenta de sangue) que tem atacado bovinos em alguns municípios de Mato Grosso do Sul, requer um trabalho conjunto, que demanda o envolvimento de todos os envolvidos no problema, de produtores rurais a usinas sucroenergéticas.

A avaliação foi feita por Paulo Cançado, médico veterinário e pesquisador da Embrapa Gado de Corte, durante reunião realizada em Costa Rica, na região leste do Estado, nesta terça-feira. “Ações unilaterais são menos eficientes. É necessário diálogo, comprometimento e ações integradas”, ressaltou.

Cançado e outro médico veterinário da Embrapa Gado de Corte que também desenvolve pesquisas sobre o inseto, Thadeu Barros, ministraram palestra sobre a “mosca” a produtores rurais, vereadores e representantes do Ministério Público Estadual e da usina Costa Rica, da Odebrecht Agroindustrial, a pedido da comissão criada no município para debater alternativas para controlar a praga.

Ele ressaltou que o controle dos focos de criação da mosca-dos-estábulos representa 90% do sucesso no combate a infestação, que o combate tem que ser direcionado às larvas e a prevenção e alertou que uma vez instalados os surtos de ataque, eles são incontroláveis.

A prevenção

Barros, por sua vez, explicou que o trabalho de prevenção é tão importante porque os métodos de controle químico testados contra a mosca-dos-estábulos que estão disponíveis no mercado atualmente não se mostraram eficientes para controlá-la. Entre eles estão: a aplicação no dorso dos animais (pour-on), os brincos e a borrifação.

O pesquisador comentou que a prevenção envolve ações que tem de ser realizadas pelos produtores e também pelas usinas, já que no período de entressafra o inseto permanece nas propriedades rurais e na safra pode sair destes locais e ir para os canaviais, utilizando a palha que sobra do corte de cana de áreas fertirrigadas como local de reprodução.

Para os produtores, ele recomendou a limpeza de resíduos de alimentação dos animais e também a drenagem do terreno para evitar o acúmulo de água em áreas com matéria orgânica, e ainda o manejo adequado das pastagens e que se evite o uso da adubação orgânica.

Já para as usinas a orientação é para que elas façam o manejo dos subprodutos orgânicos, como a torta de filtro , a palha da cana e a vinhaça.