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Ciência & Tecnologia

Publicada em 25/08/2014

Manejo integrado de pragas é melhor opção para o cerrado brasileiro

Projeto sobre o assunto envolve várias instituições de pesquisa e ensino.

Da Embrapa

A Embrapa desenvolve, desde 2012, o “Projeto Rede Associativa para Formação de Multiplicadores em Manejo Integrado de Pragas-MIP no Sistema Produtivo do Cerrado Brasileiro”. O objetivo desta ação é estruturar e promover o trabalho conjunto e uníssono dos profissionais que realizam a propagação do MIP, para as principais culturas do cerrado (algodão, arroz, feijão, soja e milho).

Todo o trabalho é realizado em parcerias com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IFGoiano), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Universidade Federal de Goiás (UFG), Centro Universitário de Goiás (UNI-ANHANGUERA), Faculdade de Noroeste de Minas (FINOM), Universidade Estadual de Mato grosso do Sul (UEMS) e Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão (Fundação Chapadão), associações de classe (engenheiros agrônomos, sociedades rurais), cooperativas, órgãos de extensão rural (pública e privada), outras escolas de agronomia e colégios agrícolas, além dos demais atores que trabalham com produtores.

O MIP é uma tecnologia que adota, de forma estudada e sistematizada, um conjunto de técnicas, métodos e conhecimentos já existentes, a serem associados ao ambiente, com o intuito de manter a população de insetos nocivos às lavouras em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico. No Brasil, o MIP foi inicialmente implementado nas culturas da soja e do algodão, nos anos 1970, sob coordenação da Embrapa, em estreita atuação com instituições estaduais de pesquisa, assistência técnica, e universidades.

No Paraná, à época do surgimento do Manejo Integrado de Pragas, o número médio de aplicações de inseticidas na soja variava entre quatro a seis por safra. Ao final da década de 1990, após a adoção do MIP naquele estado, as aplicações haviam diminuído em cerca de 60%, resultando na redução de 116 milhões de aplicações e economia de R$86 milhões por ano ou R$2,5 bilhões, ao longo do período avaliado. Com o êxito atingido na soja e no algodão, o MIP passou a ser inserido nas lavouras de grãos, cereais, hortaliças e legumes, além de frutas e ornamentais.

O momento atual da agricultura no Brasil ressalta a importância desse Projeto. Algumas pragas de difícil combate continuam infestando plantações país a fora, caso da mosca-branca, que, sem o devido controle, pode levar à perda de até 100% das lavouras de feijão e soja, provocando danos também a outras culturas. No mesmo plano, surgem pragas quarentenárias, aquelas que não têm origem no país e, para as quais, não foram apresentadas ainda soluções concretas, exemplo: a Helicoverpa armigera, lagarta identificada recentemente, que tem provocado vasta destruição, com prejuízos, principalmente, nas lavouras de milho, soja e algodão.

Entre os principais benefícios proporcionados pelo Manejo Integrado de Pragas está a aplicação racional de inseticidas. O uso inadequado dessas substâncias leva à seleção de insetos resistentes, gerando também o aparecimento de novas pragas. Em todas as situações, o MIP trará ainda ganhos ecológicos e econômicos, além da proteção do agricultor, pela menor exposição às substâncias tóxicas.