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Ciência & Tecnologia

Publicada em 13/08/2014

Tecnologia é o maior gargalo para produtores rurais do País

De 4,4 milhões de propriedades brasileiras, somente 500 mil usam técnicas avançadas.

Da Febrapdp

O uso de tecnologia na agricultura brasileira ainda está longe de ser a realidade comum entre os produtores rurais. Segundo a Embrapa, de 4,4 milhões de propriedades brasileiras, somente 500 mil usam técnicas mais avançadas para aumento de produtividade. Eliseu Alves, fundador da Embrapa, abordou sobre a evolução das propriedades rurais e seus principais desafios para os próximos anos, junto ao ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, durante o 14º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, no Centro de Convenções de Bonito-MS. O evento segue até quinta-feira (14).

“A tecnologia poupa terra, trabalho e evita o desperdício. Frente a uma demanda crescente de alimentos, o desafio é a adoção de tecnologias em todas as propriedades e não somente em 12%”, alertou Eliseu. Para o ex-ministro Paolinelli, falta gerenciamento correto do produtor e políticas públicas. “Crescemos 3 milhões de hectares ao ano e não sabemos gerenciar. Estamos chegando ao limiar de uma exaustão de recursos de meio ambiente e financeiros”, afirma Paolinelli.

A saída, segundo ele, é a inovação. “O governo não pode mais focar em linhas de crédito diferenciadas para maquinários. A inovação, a ciência e a tecnologia de fácil acesso ao produtor são as únicas saídas”, complementa. Paolinelli chegou a criticar a postura passiva dos produtores. “Nossa agricultura gera 100 bilhões de dólares em exportação ao ano e isso deve ter um peso político. Não podemos mais ser vaquinhas de presépio e precisamos cobrar políticas mais efetivas”, pontuou.

O uso do Sistema de Plantio Direto na Argentina também foi trazido durante o Encontro, nesta quarta-feira (13). A presidente da Associação Argentina de Produtores de Plantio Direto, Maria Beatriz Giraudo, conhecida como Pilu, falou sobre os resultados da utilização da técnica no País vizinho. “Temos 96% de redução de erosão do solo, 70% de redução da evaporação da água, 60% de redução de uso de combustíveis”, afirma. A técnica, segundo a presidente da Associação, ainda colabora para garantir o sequestro de carbono no solo, além de melhorara fertilidade química e biológica, diminuindo o custo operacional.

Na sequencia, o pesquisador José Eloir Denardim, da Embrapa Trigo apresentou sobre práticas conservacionistas complementares no sistema de plantio direto. Denardim fez um resgate histórico, apontando que mesmo incas e maias já utilizaram a agricultura conservacionista, “que hoje pode ser traduzida para o conceito de sustentabilidade. A agricultura de conservação é utilização dos recursos com preservação, manutenção e recuperação dos mesmos”, explica. O pesquisador também ressalta que a tecnologia precisa ser ampliada. “E não basta apenas a escolha da melhor tecnologia. O produtor precisa saber de seu manejo, de como manuseá-la em favor de sua propriedade”, finaliza.