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Publicada em 29/05/2014

Uso de resíduos reforça benefícios ambientais do biodiesel

A cada 1% de biodiesel adicionado ao diesel, reduz em 0,7% a emissão de gases de efeito estufa.

Da Embrapa

A cada 1% de biodiesel adicionado ao diesel, reduz-se em 0,7% a emissão de gases de efeito estufa (GEE) do combustível usado para mover ônibus, caminhões e outros veículos pesados. Isso quer dizer que, um automóvel movido apenas com biodiesel (B100) emitiria 70% menos GEE do que outro utilizando combustível fóssil. Esse dado, destacado pelo presidente da União Brasileira do Biodiesel e do Bioquerosene (Ubrabio), Odacir Klein, foi um dos apresentados, na Câmara dos Deputados (Brasília/DF), durante o seminário “Biodiesel: produzindo energia e limpando o meio ambiente”. O evento, que aconteceu um dia antes do anúncio do aumento da adição do biodiesel ao diesel de 5% para 6%, foi promovido pela Subcomissão de Biocombustíveis da Comissão de Meio Ambiente da Casa, a pedido do deputado federal Márcio Macêdo (PT/SE), com o apoio da Embrapa e da Ubrabio.

Para o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Souza, o biodiesel é um dos maiores exemplos de biocombustível ambientalmente amigável porque é produzido não apenas com fonte renovável, mas também com resíduos. A segunda principal matéria-prima usada hoje para fabricar o biodiesel é o sebo bovino, cujo descarte era um problema ambiental. No ano passado, cerca de 500 mil toneladas desse produto foram transformadas em biodiesel, o que corresponde a 20% do volume de matérias-primas empregadas na fabricação do biocombustível.

Outro resíduo cujo uso na produção de biodiesel vem crescendo é o óleo de fritura usado. A participação ainda é pequena: apenas 1%. “Mas imaginem o que representaria jogar 30 milhões de litros de óleo no lixo ou na rede de esgoto?”, questiona Klein. Em Brasília (DF), a Embrapa Agroenergia e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) estão na fase final de instalação de uma usina demonstrativa com capacidade de produzir 1.000 litros de biodiesel por dia com o óleo de fritura recolhido na cidade. A preocupação é evitar que ele seja descartado na rede de esgoto, entupindo a tubulação e contaminando mananciais de água.

De acordo com o líder da participação da Embrapa Agroenergia no projeto, o pesquisador Rossano Gambetta, entre os principais desafios da iniciativa estão tornar viável a produção em pequena escala e utilizar o óleo de fritura como matéria-prima exclusiva ou principal. Ele explica que o resíduo apresenta muitas impurezas – restos de alimentos, basicamente, e alto teor de água. Isso não é um problema muito grande quando ele representa uma pequena fração dos óleos que vão para o tanque de reação. Mas é um desafio para uma usina como a que Embrapa e Caesb estão construindo, com recursos da Agência Brasileira de Inovação – Finep.

Além de ser uma solução para o aproveitamento de resíduos, o biodiesel apresenta outros benefícios, a exemplo da pegada de carbono significativamente menor do que o equivalente fóssil e da redução da emissão de substâncias cancerígenas. O Deputado Márcio Macêdo lembrou que a adição de 10% de biodiesel ao diesel em 2020 será fundamental para que o Brasil cumpra as metas ambientais assumidas com a comunidade internacional.

O papel social do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) foi destacado, no Seminário, pelo deputado federal Bohn Gass (PT/RS). Para ele, a realidade dos assentamentos, principalmente, é diferente antes e depois do programa. Além disso, a política conferiu mais estabilidade ao preço da soja, já que uma parcela maior dos grãos passou a ser industrializada no País.

Do ponto de vista econômico, o presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, informou que o setor gerou 1,3 milhões de empregos, entre 2005 e 2013. Além disso, o preço médio do biodiesel nos leilões já é competitivo com o do diesel importado. No ano passado, o País comprou do exterior cerca de 10 bilhões de litros de diesel. “Não há dúvida de que o biodiesel é ambientalmente correto, socialmente justo e pode ajudar o Brasil a reduzir as importações de diesel, contribuindo para a sustentabilidade econômica”, conclui o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Souza.