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Ciência & Tecnologia

Publicada em 29/05/2014

APTA realiza evento para discutir questões energéticas em SP

Haverá apresentação sobre cultivo de cana em sistema de plantio direto.

APTA

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) realiza em 29 e 30 de maio de 2014 o VIII Workshop Agroenergia: Matérias-primas, no Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, em Ribeirão Preto, interior paulista. O objetivo do evento é fomentar o debate em torno da produção de etanol e seus subprodutos, como biodiesel e bioetanol. No evento será abordado também o cultivo de cana-de-açúcar e outras espécies agroenergéticas, focando preservação do solo, fitossanidade, mecanização e fitotecnia em matérias-primas para agroenergia. O evento é realizado pelo Polo Regional Centro-Leste e IAC, ambos ligados à APTA e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Ao todo serão quatro painéis de discussão. Um sobre o panorama da bioenergia, outro sobre a palha no campo ou na indústria, matérias-primas para biomassa e o manejo fitossanitário no contexto de pragas exóticas.

O pesquisador da APTA, Denizart Bolonhezi vai apresentar resultados do projeto ROTACANA, sobre plantio direto no sistema de cana crua. De acordo com o pesquisador, realizando o plantio direto na cana-de-açúcar é possível aumentar a produtividade de colmos em média 12 toneladas por hectare. O perfilhamento, que é um indicador de quantos colmos serão produzidos, pode ser até 9% maior, além da umidade do solo ser 20% maior, fato que reduz o risco em período de veranicos, como os vividos neste momento.

“Do ponto de vista ambiental, os resultados do ROTACANA demonstram que as perdas de solo são reduzidas em até dez vezes, a taxa de sequestro de carbono é de uma tonelada por hectare maior quando associado o plantio direto em cana crua com rotação com a soja, em comparação com o sistema convencional de preparo”, afirma o pesquisador da APTA. O plantio direto associado com rotação de culturas na reforma de canaviais proporciona ainda redução de até 40% nos custos de implantação do novo canavial, além de favorecer a diversificação das atividades agrícolas e permitir a produção de alimentos e energia em uma mesma área.

Existem mais de um milhão de hectares disponíveis anualmente para cultivo de grãos, para uso na alimentação ou para a produção de adubos verdes, no período de reforma dos canaviais. Considerando que parte dos canaviais precisam ser plantados mais cedo, por conta do escalonamento e ajuste a infraestrutura disponível, sobrariam pelo menos 600 mil hectares para produzir de forma sustentável alimentos no período de entressafra da cana. “Isso tornaria os canaviais a nova fronteira agrícola paulista para produção de grãos”, afirma Bolonhezi.

Os participantes do evento, além de terem acesso aos resultados, poderão conhecer o único experimento de longa duração sobre plantio direto na cana-de-açúcar, iniciado em 1998. Este experimento é importante por que proporciona uma série histórica de resultados, sobretudo com relação ao sequestro de carbono no solo. A pesquisa é realizada pela APTA com apoio da Fundação Agrisus, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Os participantes poderão visitar ainda um campo de cana plantado com mudas oriundas do sistema de muda pré-brotadas (MPB), desenvolvido pelo IAC, em sistema de plantio direto sobre diferentes palhadas de adubos verdes, como mucuna cinza, mucuna verde e Dolichos lab lab.

Outro assunto abordado no Workshop são as pragas exóticas, principalmente a Helicoverpa armigera. Os danos ocasionados nas lavouras de soja, amendoim e algodão foram muito expressivos, demandando aumento no número de pulverizações, as quais, com frequência, não proporcionam controle eficiente. O pesquisador da APTA, José Roberto Scarpellini, apresentará palestra sobre qual a situação da Helicoverpa armigera no Estado de São Paulo. A palestra abrirá a mesa redonda, que contará com a presença de especialistas de outros departamentos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O conhecimento da biologia, de métodos de controle biológico, de opções de produtos químicos e outras estratégias de controle serão discutidos nesta mesa redonda, que terá como objetivo orientar o produtor para a próxima safra.

Cana para biomassa

O pesquisador do Instituto Agronômico, Mauro Xavier, vai apresentar as ações do Programa Cana IAC para o desenvolvimento de cana com perfil para produção de biomassa. Segundo Xavier, as pesquisas do IAC começaram em 2010 e estão em um nível considerado intermediário. Na campanha de hibridação de 2014, iniciada pelo Instituto em abril deste ano, estão sendo usados parentais importados da Coleção Mundial da Cana-de-açúcar de Miami. Os materiais têm perfil para o desenvolvimento de variedades destinadas à produção de etanol de segunda geração. Os cruzamentos realizados pelo IAC neste ano poderão originar novas variedades de cana em 2024/2025.

Ao todo, estão sendo utilizados pela primeira vez 120 acessos, oriundos da Coleção Mundial da Cana, da Sociedade Internacional de Cana-de-açúcar (ISST), localizada nos Estados Unidos. “Teremos a oportunidade de explorarmos parentais selvagens que não tínhamos em nossas coleções de trabalho. Esses parentais têm potencial para o desenvolvimento de cana para biomassa, voltadas para gerar etanol de segunda geração”, afirma Xavier.

De acordo com o pesquisador do IAC, esse grupo parental tem alto potencial para acúmulo de biomassa, com elevado teores de fibra, características que se diferenciam das variedades usadas no cruzamento para produção de açúcar e etanol comum. “São canas que serão usadas por outro tipo de indústria de processamento”, afirma.

Evento

O VIII Workshop Agroenergia: Matérias-primas terá sessões de apresentação de trabalhos científicos, favorecendo o intercâmbio de informações técnicas e servindo como fórum científico para assuntos pouco explorados nos congressos e eventos científicos tradicionais. Os engenheiros agrônomos, gerentes técnicos, produtores rurais, pesquisadores e estudantes, poderão participar de mesas-redondas, palestras, painéis, além de visitar estandes, campo de pesquisa ou demonstração e espaços de patrocinadores.