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Ciência & Tecnologia

Publicada em 24/03/2014

Embrapa compartilha tecnologias em acordos internacionais

Pesquisadores de Vanuatu e México conhecem sistemas produtivos adotados no Brasil.

Da assessoria

Os sistemas integrados de produção ultrapassaram mesmo as fronteiras e chegaram até às ilhas de Vanuatu, no oeste da Oceania. O arquipélago é formado por 82 ilhotas, a economia baseada, principalmente, na agricultura de subsistência ou pequena escala, e a pesca e o turismo são fontes complementares de recursos para a população, estimada em 2011, em 227 mil habitantes. Mesmo singular, a República de Vanuatu está apta a desenvolver os sistemas integrados, ajustando peculiaridades.

O primeiro passo foi dado esta semana, em Campo Grande-MS, onde está situada a Embrapa Gado de Corte e local da “Capacitação Técnica em Sistemas de Produção de Pecuária de Corte com vistas à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”. Os pesquisadores da Empresa colaboraram no treinamento de cinco especialistas de Vanuatu em procedimentos, práticas e processos de produção e sanidade animal, com foco em iLPF.

O curso de uma semana foi intensivo, envolveu 17 técnicos da Embrapa, com visitas a campo, laboratórios e propriedades rurais. Os pesquisadores do Ministério de Agricultura, Pecuária, Pesca e Biossegurança de Vanuatu receberam informações sobre o Experimento Sustentável de iLPF da Embrapa, os Sistemas Integrados no Brasil, o manejo de pastagens, o Programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA), os aspectos econômicos relacionados à iLPF, a gestão da propriedade, o Programa de Melhoramento de Gado de Corte, além dos trabalhos em ovinocaprinocultura e qualidade da carne desenvolvidos pela instituição.

“É uma oportunidade para conhecermos como o Brasil utiliza o sistema e verificar como adaptá-lo a Vanuatu. Os espaços no arquipélago são restritos, mas o clima é semelhante ao Brasil e o solo é vulcânico, salvo algumas áreas com carência nutricional. Nossa população é 80% rural e com atividades de subsistência. A intenção é fornecer serviços de segurança alimentar, gerando renda para o pequeno produtor de pecuária e viemos buscar informação para isso”, afirma Lonny Jonah, diretor do Departamento de Pecuária do Ministério.

O engenheiro florestal e diretor do Departamento de Florestas, Lui John Watson, reforça o conceito de subsistência dos produtores locais e ressalta que “o governo busca meios e estímulos para tornar a atividade mais comercial, voltada para o mercado, mudando o patamar que hoje se encontra. Os passos são lentos. É uma mudança de consciência do agricultor, é enxergar sua propriedade familiar como um negócio. Já há atividades agroflorestais no campo, podemos aperfeiçoar e focar em uma ou duas commodities e esse curso nos habilitará para colaborar melhor”, anseia Watson.

Parceria

A iniciativa é um projeto conjunto da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) - Ministério das Relações Exteriores e da Embrapa - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento dentro da Cooperação Sul-Sul do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a rede de desenvolvimento global da Organização das Nações Unidas (ONU).

O eixo Sul-Sul desenvolve parcerias entre os países emergentes em resposta a desafios comuns. No caso do Brasil o objetivo é mapear e transferir o conhecimento do país em setores como segurança alimentar, agricultura, saúde, educação e redução da pobreza. A Embrapa é o canal no âmbito da agropecuária e no ano passado assinou um acordo para expandir as iniciativas Sul-Sul e acelerar o intercâmbio entre a Empresa e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Entre as ações previstas estavam a seleção pública de um pesquisador sênior, com a missão de articular e cruzar a pesquisa brasileira com as necessidades dos técnicos e produtores de países em desenvolvimento; e um Ciclo de Debates, realizado na Embrapa Estudos e Capacitação (Brasília-DF), sobre essa atuação internacional.

Outra equipe de Vanuatu volta ao Brasil em abril. Desta vez, a capacitação acontecerá na Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) e Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás-GO), os próximos passos a caminho.

México

Durante o mesmo período, um grupo de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Florestais, Agrícolas e Pecuárias (INIFAP - México) esteve no Centro também para conhecer os estudos referentes à iLPF e aprofundar-se em melhoramento, manejo e sanidade de bovinos de corte com os pesquisadores da Embrapa Gado de Corte.

O programa de visita foi elaborado dentro das demandas dos técnicos do INIFAP e “isso fez muita diferença, otimizou o roteiro e ficou alinhado ao que buscávamos. Temos fazendas muito tecnificadas e outras nem tanto e muitas pequenas, uma pecuária de corte familiar. Algumas estratégias de melhoramento são semelhantes, mas estamos um pouco fora de ordem e é possível organizar. Os sistemas integrados estão em nosso país, porém é agricultura + pecuária ou floresta + pecuária e não os três juntos, podemos aprimorar”, revela o líder do Programa de Melhoramento de Gado de Corte do Instituto, Jorge Alfredo Quintal Franco.

Para o próximo mês, uma comitiva da Nova Zelândia desembarca em Mato Grosso do Sul. Seja do Norte ou do Sul, o intercâmbio de conhecimento é sempre o melhor resultado.