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Publicada em 31/01/2014

Genética, manejo e nutrição fazem pecuarista de MS produzir o melhor bezerro do País

Produtor Rubens Catenacci, da Fazenda 3R, em Figueirão produz cerca de 3 mil bezerros por ano.

Anderson Viegas

Uma combinação de alta qualidade genética, práticas de manejo inovadoras e diferenciadas e extremo cuidado com a nutrição do rebanho fizeram do pecuarista sul-mato-grossense Rubens Catenacci, da Fazenda 3R, em Figueirão, ser escolhido em 2013 por uma publicação da área, como o criador que produz o melhor bezerro de corte do Brasil. O seu caso de sucesso foi um dos destaques no espaço da pecuária no Showtec 2014, realizado na semana passada em Maracaju (MS).

Catenacci explicou que a base do seu sucesso começa com a genética diferenciada, que vem da matriz Badalada. O animal, que morreu em 2011, deixou uma história de conquistas da raça nelore e de herança genética para o rebanho da 3R, sendo eleita a melhor matriz de Mato Grosso do Sul e a terceira melhor do ranking nacional em 1997-1998.

Com essa excelente base genética, o produtor faz uso da mais moderna tecnologia existente no mercado para aproveitá-la no desenvolvimento do rebanho por meio de técnicas como a Inseminação por Tempo Fixo (IATF), Fertilização in Vitro (FIV), Transferência Nuclear e ultrassom de carcaça.

O segundo pilar que levou Catenacci a se tornar referência na produção de bezerros no País foi, conforme ele, o da criação de um sistema inovador de manejo dos animais. O pecuarista explica que foi criado na propriedade de cerca de 7 mil hectares em Figueirão, um sistema de pasto em piquetes, rotacionado e com praças de alimentação para matrizes e bezerros, chamado de creepfeeding.

Com o uso desse sistema ele explica que ocorre um desmame antecipado do bezerro da matriz e que o procedimento é menos traumático, o que facilita a transição do bezerro do leite para o pasto e ainda acelera o processo de reconcepção da matriz.

Já na parte de nutrição dos animais, a alimentação, conforme o produtor é baseada em pastagem piatã, com suplementação dos bezerros desde a desmama.

Como resultado, o bezerro produzido na 3R tem uma taxa de conversão de 1,2 quilo ao dia, contra pouco mais de 300 gramas, dos sistemas convencionais, e chega aos dez meses de idade com peso de cerca de 14 arrobas, um peso que só seria atingido em uma criação a pasto com o mínimo de 24 meses.

O bezerro de dez meses produzido na 3R está pronto, conforme o criador, para a engorda ou mesmo o abate. “Se for abatido produz uma carne de excelente qualidade. É um animal que praticamente não vai ter carne de segunda, somente de primeira pelo modo como foi produzido”, ressaltou.

“Queremos mostrar ao produtor que não existe segredo, existe o investimento certo e o uso correto das tecnologias disponíveis que possam não só reduzir o ciclo do animal dentro da fazenda, mas também preencher a demanda do mercado que cada vez mais necessita não só de quantidade, mas de qualidade”, explica Catenacci.

Ao participar do Showtec, o produtor comenta que apostou na difusão da sua metodologia de trabalho visando assim estimular a melhoria da produção de outros pecuaristas ou até mesmo mostrar para os agricultores uma possibilidade de variar a renda e não depender apenas da lavoura, colocando em prática um sistema de integração eficiente.

“Apostamos em duas principais filosofias: a de que se padronizarmos a produção do setor, teremos condições de reivindicar por uma melhor remuneração dos frigoríficos, por efetivos investimentos em logísticas e outros gargalos existentes hoje no setor, por isso buscamos mostrar com qual maneira se chega a essa produção de qualidade”, concluiu.

Por ano, a 3R produz cerca de 3 mil bezerros.