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Publicada em 06/09/2013

Pesquisadores renomados palestram no 11º Simpósio da Soja

Evento contou com uma programação de seis palestras com pesquisadores renomados.

Copasul

No dia 04 de setembro, na Câmara Municipal de Naviraí ocorreu o 11º Simpósio da Soja promovido pela Copasul. O evento contou com uma programação de seis palestras com pesquisadores renomados.

O objetivo do evento era realizar palestras técnicas, de mercado e clima para produtores, técnicos e estudantes, proporcionando assim o desenvolvimento técnico da região. O evento reuniu cerca de 300 pessoas que puderam acompanhar as últimas novidades em tecnologia, pesquisa e mercado da soja.

O simpósio foi aberto pelo superintendente da Copasul, Gervásio Kamitani que destacou a consolidação do evento que chega a sua 11ª edição. Auro Akio Otsubo, representando a Embrapa e demais patrocinadores, afirmou que eventos como este são importantes, pois trazem informações técnicas que auxiliam na gestão e na tomada de decisão. Durante a abertura, o presidente do Sindicato Rural de Naviraí e vice-presidente da Copasul, Yoshihiro Hakamada lembrou da importância de inovar a produção de alimentos, já que a população mundial atingiu a marca de 7 bilhões de pessoas. E o vice-prefeito do município, Jair Alves, destacou que o Brasil só é rico e potente no cenário mundial devido a sua excelência na agricultura.

Acidez no solo

As palestras foram de diversos assuntos, a primeira delas foi “Manejo de acidez do solo em sistema de plantio direto já estabelecido” com o professor dr. Eduardo Fávero Caires da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Segundo o pesquisador, a acidez do solo pode prejudicar o crescimento do sistema radicular e a absorção de nutrientes pelas plantas, resultando em sérios prejuízos na produtividade das culturas.

“Para reverter esse quadro é necessário corrigir a acidez do solo por meio da aplicação de calcário. O manejo adequado da correção da acidez é fundamental para a obtenção de altos tetos de produtividade das culturas”, afirma Caires.

Os solos das regiões tropicais e subtropicais apresentam baixa fertilidade natural. Uma das únicas maneiras de melhorar a fertilidade desses solos é utilizar práticas de manejo que proporcionem aumento no teor de matéria orgânica. O plantio direto com rotação diversificada de culturas é uma das estratégias mais eficazes para aumentar a sustentabilidade da agricultura em regiões tropicais e subtropicais por reduzir as perdas de solo e nutrientes por erosão, e ocasionar incrementos no teor de matéria orgânica do solo. O incremento no teor de matéria orgânica que ocorre após a adoção do plantio direto melhora a estruturação e a fertilidade do solo, aumentando a eficiência do uso da água e de nutrientes.

Caires ainda destacou que o sistema de plantio direto é realizado em 60% das terras cultiváveis no Brasil, mas alerta a qualidade desse é preocupante, pois muitas vezes de pula etapas ou não é realizada de forma adequada.

“O plantio direto preserva o solo e faz parte do programa ABC. Esse sistema terá grandes expansões no Brasil até 2020”, declara o pesquisador.

Previsões climáticas

O simpósio deu sequência com a palestra do dr. Marco Antônio dos Santos da Somar Meteorologia, “Análise e previsões climáticas para a agricultura: impactos na produção”.

O meteorologista disse que a má informação dos produtores dificultada a utilização da previsão climática. “O produtor deve cada vez mais acessar esses dados para fazer um uso mais assertivo e minimizar as perdas, pois os trópicos têm condições climáticas adversas que merecem atenção”.

Dr. Dos Santos explicou aos participantes que vivemos um momento de neutralidade climática, ou seja, não sofremos influência nem do fenômeno El Niño e nem do La Ninã. Ele ainda trouxe gráficos das condições climáticas e tirou dúvidas sobre a região de Naviraí, que deve ter chuvas regulares para a próxima safra, como ano passado. Também destacou que a safra dos EUA não será grande devida à seca e que as chances de perda são grandes.

Manejo de lagartas

A terceira palestra do evento foi “Manejo de lagartas de difícil controle no soja”, com o agrônomo e pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Crébio José Ávila. Segundo o pesquisador, as lagartas na cultura da soja podem consumir a sua folhagem ou danificar as vagens e os grãos, o tipo de dano e a sua intensidade dependem da espécie considerada. No caso da lagarta da soja e da falsa-medideira, os danos são decorrentes de desfolha, enquanto que para Helicoverpa armigera pode ocorrer desfolha, mas os danos são maiores na partes reprodutivas das plantas, como vagens e grãos. Os prejuízos decorrentes desses danos é a perda de produtividade.

“As medidas de controle devem seguir o enfoque do manejo integrado de pragas, utilizando táticas biológicas, culturais e o controle químico. O manejo de lagartas começa na dessecação da cultura e persiste até a fase reprodutiva da cultura”, explica Ávila.

Ele ainda completa que que se não forem tomadas medidas de controle dessas lagartas, as perdas de produtividade serão inevitáveis. “Portanto, é de extrema importância o monitoramento e o controle desse grupo de pragas”, enfatiza o pesquisador.

“Em pouco tempo o Brasil será o maior produtor de grãos do mundo, por isso medidas protetivas contra bioterrorismo e controle de pragas são tão importantes”.

Tendências para a safra 2013/2014

O período da tarde foi aberto pelo palestrante Paulo Roberto Molinari que falou sobre as Tendências para a safra 2013/2014, que segundo ele, a expectativa é de mais um bom ano para a soja devido às perdas de produção nos EUA. Contudo, os movimentos de preços estão ocorrendo agora e devem ser aproveitados pelos produtores. A safra sul-americana ganha espaço especulativo no mercado internacional com este novo quadro.

“O cenário continua positivo para ao Brasil tendo em vista esta combinação de Clima e Cambio nas últimas semanas”, afirma Molinari. Ele ainda acrescenta que o milho tem recomposição de estoques mundiais, estoques elevados no Brasil e dificuldade de competitividade em relação ao mercado internacional mesmo com o atual cambio.

Por fim, destacou alguns fatores de risco que merecem atenção do mercado: PIB, taxa de emprego, curva de preço do petróleo, safra 2013 nos EUA, demanda de etanol, plantio de mais soja e menos milho, exportações e clima neutro em 2013/14.

Manejo fisiológico e nutricional

Outra palestra da programação foi a “Manejo fisiológico e nutricional da soja para altas produtividades”, proferida pelo dr. Antônio Luiz Fancelli da Esalq-USP. Ele destacou a evolução genética da soja nos últimos anos.

“Hoje já em comum ver vagens com quatro e cinco grãos e sempre destaco aos produtores que os ganhos de produção devem ser medidos da seguinte maneira: em primeiro lugar o número de vagens por metro quadrado, em segundo o número de grãos por vagens e em terceiro o peso dos grãos”.

Fancelli ainda destacou que há propriedades no Brasil que conseguem produzir 6,6 mil quilos por hectare.

Cenário Agrícola Nacional

O evento foi encerrado pela palestra “Conjuntura Agropecuária”- Cenário Agrícola Nacional para a próxima safra, proferida pelo dr. Alexandre Mendonça de Barros.

O consultor deu ênfase que a demanda por alimentos cresce mais rápida que a oferta e isso é devido a diversos fatores como aumento da população e renda, a restrição de terra, escassez de água e etc.

“Mato Grosso do Sul tem uma agricultura significativa no cenário nacional e já investe em diversificação de culturas e em novas tecnologias. Sem contar que o sistema cooperativista auxilia os produtores a tomar decisões e fazer investimentos”, declara o palestrante.