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Publicada em 02/09/2013

Goianos na Austrália visitam centros de pesquisa em cana

Objetivo é conhecer toda a cadeia produtiva da cana no país.

FAEG

O grupo goiano de produtores de cana-de-açúcar, pesquisadores e executivos da indústria canavieira, em missão técnica à Austrália, chegou ao estado Queensland, região destaque na produção da matéria-prima no país.

Os 16 participantes da missão, organizada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás - FAEG, tiveram a oportunidade de conhecer, nesta etapa da viagem, toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar em terras australianas.

Apesar de o setor produtivo da cana-de-açúcar na Austrália ser focado em açúcar, o processo de produção nas lavouras é bem semelhante ao que se encontra no Brasil.

O grupo conheceu o porto de Mackay, um dos principais do Estado de Queensland e pode acompanhar todo processo de carregamento de açúcar nos navios para exportação.

De acordo com o coordenador da missão e vice-presidente institucional da FAEG, Bartolomeu Braz Pereira, a logística de exportação de açúcar nos portos é muito bem estruturada, organizada e feita por empresas especializadas em parceria com as refinarias.

“Os navios chegam a transportar 50 mil toneladas de açúcar. No porto de Mackay passam 50% de todo açúcar exportado no país; é o segundo produto agrícola mais exportado na Austrália, ficando atrás apenas do trigo”, detalha.

Pesquisa em cana

O grupo também visitou a Sugar Research Australia (SRA) que um dos principais centros de pesquisa de cana-de-açúcar e que trata de questões relacionadas ao meio-ambiente, indústria, biossegurança, sanidade, fitogenética e custos econômicos.]

O instituto, também localizado em Mackay, opera em uma área aproximada de 75 mil hectares e congrega cerca de 800 produtores com áreas entre 50 a 300 hectares. Atualmente, o centro de pesquisas mantém intercâmbio de informações com instituições brasileiras como o CTC, IAC e RIDESA.

O SRA é mantido por produtores de cana associados, pela indústria e pelos governos estaduais e municipais. Uma das instituições que mantém a SRA é o Canegrowers uma associação que representa cerca de 85% de todos os fornecedores de cana-de-açúcar de Queensland, conferindo assim importante força política na defesa dos interesses dos produtores no país.

O centro tem trabalhado fortemente no desenvolvimento de novas variedades. A cada ano são liberadas comercialmente de três a quatro novas cultivares. No estado de Queensland há quatro unidades de pesquisa da SRA.

Agricultura de precisão

O grupo conheceu, ainda, a HCPSL uma instituição de pesquisa de Hebert River, que fica na chamada divisa do trópico úmido australiano, focada na agricultura de precisão. Assim como o SRA, é mantida também pelos produtores de cana, indústrias e governos.

O instituto de pesquisa vem desenvolvendo trabalhos na área de agricultura de precisão há pelo menos 12 anos na minimização da compactação do solo, quebra do ciclo de doenças, conservação de matéria orgânica com cultivo mínimo, manejo varietal, aplicação de fertilizantes e defensivos, tudo com uma base de dados precisa e levantada a campo com o auxílio de imagens digitais via satélite.

Um dos esforços do instituto é pela conscientização do produtor no custo benefício das práticas da agricultura de precisão. O principal o objetivo é mudar a realidade do sistema atual de plantio (convencional), implantando o sistema de mapeamento eletrônico em todas as propriedades de produção de cana.

A HCPSL monitora cerca de 23 mil hectares por ano e atuam em uma área onde a produção ultrapassa os 4,5 milhões de toneladas. Os monitoramentos mais trabalhados são o de produtividade e de nutrientes no solo.

Segundo o assessor técnico da Faeg para a área de cana-de-açúcar e bioenergia, Alexandro Alves, que também acompanha o grupo, o Brasil está em fase de grande avanço na produção de cana-de-açúcar. “Mas pelo que acabamos de visitar, temos um potencial enorme de crescimento e de busca por novas tecnologias que nos consolidarão, cada vez mais, como o principal produtor e gerador de tecnologias do setor sucroenergético em todo mundo”, afirma.

O grupo agora segue para o distrito de Mossman e para o Planalto Atherton onde visitará áreas de produção de cana-de-açúcar em altitudes elevadas. A missão fica no país australiano até o dia 02 de setembro.