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Agrobussines

Publicada em 02/05/2013

Experiência de produtores de SC inspira agroindústria no MS

Entidades discutem implantação de projeto de desenvolvimento de empreendedores rurais cooperativistas em São Gabriel do Oeste.

Sebrae/MS

A pequena produção rural pode chegar mais longe quando há cooperação e valor agregado ao que é produzido no campo. E foi desta constatação, que suinocultores de oito cooperativas do oeste de Santa Catarina decidiram se unir, há mais de 40 anos, para criar uma unidade cooperada que industrializasse seus produtos. Hoje, a Cooperativa Central Aurora Alimentos é referência na agroindústria brasileira, reunindo mais de 30 mil cooperados.

Esta experiência do sul do País está sendo a inspiração para estabelecer em Mato Grosso do Sul parceria que visa a impulsionar a suinocultura no norte do Estado. Em reunião realizada no dia 24 de abril, em Campo Grande, representantes da Aurora apresentaram o trabalho desenvolvido na cidade de Chapecó a secretários municipais de São Gabriel do Oeste, diretores e gerentes do Sebrae, líderes da Coasgo – Cooperativa Agropecuária de São Gabriel do Oeste, da OCB/MS e do Senar.

A proposta é iniciar um projeto de desenvolvimento de empreendedores rurais cooperativistas em São Gabriel do Oeste, onde estão instaladas as cooperativas Coasgo e Aurora. “A parceria entre as entidades, cooperativas e a Prefeitura vai organizar os suinocultores e qualificá-los a gerir a propriedade rural como uma empresa”, destaca a diretora de operações do Sebrae, Maristela França.

Segundo a assessora geral do Sebrae, Márcia Rocha, o projeto terá início com três grupos de 18 propriedades rurais de criação de suínos. De acordo com o secretário municipal, Jair Frozza, a suinocultura gera renda e se distribui na economia da cidade. “Falta preparação para o produtor ampliar seu negócio de maneira estruturada”. O presidente da Coasgo, Jair Borgmann, diz que “40% da arrecadação de São Gabriel do Oeste vem da suinocultura”.

Com a parceria da Aurora para o abatedouro de São Gabriel do Oeste, os produtos já sairão industrializados de Mato Grosso do Sul. “Hoje é muito difícil a sobrevivência para quem vive apenas de commodities. Infelizmente, sem agregação de valor não se subsiste no mercado”, aponta Neivor Canton, vice-presidente da Aurora.

Atualmente, o volume de produção tanto da Coasgo é cerca de 2 mil suínos por dia. Com a implantação da indústria de derivados da suinocultura a cooperativa passará a abater até 36% mais que este montante. “Esperamos aumentar o volume de produção e estimular a inserção de novos produtores na atividade”, complementa Frozza.

Qualidade para exportar

Hoje, tudo o que é produzido pela Coasgo é enviado para Santa Catarina, onde o alimento é processado. “O mercado interno brasileiro é o destino de 80% dos produtos da Aurora; o restante é remetido a mais de 60 países”, exibe Neivor Canton. Segundo ele, 60% dos produtos da Aurora são industrializados. “Esse é o nosso fator de sucesso”, avalia.

O projeto voltado à capacitação dos produtores rurais visa ainda atender as exigências do mercado externo. “O comprador de fora quer ir até o campo, onde inicia o processo, para saber como vive a família do agricultor, como os animais são criados, o que há nos arredores da propriedade rural; quer saber se o produtor sabe gerenciar seu negócio, se a produção é organizada e ambientalmente correta”, esclarece Neivor.

Proposta de produção sustentável

O gás lançado pelos dejetos dos suínos é capaz de gerar combustível, fertilizantes e produzir energia. Por este fator, os criadouros já conseguem ser autosuficientes em energia elétrica.

Empresário do setor cerâmico na região norte do MS, Luiz Cláudio Fornari, que também é vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae, acredita que o fortalecimento da suinocultura impulsiona a sustentabilidade da região. “A industrialização e a preparação do produtor rural conferem garantia de mercado aos suinocultores e, o setor ceramista, a promessa da oferta de matriz energética”, avalia.

Ele afirma que há grande interesse na integração do Arranjo Produtivo Local – APL Cerâmico da Região Norte com a disponibilização de bioenergia proveniente da produção de suínos em São Gabriel do Oeste. “Este encadeamento produtivo faz parte de um desafio posto há 10 anos: trazer para o setor cerâmico fontes alternativas de energia”, diz a diretora Maristela França. “É uma atividade ambientalmente correta e economicamente viável. Estamos buscando incentivos para que futuramente isso se torne realidade”, conclui Frozza.