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Publicada em 13/03/2013

Bioeletricidade a partir da cana é alternativa energética para o País

O setor sucroenergético em MS fechou a safra 2012/2013 com a exportação de 1.292 giga Watts hora (GWh) de energia.

Biosul

O setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul fechou a safra 2012/2013 com a exportação de 1.292 giga Watts hora (GWh) de energia, um crescimento de 17% em relação a safra passada (2011/2012). Os dados foram apresentados pelo presidente da Biosul – Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, Roberto Hollanda Filho. “Na última safra, nove das 22 usinas injetaram 17% a mais de bioeletricidade a partir do bagaço da cana no sistema elétrico”, apontou o presidente. Percentualmente, o estado foi o primeiro em tonelada de cana moída por exportação de bioeletricidade em todo o País.

Em 2011/2012, oito usinas de Mato Grosso do Sul exportaram um montante de 1.100 GWh. Na safra que antecedeu, o total foi de 638 GWh. Conforme a Biosul, o investimento feito pelas indústrias com a aquisição de novos equipamentos e a modernização das unidades garantiu que mais bioeletricidade fosse exportada. As usinas são auto suficientes e conseguem suprir sua necessidade elétrica a partir do co-gerado pelo bagaço da cana-de-açúcar.

A preocupação com a diversificação da matriz energética veio após o risco do “apagão”, entre 2001 e 2002, quando 90% da energia do País era gerada pelas hidrelétricas. A crise fez com que o governo federal buscasse novas fontes elétricas. Até 2008, o bagaço gerado pelas usinas era considerado um resíduo para as indústrias de açúcar e etanol.

“Para se ter uma ideia, se o total gerado de bagaço em Mato Grosso do Sul fosse transformado em um tapete de 10 metros de altura, daria para estendê-lo de Campo Grande a Dourados.”, compara o presidente. O total produzido é, em média, 25% de toda cana moída. Em MS, essa produção chegou na ultima safra a 9,32 milhões de toneladas.

A eletricidade a partir da cana é uma alternativa interessante porque complementa a geração hídrica no período de seca, entre abril a novembro, as unidades sucroenergéticas estão moendo para produzir açúcar e etanol e gerando energia a partir da queima do bagaço.

O investimento das usinas em novas plantas e a readequação das antigas, com aquisição de maquinários mais modernos garantiram que esse bagaço fosse transformado em eletricidade. A iniciativa privada também investiu na construção de linhas de transmissão, o que possibilitou que a indústria de cana-de-açúcar tivesse mais um produto: a bioeletricidade.

Na avaliação do presidente da Biosul, em face ao potencial, a co-geração da bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar ainda é tímida. “A indústria tem feito sua parte, agora é necessário estruturar investimentos principalmente as formas de comercialização”.

Atualmente existem duas formas de comercialização desse produto. Uma delas é a venda direta para os grandes consumidores e a outra é por meio de leilões. A energia produzida pelas usinas concorre diretamente com outras fontes. “A eólica, por exemplo, tem viabilidade na região onde há ocorrência de ventos, como a região Nordeste do Brasil. Existe o custo logístico para que essa energia chegue à região Centro-Sul que não é levado em consideração”.

Mesmo não considerando as externalidades de cada fonte de energia renovável, a co-geração a partir da cana é considerada uma fonte de energia barata, principalmente para o consumidor final.