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Agrobussines

Publicada em 18/12/2014

Peixes do Pantanal viram de quibes a patês em Mato Grosso do Sul

Embrapa e parceiros desenvolvem alimentos processados a partir de pescado.

Da Embrapa Pantanal

Você já comeu quibe feito de peixe do Pantanal? Esse e outros produtos derivados de pescado da região são desenvolvidos atualmente através de uma parceria entre a Embrapa Pantanal, Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Os pesquisadores dessas instituições investigam há cerca de um ano o uso de espécies de peixes nativas do Pantanal – como o curimbatá, piavuçu, palmito e barbado – como ingrediente para a fabricação de quibes e patês.

As espécies que dão origem a esses produtos são encontradas com frequência no Pantanal, mas ainda são menos conhecidas pelo consumidor. De acordo com o pesquisador da Embrapa Pantanal Jorge Lara, coordenador do projeto, as carnes diferenciadas desses animais podem atrair um público interessado em experimentar o sabor de peixes considerados exóticos em várias regiões do país. “São carnes excelentes do ponto de vista nutricional, do ponto de vista tecnológico e têm um forte apelo comercial”, diz Jorge.

Porém, até que esses quibes e patês estejam disponíveis para consumo, há um caminho de pesquisas a ser percorrido. Os estudos iniciais já determinaram fatores como maciez e cor das carnes, assim como as formulações dos produtos. Agora, os pesquisadores vão realizar testes para avaliar a chamada “vida de prateleira”. “A gente vai ver o que acontece nos próximos seis meses com esses produtos congelados e refrigerados”, diz a pesquisadora Adna Prado, uma das colaboradoras do projeto. Ela diz que é possível descobrir, dessa forma, quais espécies têm maior durabilidade e podem ser comercializadas por mais tempo.

Para Jorge Lara, os alimentos processados de peixes pantaneiros são uma forma de agregar valores e até subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas que favoreçam a atividade pesqueira local – como a inclusão desses produtos na merenda escolar, por exemplo. “Além da satisfação do consumidor, nós temos a preocupação de dar um retorno aos pescadores, que são, em última análise, os principais interessados no assunto”, afirma. De acordo com Jorge, esses produtos unem um grande apelo comercial à importância de se consumir espécies como essas, menos conhecidas, para a manutenção do equilíbrio de populações de peixes nos rios. “Para as pessoas que procuram produtos diferenciados, vai ser um prato cheio”, diz. Literalmente.